Toda a vida do «maior entre os nascidos de mulher» (Mt 11,11) é o milagre dos milagres. E não se trata apenas da vida inteira de João, profeta (Mt 11,9) já antes de ter nascido (Lc 1,44) e o maior dos profetas. Também tudo o que acontece antes do seu nascimento e depois da sua morte ultrapassa todos os milagres. Com efeito, as predições dos profetas a seu respeito, inspiradas por Deus, descrevem-no não como um homem, mas como um anjo, como uma chama brilhante, como a estrela da manhã (Nm 24,17) difundindo a luz divina — pois ele precede o Sol da justiça (MlLeia mais →

Deus encarregara João Batista de proclamar a alegria dos homens e dos Céus; e assim, o mundo ouviu palavras admiráveis da sua boca, anunciando a presença do nosso Redentor, o Cordeiro de Deus (cf Jo 1,29). Embora seus pais tivessem perdido toda a esperança de ter descendência, o anjo, mensageiro de tão grande mistério, enviou-o para servir de testemunha ao Senhor antes mesmo de nascer (Lc 1,41). […] Ele encheu de alegria eterna o seio de sua mãe. […] Com efeito, lemos no Evangelho as palavras que Isabel dirige a Maria: «Logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultouLeia mais →

Em vossa opinião, quem é o homem que semeou na sua horta o grão que recebeu como grão de mostarda? Penso que é aquele sobre o qual o Evangelho diz: «Um membro do Conselho chamado José, natural de Arimateia […], foi ter com Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus e, descendo-O da cruz, envolveu-O num lençol e depositou-O num sepulcro preparado na sua horta» (Lc 23,50-53). É por essa razão que as Escrituras dizem: «Um homem tomou-o e lançou-o na sua horta». Na horta de José, misturavam-se perfumes de diversas flores, mas um grão como aquele nunca aí tinha sido lançado. A horta espiritual daLeia mais →

Quando o Senhor, sentado no barco de pesca, disse a Pedro: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca», quis aconselhá-lo não tanto a lançar às profundezas da água as redes de pesca, mas a derramar no fundo dos corações as palavras da pregação. Foi neste abismo do coração que São Paulo penetrou ao clamar: «Oh, que profundidade de riqueza, de sabedoria e de ciência é a de Deus!» (Rom 11,33). […] Tal como as redes trazem nas suas malhas, para dentro do barco, os peixes que apanharam, assim a fé conduz ao seu seio, para o descanso, todos os homens recolhidos porLeia mais →

Irmãos, como é grande e admirável o dom que o Senhor nos dá! Neste dia de Páscoa, dia da salvação, o Senhor ressuscitou e dá a ressurreição ao mundo. […] Nós somos o seu corpo (1Cor 12,27) […] e, como seus membros, ressuscitamos com Ele, […] que nos faz passar da morte à vida. «Páscoa» em hebraico quer dizer passagem […], e que passagem! Do pecado à justiça, do vício à virtude, da velhice à infância. […] Ontem, a queda no pecado mostrava-nos o caminho do declínio; mas a ressurreição de Cristo faz-nos reviver na inocência dos recém-nascidos. A simplicidade cristã faz sua a infância.Leia mais →

Hoje, o Senhor Jesus veio receber o batismo. Ele quis lavar o seu corpo na água do Jordão. Poder-se-á dizer: «Porque é que ele, que era o Santo, quis ser batizado?» Então ouçam. O Cristo é batizado não para ser santificado pelas águas, mas para santificar ele próprio as águas e purificar pelo seu ato pessoal as ondas que ele toca. Trata-se, pois, muito mais da consagração das águas, do que da de Cristo. Porque, desde que o Salvador é lavado, todas as águas se tornam puras em vista ao nosso batismo; a fonte é purificada para que a graça seja proporcionada aos povos queLeia mais →

Não foi o desejo sexual, mas a oração que levou à concepção de João Batista. O seio de Isabel tinha passado a idade de dar vida, o seu corpo tinha perdido a esperança de conceber; apesar disto, pela oração de Zacarias, esse corpo envelhecido germinou; não foi a natureza, mas a graça, que concebeu João. Este filho, cujo nascimento vem menos do abraço do que da oração, só poderia ser santo. Apesar de tudo, não devemos espantar-nos por João ter merecido nascimento tão glorioso. O nascimento do precursor de Cristo, daquele que Lhe abriu o caminho, devia apresentar uma semelhança com o do Senhor, nossoLeia mais →

João não falou apenas no seu tempo, anunciando o Senhor aos fariseus e dizendo: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas» (Mt 3,3). Ainda hoje ele brada em nós e o trovão da sua voz abala o deserto dos nossos pecados. […] A sua voz ressoa ainda hoje, dizendo: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». […] Pede-nos que preparemos o caminho do Senhor […] pela pureza da nossa fé. O Senhor não toma os caminhos deste mundo, mas penetra no segredo dos corações. Se esta estrada for áspera devido aos maus costumes, for dura pela nossa brutalidade, estiver manchada peloLeia mais →

Com que grande e admirável dom nos presenteou Deus, meus irmãos! Na sua Páscoa, a ressurreição de Cristo faz renascer na inocência dos pequenos aquilo que outrora perecia no pecado. A simplicidade de Cristo torna sua a infância. A criança é sem rancor, não conhece a fraude, não ousa fazer mal. Assim, esta criança em que o cristão se transformou não se importa de ser insultado, não se defende se for desapossado, não devolve os golpes se for atacado. O Senhor exige-nos mesmo que rezemos pelos nossos inimigos, que abandonemos túnica e manto aos ladrões, que apresentemos a outra face (cf Mt 5,39s). A infânciaLeia mais →

Na sua Paixão, o Senhor assumiu todos os males do gênero humano a fim de que, a partir de então, nada mais fizesse mal ao homem. A cruz é, pois, um grande mistério e, se tentarmos compreendê-lo, por via deste sinal o mundo será salvo. Com efeito, quando se fazem ao mar, os marinheiros começam por erguer a árvore do mastro, esticando a vela para que as águas se lhes abram; desse modo, formam a cruz do Senhor e, seguros por este sinal, chegam ao porto da salvação e escapam aos perigos da morte. Com efeito, a vela suspensa do mastro é a imagem desteLeia mais →