O Senhor instala-se numa alma fervorosa, faz dela o Seu trono de glória, senta-se nele e aí permanece… Essa casa que o seu dono habita é toda graça, ordem e beleza, como a alma com a qual e na qual o Senhor habita é só ordem e beleza. Ela possui o Senhor e todos os tesouros espirituais. Nela, Ele é o habitante, Ele é o chefe. Mas como é horrorosa a casa cujo dono está ausente, da qual o Senhor está longe. Ela degrada-se, entra em ruína, enche-se de porcaria e de desordem. Torna-se, de acordo com a palavra de um profeta, num covil deLeia mais →

Quem quiser aproximar-se do Senhor, ser digno da vida eterna, tornar-se morada de Cristo, ser cheio do Espírito Santo para dar os frutos desse Espírito […] deve acreditar firmemente no Senhor e entregar-se sem reservas aos seus mandamentos. […] Deve obrigar-se a ser humilde perante os homens […], como o Senhor recomenda: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas» (Mt 11,29). Do mesmo modo, deve esforçar-se por ser habitualmente misericordioso, suave, compassivo e bondoso, como o Senhor também ordena: «Sede misericordiosos tal como o vosso Pai celeste é misericordioso» (Lc 6,36; Mt 5,48); e ainda:Leia mais →

Comparados com a eternidade do mundo incorruptível, mil anos deste mundo são como um grão de areia tirado do mar. Peço-te que reflitas nisto: supõe que te tornavas o único rei de toda a terra, o único dono de todos os tesouros do mundo. […] Se te fosse dado escolher, trocarias por eles o Reino verdadeiro e certo, que não tem em si absolutamente nada que passe e se dissolva? Posso afirmar que não, se o teu juízo for sólido e fores sábio em todas as coisas. «Que aproveitará ao homem, se ganhar o mundo inteiro, mas arruinar a sua vida?» (Mt 16,26), essa vidaLeia mais →

Se amassarmos farinha sem lhe misturarmos fermento, bem podemos amassá-la, sová-la e trabalhá-la, que a massa não fermentará nem servirá para comer. Mas, quando lhe misturamos fermento, este faz levedar e crescer toda a massa, como na comparação que o Senhor aplicou ao Reino. […] Assim é com a carne: por muito cuidado que tenhamos, se não lhe deitarmos sal para que se conserve, […] começará a cheirar mal e tornar-se-á imprópria para consumo. Imagina, pois, que toda a humanidade é massa ou carne, e que a natureza divina do Espírito Santo é o sal e o fermento que vêm do outro mundo. Se oLeia mais →

A alma pobre em espírito reconhece as suas feridas, bem como as trevas das paixões que a rodeiam. Ela procura continuamente a redenção que lhe vem do Senhor. Carregando com as suas dores, não exulta com nenhum dos bens deste mundo, mas procura o único médico bom, não se confiando senão aos seus cuidados. Como será então que esta alma ferida se tornará bela, graciosa e apta a viver com Cristo? Como, senão recuperando a sua antiga criação e reconhecendo claramente as suas feridas e a sua pobreza? Porque, se a alma não se comprazer nos seus ferimentos e nas marcas das suas paixões, seLeia mais →

Para rezar, não são precisos gestos, nem gritos, nem silêncio, nem genuflexões. A nossa oração, ao mesmo tempo sábia e fervorosa, deve ser uma espera de Deus, até que Ele venha visitar a nossa alma por todas as suas vias de acesso, por todos os seus caminhos, por todos os seus sentidos. Demos tréguas aos nossos silêncios, aos nossos gemidos, aos nossos soluços: não procuremos na oração senão o abraço apertado de Deus. Não é verdade que, no trabalho, empregamos todo o nosso corpo num mesmo esforço? Não colaboram nisso todos os nossos membros? Pois que também a nossa alma se consagre toda à oraçãoLeia mais →

Qual é a economia da vinda de Cristo? É o regresso da nossa natureza a si própria e a sua restauração.Porque Cristo concedeu à natureza humana a dignidade de Adão, o primeiro homem. Além disso, concedeu-lhe — graça verdadeiramente divina e verdadeiramente grande — a herança celeste do Espírito bom, fazendo-a sair da prisão das trevas; e mostrou-lhe o caminho da vida: quem passar por esta porta, quem bater a esta porta, poderá entrar no Reino. Pois está dito: «Pedi e dar-se-vos-á, batei e abrir-se-vos-á» (Mt 7,7). Por esta porta, poderão entrar todos quantos quiserem encontrar a liberdade da sua alma e desejarem que estaLeia mais →

No mundo visível, se um povo muito pequeno se revolta contra o rei, este não se incomoda a dirigir pessoalmente as operações, antes envia os seus soldados, com os respetivos chefes, e são eles que travam o combate. Pelo contrário, se o povo que se ergue contra ele é muito poderoso e é capaz de lhe devastar o reino, então o rei vê-se obrigado a empreender pessoalmente a campanha, com a sua corte e o seu exército, e a travar ele o combate. Considera que dignidade é a tua! Pois foi o próprio Deus quem empreendeu a campanha, com os seus próprios exércitos – osLeia mais →

Deus é o bem supremo; congrega nele os pensamentos do teu espírito e não penses senão em aguardar a sua vinda. Que a alma congregue os seus pensamentos dispersos pelo pecado, como se reunisse um bando de crianças que brincam, e os reconduza à mansão do seu corpo, esperando o Senhor em jejum e com amor, até que Ele venha e verdadeiramente a acolha. […] Se o nosso coração não se orgulhar, se não enviarmos os nossos pensamentos a pastar nos prados das ervas loucas do pecado, mas se, pelo contrário, elevarmos o espírito e conduzirmos os nossos pensamentos à presença do Senhor com umLeia mais →

Escrevo-vos, irmãos bem amados, para que saibais que, desde o dia em que Adão foi criado até ao fim do mundo, o Maligno fez e fará guerra constante aos santos (Ap 13,7). […] Contudo, são poucos os que se dão conta de que o saqueador das almas coabita com eles nos seus corpos, muito perto das suas almas. Vivem na tribulação e não há neste mundo ninguém que os possa reconfortar. Por isso, olham o olhar para o Céu e aí colocam a sua esperança, contando receber alguma coisa dentro de si próprios. Desta forma, e graças à armadura do Espírito (Ef 6,13), vencerão. ComLeia mais →