Introdução à sua Vida, Obra e Pensamento Introdução Por que ler Santo Efrém no século XXI? Ao percorrer a história do Cristianismo, poucos autores exercem um fascínio tão singular quanto Santo Efrém, o Sírio (c. 306–373). Diácono da Igreja de Edessa, poeta, exegeta, teólogo e mestre da vida espiritual, sua obra ocupa um lugar único entre os Padres da Igreja. Enquanto muitos de seus contemporâneos exprimiram a fé cristã por meio de tratados sistemáticos, definições conciliares e argumentos filosóficos, Efrém escolheu outro caminho: o da poesia, do símbolo e do canto litúrgico. Sua teologia não nasce da abstração, mas da contemplação do mistério de DeusLeia mais →

«Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice» (Mt 26,39). […] Ele bem sabia aquilo que dizia ao Pai – que era possível o Pai afastar o cálice –, mas viera bebê-lo por todos, a fim de pagar com esse cálice a dívida que a morte dos profetas e dos mártires não pudera pagar. […] Aquele que havia descrito a sua condenação à morte nos profetas e que havia prefigurado o mistério da sua morte pelos justos, quando chegou a altura de consumar essa morte, não Se recusou a beber o cálice. Se não tivesse querido bebê-lo, mas antes afastá-lo, não teria comparadoLeia mais →

Senhor, torna-me digno de desprezar a minha vida pela vida que há em Ti. A vida neste mundo assemelha-se àqueles que se servem das letras para formar palavras, acrescentando, truncando e mudando as letras a seu bel-prazer. A vida do mundo que há de vir assemelha-se àquilo que está escrito sem o menor erro nos livros selados com o selo real, onde nada há a acrescentar e nada falta. Portanto, enquanto estivermos no seio da mudança, estejamos atentos a nós próprios. Enquanto tivermos poder sobre o manuscrito da nossa vida, sobre aquilo que escrevemos com as nossas mãos, esforcemo-nos por lhe acrescentar o bem queLeia mais →

Senhor, torna-me digno de desprezar a minha vida pela vida que há em Ti. A vida neste mundo parece-se com aqueles que se servem das letras para formar palavras, acrescentando, truncando e mudando as letras a seu bel-prazer. Mas a vida do mundo que há-de vir parece-se com aquilo que está escrito sem o menor erro nos livros selados com o selo real, onde nada há a acrescentar e onde nada falta. Portanto, enquanto estivermos no meio da mudança, estejamos atentos as nós próprios. Enquanto tivermos poder sobre o manuscrito da nossa vida, sobre aquilo que escrevemos com as nossas mãos, esforcemo-nos por lhe acrescentarLeia mais →

Senhor, torna-me digno de desprezar a minha vida pela vida que se encontra em Ti. A vida neste mundo é semelhante àqueles que formam palavras com letras, acrescentando-as, retirando-as e alterando-as a seu bel prazer. Mas a vida do mundo futuro é semelhante ao que está escrito sem o menor erro nos livros selados com o selo real, a que nada falta e a que nada há a acrescentar. Assim, pois, enquanto nos encontramos no seio da mudança, estejamos atentos a nós próprios. Enquanto temos poder sobre o manuscrito da nossa vida, sobre aquilo que escrevemos com as nossas próprias mãos, esforcemo-nos por lhe acrescentarLeia mais →

Estes homens estavam prontos para trabalhar, mas ninguém os contratara; eram laboriosos, mas estavam ociosos por falta de trabalho e de patrão. Quando uma voz os contratou, quando uma palavra os pôs a caminho, no seu zelo, não combinaram previamente o preço do seu trabalho, como tinham feito os primeiros. O senhor avaliou a sua tarefa com sabedoria e pagou-lhes o mesmo que aos outros. Nosso Senhor proferiu esta parábola para que ninguém diga: «Como não fui chamado na juventude, não serei recebido»; mostra assim que, seja qual for o momento da sua conversão, todos os homens serão acolhidos. […] O proprietário saiu «muito cedo»,Leia mais →

Nosso Senhor foi tocado pela morte, mas, em contrapartida, abriu um caminho que esmaga a morte: submeteu-Se à morte e sofreu-a voluntariamente, para a destruir. Seguindo a ordem da morte, «saiu carregando a cruz» (Jo 19,17); mas, já na cruz, soltou um brado e tirou os mortos do inferno, embora a morte não quisesse consenti-lo. […] Ele é o glorioso «filho do carpinteiro» (Mt 13,55), que, no carro da cruz, desceu à voraz garganta da morada dos mortos e transferiu o género humano para a morada da vida (cf Col 1,13). E, se pela árvore do paraíso o género humano caíra na morada dos mortos,Leia mais →

«Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: a paz seja nesta casa» (Lc 10, 5), para que o próprio Senhor lá entre e resida, como junto de Maria. […] Esta saudação é o mistério da fé que brilha no mundo; por ela, o ódio é asfixiado, a guerra interrompida e os homens compreendem-se mutuamente. O efeito desta saudação estava oculto por um véu, apesar da prefiguração do mistério da ressurreição […], que ocorre sempre que a luz aparece e a aurora expulsa a noite. A partir do momento em que Cristo enviou os seus discípulos pela primeira vez, os homens começaram a dar eLeia mais →

A ti, João, reconhecemos-te como novo Moisés,pois viste a Deus com toda a claridade e já não em figura;a ti, reconhecemos como novo Josué,pois não fizeste apenas que os homens passassem duma margem para a outra do Jordão,mas dum mundo ao outro nas águas do Jordão; […] Tu és o novo Samuel, pois não te limitaste a ungir David, mas batizaste o Filho de David;tu és o novo David, que não foste apenas perseguido pelo rei Saul, mas morto pelo rei Herodes;tu és o novo Elias, que não foste apenas nutrido com pão por um corvo,mas foste nutrido por Deus com gafanhotos e mel silvestreLeia mais →

Porque terá Nosso Senhor, como primeiro sinal, transformado a água em vinho? Para demonstrar que Deus, que transformou a natureza no interior das talhas, também operou uma transformação no seio da Virgem. Como milagre supremo, Jesus abriu um túmulo, a fim de manifestar a sua independência em relação à ávida morte, que tudo engole. Para autenticar e confirmar a dupla perturbação da natureza que ocorre com o seu nascimento e a sua ressurreição, Jesus transformou a água em vinho sem modificar as talhas de pedra: era o símbolo do seu corpo, milagrosamente concebido e maravilhosamente criado numa virgem, sem intervenção de homem. […] Contrariamente aoLeia mais →