«Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi» (Jo 15,16)
Dom Irineo​
Bispo de Tropaion

SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS​

II Domingo de Mateus

Jesus chama seus primeiros discípulos (Mt 4,18-23)

Leituras Bíblicas

Evangelho: Mt 4,18-23;
Apóstolos: Rm 2,10-16

Após a celebração de Pentecostes e da memória de Todos os Santos, a Igreja conduz-nos novamente às margens do Mar da Galileia. Se no domingo passado contemplávamos o fruto maduro da ação do Espírito Santo na vida dos santos, agora somos convidados a contemplar o início desse caminho: o chamado dos primeiros discípulos.

O Evangelho apresenta uma cena simples. Jesus caminha junto ao lago e encontra homens ocupados em seu trabalho cotidiano. Pedro e André lançam as redes ao mar; Tiago e João consertam as redes na barca de seu pai. Nada indica que aqueles pescadores anônimos estivessem prestes a participar de um acontecimento que transformaria a história do mundo. Contudo, é precisamente ali, no ambiente comum da vida diária, que o Senhor os encontra e os chama.

Há algo profundamente consolador nesse relato. Cristo não procura homens poderosos, influentes ou particularmente instruídos. Chama pescadores. Chama homens simples, acostumados ao trabalho duro, às longas noites e à incerteza da pesca. A escolha dos Apóstolos recorda-nos que Deus não espera encontrar pessoas extraordinárias para realizar sua obra; ao contrário, é a sua graça que torna extraordinários aqueles que se dispõem a segui-Lo.

O chamado é breve e direto: «Segue-Me, e Eu vos farei pescadores de homens». Não há explicações detalhadas nem garantias sobre o futuro. Há apenas a presença daquele que chama. E o que impressiona no Evangelho não é apenas o convite, mas a resposta. São Mateus diz que eles deixaram imediatamente as redes e seguiram Jesus.

Esse “imediatamente” merece nossa atenção. Grande parte da vida espiritual acontece entre o momento em que percebemos a vontade de Deus e o momento em que decidimos colocá-la em prática. Muitas vezes não recusamos o chamado divino; apenas o adiamos. Esperamos circunstâncias melhores, maior segurança ou certezas mais completas. Os discípulos, porém, ensinam-nos a confiança. Eles não conheciam todos os detalhes do caminho, mas reconheceram Aquele que os chamava e depositaram n’Ele sua esperança.

As redes que deixaram para trás representam mais do que instrumentos de trabalho. Representam tudo aquilo que lhes oferecia segurança e estabilidade. Também nós possuímos nossas redes: preocupações excessivas, apegos, medos, projetos pessoais ou hábitos que dificultam nossa plena adesão ao Evangelho. Seguir Cristo não significa abandonar as responsabilidades da vida, mas permitir que nada ocupe em nosso coração o lugar que pertence a Deus.

O Senhor transforma ainda a própria profissão dos discípulos. Aqueles homens que pescavam peixes serão enviados para reunir pessoas no Reino de Deus. A imagem é significativa. O discípulo não é chamado apenas para sua própria salvação, mas para colaborar na obra de Deus. Cada cristão, segundo sua vocação e seus dons, participa dessa missão apostólica. Pela palavra, pelo testemunho, pela oração e pela caridade, somos chamados a conduzir outros ao encontro com Cristo.

A Epístola deste domingo recorda que Deus não faz acepção de pessoas. Diante d’Ele, o que importa não é a condição social, a origem ou os privilégios, mas a disposição sincera do coração. Foi assim com os Apóstolos. Foi assim com os santos que celebramos no domingo passado. E continua sendo assim conosco.

O Evangelho deste domingo recorda-nos que a santidade não começa com grandes feitos, mas com uma decisão. Antes de serem Apóstolos, Pedro, André, Tiago e João foram discípulos. Antes de serem santos, aprenderam a ouvir, confiar e seguir. Também nós somos convidados a percorrer esse mesmo caminho. Cristo continua passando pelas praias da nossa vida e continua dirigindo a cada um de nós o mesmo convite: «Segue-Me».

A questão não é se o Senhor continua a chamar. A questão é se estamos dispostos a responder.

Referências:
  • Bíblia Sagrada (Mt 4,18-23; Rm 2,10-16; Lc 5,1-11; Jo 15,16).
  • São João Crisóstomo, Homilias sobre o Evangelho de Mateus.
  • São Gregório Magno, Homilias sobre os Evangelhos.
  • Santo Efrém, o Sírio, Comentário ao Diatessaron.
  • Archimandrita Simeão Kragiopoulos, Call of the Disciples.
  • Arcebispo Elpidophoros, Homily on the Second Sunday of Matthew.

Suplemento Litúrgico

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Του λίθου σφραγισθέντος υπό των Ιουδαίων, και στρατιωτών φυλασσόντων το άχραντον σου σώμα, ανέστης τριήμερος Σωτήρ, δωρούμενος τω κοσμώ την ζωήν. Δια τούτο αι δυνάμεις των ουρανών εβόων σοι ζωοδότα. Δόξα τη αναστάσει σου Χριστέ, δόξα τη βασιλεία σου, δόξα τη οικονομία σου, μόνε φιλάνθρωπε.

Embora a pedra fosse selada pelos judeus, e os soldados guardassem teu imaculado Corpo, ressuscitaste ao terceiro dia, ó Salvador, concedendo vida ao mundo. Por isso, os poderes celestes clamavam a Ti, ó Autor da Vida: Glória à tua ressurreição, ó Cristo, glória ao teu Reino, glória à tua economia, ó único Filantropo!