Hinos 50, SC 196
Se afirmas reconhecer [a Deus] «pela fé» e consideras que és filho de Deus «pela fé», que a encarnação de Deus também seja «pela fé». […] Se Ele Se tornou realmente Filho do homem, faz realmente de ti filho de Deus; se não foi só aparentemente que Ele Se tornou corpo, também nós não nos tornamos espírito em ideia; tão verdadeiro quanto o Verbo Se ter feito carne é Ele transformar-nos de forma inefável, tornando-nos verdadeiramente filhos de Deus.
Permanecendo imutável na sua divindade, o Verbo tornou-Se homem ao assumir carne; mantendo o homem imutável na sua carne e na sua alma, tornou-me inteiramente Deus. Assumindo a minha carne condenada, Ele revestiu-me de toda a divindade, pois, ao ser batizado, fui revestido de Cristo, não de forma sensível, é certo, mas de forma espiritual; e como não haverá de ser Deus por graça e por adoção, no sentimento, no conhecimento e na contemplação, aquele que se revestiu do Filho de Deus?
Se o Deus Verbo Se tivesse tornado homem de forma inconsciente, podemos supor que também eu me tornaria Deus de forma inconsciente; mas, se foi com conhecimento de causa, efetiva e conscientemente, que Deus assumiu por completo a condição humana, também eu me tornei Deus por completo, pela minha comunhão com Deus, de forma sensível e com conhecimento de causa, não por essência, mas por participação. Pois da mesma forma que Deus nasceu homem num corpo sem mudar e Se mostrou ao mundo, assim também Ele me gera de forma inefável e espiritual, e faz que, permanecendo homem, eu me torne Deus.


