Carta 129, 1-2; PL 22 «Espero vir a contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos» (Sl 27,13), dizia David. Que bens poderia este rei procurar, de que carecia este homem cujo poder era tal que as riquezas por ele acumuladas satisfizeram seu filho Salomão, cuja opulência não foi jamais superada em todo o Universo? O que ele procurava na terra dos vivos eram bens que nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passaram pelo pensamento do homem, mas que Deus tem preparado para aqueles que O amam (cf 1Cor 2,9). «Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a Terra», diz o Evangelho.Leia mais →

«Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados»: não se trata das lágrimas derramadas pelos que morreram segundo a lei comum da natureza, mas daqueles que choram por causa dos seus pecados e vícios. […] «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça»: não basta desejar a justiça; é preciso ter fome dela. Isso significa que nunca somos justos o bastante, mas devemos sempre nutrir fome pelas obras de justiça. «Bem-aventurados os misericordiosos»: a misericórdia não se limita às esmolas, mas se manifesta também diante dos pecados de nossos irmãos, quando carregamos os fardos uns dos outros. «Bem-aventurados os puros de coração»: isto é, aquelesLeia mais →

A cruz de Cristo é o suporte do gênero humano; é sobre essa coluna que se ergue a nossa morada. Quando falo da cruz, não me refiro à madeira, mas à Paixão. Essa cruz está tanto na Bretanha quanto na Índia, e em todo o universo. […] Feliz aquele que traz, no coração, a cruz e a ressurreição, assim como o lugar do nascimento e o lugar da ascensão de Cristo. Feliz aquele que possui Belém dentro de si, no coração onde Cristo nasce todos os dias. […] Feliz aquele em cujo coração Cristo ressuscita diariamente, porque todos os dias faz penitência por seus pecados,Leia mais →

O apóstolo prova que somos filhos de Deus pelo facto de termos o Espírito Santo em nós (cf. Gal 4,4); diz ele que nunca nos atreveríamos a dizer «Pai nosso, que estás nos Céus» se não fosse a consciência de que o Espírito Santo habita em nós e grita com a voz poderosa da inteligência e da fé: «Abbá, Pai». […] É preciso notar que, na Sagrada Escritura, a palavra «clamor» não significa a intensidade da voz, mas a força do pensamento e da verdade que é expressa; assim, por exemplo, no Êxodo, o Senhor responde a Moisés: «Porque clamas a Mim?» (Ex 14,15), emboraLeia mais →

Quando leio o Evangelho e nele encontro testemunhos provenientes da Lei ou dos profetas, só considero a Cristo. Não leio Moisés nem os profetas senão com a intenção de saber o que dizem de Cristo. Pois, tendo chegado ao esplendor de Cristo e percebendo a luz esplendorosa e brilhante do Sol, já não consigo dar atenção a uma lamparina. Se acendermos uma lamparina em pleno dia, o que alumia ela? Quando o Sol se ergue, a luz duma lamparina torna-se invisível. Do mesmo modo, na presença de Cristo, a Lei e os profetas desaparecem por completo. Não critico a sua existência, muito pelo contrário, atéLeia mais →

«Encontrando-Se Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, e estando à mesa, chegou uma mulher que trazia um frasco de alabastro com perfume de nardo puro, de elevado preço» (Mc 14,3). Esta mulher fala-vos diretamente, a vós, que ides receber o batismo. Ela partiu o frasco de alabastro para que Cristo, o Ungido do Senhor, fizesse de vós cristãos pela unção, como está dito no Cântico dos Cânticos: «O teu nome é como perfume derramado: por isso te amam as donzelas. Leva-me atrás de ti, corramos!» (1,3-4). Enquanto o perfume estava fechado, enquanto Deus era conhecido apenas na Judeia, enquanto o seu nomeLeia mais →

Aqueles que se agarram inutilmente a vaidades perderão a misericórdia que lhes é oferecida» (Jon 2,9,LXX). Deus é misericordioso por natureza e está pronto a salvar por clemência aqueles que não pode salvar por justiça. Nós, porém, com os nossos vícios, perdemos a misericórdia que estava preparada e se nos oferecia. […] Ainda que tenha sido ofendida, a Misericórdia – ou seja, o próprio Deus, pois «Deus é misericordioso e bom, paciente e cheio de compaixão» (Sl 144,8) – não abandona aqueles que se agarram a vaidades, nem os amaldiçoa; mas espera que regressem, ao passo que eles abandonam deliberadamente a misericórdia que têm dianteLeia mais →

«A sogra de Simão estava com febre muito alta». Que Cristo venha a nossa casa, entre e cure com uma só palavra a febre dos nossos pecados. Todos nós temos febre. Sempre que nos encolerizamos, ficamos com febre; todos os nossos defeitos são outros tantos acessos de febre. Peçamos aos apóstolos que intercedam junto de Jesus, para que Ele Se aproxime de nós e nos tome pela mão; pois, logo que Ele nos tomar pela mão, a febre desaparecerá. É Ele o verdadeiro, o grande médico, o primeiro de todos os médicos. Moisés é médico, Isaías e todos os santos são médicos; mas Jesus éLeia mais →

«Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia». De acordo com a nossa interpretação, João representa a Lei e Jesus o Evangelho. Com efeito, João disse: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu» (Mc 1,7), e ainda: «Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3,30); é assim que ele compara a Lei com o Evangelho. E diz seguidamente: «Eu batizo na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo» (Mc 1,8). Jesus veio porque João tinha sido preso. Com efeito, a Lei está encerrada e fechada, já não tem a liberdade que teve; mas nós passamos da LeiLeia mais →

Jesus dirigiu-Se então à sinagoga de Cafarnaum e pôs-se a ensinar. As pessoas ficaram espantadas com os seus ensinamentos, porque Jesus «os ensinava com autoridade e não como os escribas». […] De fato, Jesus falava em seu próprio nome, Ele que tinha falado outrora pela voz dos profetas. Já é bom poder dizer, com base num texto: «Está escrito…»; ainda melhor é proclamar, em nome do próprio Senhor: «Palavra do Senhor»; mas é completamente diferente poder afirmar, como Jesus fazia: «Em verdade, em verdade vos digo…». […] «Todos se maravilhavam com a sua doutrina». Que novidades ensinava Ele? […] Na verdade, repetia o que haviaLeia mais →