Aquele que pede a Deus a única coisa que realmente importa e a procura (cf Sl 26,4) pode fazê-lo com certeza e confiança. […] Este bem único, a paz que excede todo o entendimento, não sabemos pedi-lo adequadamente na nossa oração. Pois aquilo que podemos imaginar da sua realidade não o conhecemos verdadeiramente; por outro lado, sabemos que tudo o que nos vem à mente e que rejeitamos, recusamos e condenamos não é o objeto da nossa busca, mesmo que ainda não tenhamos consciência do que esse objeto realmente representa. Portanto, existe em nós aquilo a que eu chamaria uma douta ignorância, instruída pelo EspíritoLeia mais →

Considerai a unidade, meus irmãos, e vede se há alguma coisa na multiplicidade que vos agrade tanto como a unidade. Pela graça de Deus, vejo-vos aqui em grande número; mas seríeis intoleráveis se não estivésseis unidos em espírito. De onde vem esta calma em semelhante multidão? Com ​​unidade, existe um povo; sem ela, há uma turbamulta, que é uma multidão em desordem. Mas ouçamos o Apóstolo: «Peço-vos, irmãos» – dirigia-se a uma multidão, mas a uma multidão na qual queria restabelecer a unidade – «Peço-vos, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que estejais todos de acordo e que não haja divisões entre vós;Leia mais →

Comentário à primeira epístola de São João, tratado 5, 12 Irmãos e irmãs, vós conheceis a perfeição da caridade. O próprio Senhor nos revela no Evangelho o seu grau máximo e a maneira de a praticar: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos» (Jo 15,13); e, na sua epístola, São João convida-nos a alcançar essa perfeição. Mas podeis perguntar-vos: quando seremos capazes de tal caridade? Não desespereis: a caridade pode já estar dentro de vós, ainda que imperfeita; cultivai-a, para que ela não seja sufocada. E como saberemos, podereis perguntar? Diz-nos São João: «Se alguém possui bens deste mundoLeia mais →

6º sermão sobre a natividade de João Batista Como será a glória do juiz, se a glória do arauto é tão grande? Como será aquele que deve vir como caminho (cf Jo 14,6), se o que prepara o caminho (cf Lc 3,6) já é assim? […] A Igreja considera o nascimento de João especialmente sagrado; não celebramos de forma solene o nascimento de nenhum dos santos que nos precederam, mas apenas os de João e de Cristo. […] João nasce de uma mulher velha e estéril; Cristo nasce de uma jovem virgem. A idade dos pais não favorecia o nascimento de João; o nascimento deLeia mais →

Sermões sobre o Evangelho de São João «”Porque dizem os escribas que Elias tem de vir primeiro?”. Jesus respondeu-lhes: “[…] Elias já veio; mas, em vez de o reconhecerem, fizeram-lhe tudo o que quiseram […]”. Então, os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista». No entanto, quando é interrogado, João declara que não é Elias nem é o Messias (cf Jo 1,20-21). […] Porque afirma ele que não é Elias, quando o Senhor diz aos seus discípulos que é? Nosso Senhor queria falar simbolicamente da sua vinda gloriosa, e dizer que João viera no espírito de Elias. O que João foi para aLeia mais →

Comentários aos Salmos, salmo 121, n.º 12 «Haja paz dentro dos teus muros» (Sl 121,7). «Jerusalém, cidade bem edificada, que forma tão belo conjunto!» (v.3), haja paz na tua força e na tua caridade! Porque a tua força é a tua caridade. Ouve o que diz o Cântico dos Cânticos: «Forte como a morte é o amor» (8,6). Irmãos, que palavras admiráveis! […] Quem poderá resistir à morte, irmãos? Resiste a vossa caridade. Resistimos às chamas, às vagas, aos ferros, aos tiranos e aos reis, mas à morte, quem poderá resistir-lhe? Nada pode mais do que ela. Apenas o amor pode igualar a sua força;Leia mais →

Sermão 256, 1, 3 No meio das preocupações deste mundo, cantemos «Aleluia!», para que possamos cantar o mesmo um dia lá no alto, em paz. Que preocupações, perguntas tu, temos neste mundo? Então não hei de falar de preocupações, quando leio: «Não vive o homem sobre a Terra como um soldado?» (Jb 7,1) Como queres que eu não tenha preocupações aqui onde as provações são tão fortes que a própria oração que nos foi prescrita inclui: «Não nos deixes cair em tentação»? Como pode o povo estar bem, quando clama comigo: «Livrai-nos do mal» (Mt 6,13)? E, no entanto, meus irmãos, mesmo no meio desteLeia mais →

O fariseu dizia: «Meu Deus, dou graças a Ti por não ser como os outros homens». Quem são os outros homens? Não seriam todos, exceto ele? «Eu sou justo; os outros são pecadores. Eu não sou como os demais, que são injustos, ladrões e adúlteros». E eis que a simples presença de um publicano ao seu lado lhe dá ainda mais ocasião de se envaidecer. «Eu sou diferente; ele é como os outros. Eu não sou da mesma espécie, não sou pecador, pois pratico muitas obras justas: jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo o que possuo». O que este homemLeia mais →

O céu e a terra e tudo o que neles existe de toda a parte me dizem que Te ame, e não cessam de o dizer a todos os homens, para que não tenham desculpa (cf Rm 1,20). Mas, a um nível mais profundo, terás misericórdia de quem quiseres ter misericórdia e usarás de misericórdia com quem quiseres usar de misericórdia (cf Rm 9,15), pois, caso contrário, o céu e a terra cantarão os teus louvores a ouvidos surdos. […] Disse a todos os seres que rodeiam as portas da minha carne: «Falai-me do meu Deus, já que vós não o sois, dizei-me algo sobreLeia mais →

São João escreve: «Nós vimo-lo e disso damos testemunho» (1Jo 1,2). Onde O viram eles? Na sua manifestação. Como foi a sua manifestação? Foi debaixo do Sol, ou seja, a esta luz visível. Mas poderíamos nós ver quem fez o Sol à luz do mesmo Sol se Ele não tivesse feito lá no alto, «uma tenda para o sol; é dali que ele sai, como um noivo do seu tálamo, e, qual herói, percorre alegre o seu caminho» (Sl 19,6)? Verdadeiro Criador, Ele é anterior ao Sol, precedeu a estrela da manhã, todos os astros e todos os anjos, porque «por meio dele todas asLeia mais →