Tratado dos mistérios; SC 19 Tal como o proprietário do Evangelho de São Lucas se desloca por três vezes à figueira estéril (cf Lc 13,6), assim a Santa Madre Igreja marca todos os anos a vinda do Senhor por um período de três semanas. «O Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido» (Lc 19,10). Ele veio antes da Lei, porque deu a conhecer pela razão natural o que todos devem fazer e seguir (cf Rom 1,20); veio sob a Lei porque confirmou os decretos da Lei aos descendentes de Abraão pelos exemplos dos patriarcas e pela voz dos profetas; e veioLeia mais →

Os céus, o ar, a terra, os mares estão revestidos de esplendor, e o cosmos deve o seu nome à sua magnífica harmonia. Apreciamos essa beleza das coisas de forma instintiva e natural, mas a palavra que a exprime é sempre inferior ao que a nossa inteligência captou. Por maioria de razão, o Senhor da beleza está acima de toda a beleza; e, se a nossa inteligência não pode conceber o seu esplendor eterno, conserva, no entanto, a ideia do esplendor. Devemos, portanto, confessar um Deus cuja beleza é inconcebível para a nossa mente, mas que não podemos alcançar sem Ele. Esta é a verdadeLeia mais →

«Deus é espírito» diz o Senhor à Samaritana […] ; sendo Deus invisível, incompreensível e infinito, não será num monte nem num templo que Deus deverá ser adorado (Jo 4, 21-24). «Deus é espírito» e um espírito não pode ser circunscrito, nem contido; pela força da sua natureza, está em todo o lado e de local algum está ausente; está em todo o lado e em tudo superabunda. Por isso, é preciso adorar a Deus, que é espírito, no Espírito Santo […]. O apóstolo Paulo outra coisa não diz quando escreve : «O Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor, aíLeia mais →

Ao ver os discípulos dirigirem-se a Jesus, João ficou preocupado com a ignorância deles, não com a sua, pois ele tinha proclamado que viria Alguém remir os pecados. Mas, para lhes dar a conhecer que era Aquele quem ele proclamara, enviou os discípulos a observar as suas obras, para que estas conferissem autoridade ao anúncio, e nenhum outro Cristo fosse esperado para além daquele de quem as obras tinham dado testemunho. E, como o Senhor Se tinha revelado completamente pelas suas ações milagrosas, dando vista aos cegos, marcha aos coxos, cura aos leprosos, audição aos surdos, palavra aos mudos, vida aos mortos, instrução aos pobres,Leia mais →

«Se não for o Senhor a edificar a casa, em vão trabalham os construtores» (Sl 126,1); «vós sois o Templo de Deus e o Espírito de Deus habita em vós» (1Cor 3,16). A esta casa que é o Templo de Deus, cheio de ensinamentos e graças de Deus, a esta morada que contém a santidade do coração de Deus, prestou o mesmo profeta a seguinte homenagem: «O teu templo é santo, maravilhoso de justiça» (Sl 64,6, Vulg). A santidade, a justiça e a castidade do homem são um templo para Deus. Esta casa deve, pois, ser construída por Deus. Uma construção edificada pelo trabalho dosLeia mais →

Deus Pai todo-poderoso, quero consagrar-Te a principal ocupação da minha vida. Que tudo em mim, as minhas palavras e os meus pensamentos, falem de Ti. […] Conscientes da nossa pobreza, pedimos-Te o que nos falta; escrutinaremos as palavras dos teus profetas e dos teus apóstolos com zelo infatigável, bateremos a todas as portas que a nossa inteligência encontrar cerradas. Mas é a Ti que cabe responder-nos, conceder-nos o que procuramos, abrir a porta fechada (cf Lc 11,9). Porque vivemos numa espécie de torpor pelo entorpecimento da nossa natureza; a nossa fraqueza de espírito impede-nos de compreender os teus mistérios devido a uma ignorância inelutável. Felizmente,Leia mais →

Qual é «a palavra de louvor» (Sl 65,8) que é preciso proclamar? Seguramente esta: «Ele deu vida à alma» dos crentes (v.9); porque Deus atribuiu a constância e a perseverança na profissão da fé à pregação dos apóstolos e à confissão dos mártires, e o anúncio do Reino dos Céus percorreu a Terra em todos os sentidos, passo a passo. Com efeito, «a sua mensagem espalhou-se por toda a Terra» (Sl 18,5). E o Espírito Santo proclama a glória desta corrida espiritual: «Como são belos os pés dos que anunciam a boa nova, dos que anunciam a paz» (Is 52,7). É esta palavra de louvorLeia mais →

É de Vós, Deus Pai Omnipotente, que depende dar o que pedimos, estar presente quando procuramos, abrir quando batemos à porta (Lc 11,9). Quando se trata de compreender as verdades que se referem a Vós, vemo-nos impedidos por um certo entorpecimento preguiçoso da nossa natureza e sentimo-nos limitados pela nossa inevitável ignorância e debilidade; esperamos, pois, que Vós façais progredir o nosso tímido esforço inicial, que consolideis o seu desenvolvimento crescente e o leveis à união com o espírito dos Profetas e dos Apóstolos, para que compreendamos o sentido exato das suas palavras e interpretemos o seu verdadeiro significado. Falemos do que eles pregaram nosLeia mais →

[No Evangelho de São Mateus, Jesus acabara de curar dois estrangeiros, em território pagão.] Neste paralítico, é a totalidade dos pagãos que se apresenta a Cristo para ser curada. Mas mesmo os termos dessa cura devem ser analisados: o que Ele diz ao paralítico não é: «Fica curado», nem: «Levanta-te e anda», mas: «Filho, tem confiança, os teus pecados estão perdoados» (Mt 9,2). Num só homem, Adão, os pecados foram transmitidos a todos os povos. É por isso que aquele a quem Cristo chama filho se apresenta para ser curado […]; porque esse filho é a primeira obra de Deus […], que agora recebe aLeia mais →

Enquanto gozar do sopro de vida que me concedeste, Pai santo, Deus todo poderoso, proclamar-Te-ei Deus eterno e Pai eterno. Nunca eu me farei juiz do teu poder supremo e dos teus mistérios; nunca porei o meu limitado conhecimento à frente da noção verdadeira do teu infinito; nunca afirmarei que exististe jamais sem a tua sabedoria, o teu poder ou o teu Verbo, que é Deus, o Unigênito, o meu Senhor Jesus Cristo. É que, mesmo sendo a linguagem humana fraca e imperfeita, ao falar de Ti não limitará o meu espírito a ponto de reduzir a minha fé ao silêncio, por falta de palavrasLeia mais →