A Escada Santa, 24.º degrau A luz da aurora precede o sol, e a precursora da humildade é a mansidão. Escutemos a Luz, que nos revela a ordem pela qual as dispôs: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração». Antes de contemplarmos o sol, temos de ser iluminados pela aurora; só então seremos capazes de suportar a visão do sol. De facto, é impossível, absolutamente impossível, olhar para o sol antes de conhecer esta luz, como nos ensina o lugar respetivo de cada uma destas duas virtudes nas palavras do Senhor. A mansidão é um estado imutável do intelecto, que permanece sempreLeia mais →

Há pessoas que, por caridade espiritual, carregam os fardos dos outros para além das suas próprias forças, recordando-se daquela passagem: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos». Há outras que, embora tenham indubitavelmente recebido de Deus força para assumir responsabilidade pelos outros, não tomam sobre si esta carga pela salvação dos seus irmãos. São pessoas que lamento, porque não têm caridade.  Às primeiras aplico as seguintes palavras: «Se conseguires retirar o precioso do vil, serás como a minha boca» (Jer 15,19); e: «Como tiveres feito assim se fará contigo» (Abd 1,15). Vi um doente curar, com a sua fé, aLeia mais →

Aquele que ama verdadeiramente o Senhor, que procura verdadeiramente a posse do Reino que há de vir, que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, que se lembra verdadeiramente do castigo e do juízo eternos, que teme verdadeiramente o seu fim, deixará de ter amor, cuidado ou preocupação com o dinheiro, as riquezas, os pais, a glória do mundo, os amigos, os irmãos e as restantes coisas deste mundo. Pelo contrário, tendo rejeitado e odiado todo o apego e cuidado por todas estas coisas, e mais ainda pela sua própria carne, seguirá a Cristo nu, despreocupado, com pressa e olhando para o Céu, de onde esperaLeia mais →

A simplicidade é um hábito da alma que exclui todo o artifício e a torna imune à malícia. A ausência de malícia é um estado alegre da alma, liberta de segundas intenções. A primeira prerrogativa da infância é a simplicidade sem artifícios; enquanto a conservou, Adão não viu a nudez da sua alma nem a indecência da sua carne. A simplicidade que algumas pessoas possuem por natureza é bela e abençoada, mas é-o menos do que a simplicidade que, à força de trabalho e suor, foi enxertada num tronco mau. A primeira está ao abrigo de muitos artifícios e paixões, mas a segunda traz consigoLeia mais →

Uma vez que é um Deus e um Rei que nos chama para o seu serviço, avancemos com ardor, pois temos pouco tempo de vida e corremos o risco de ser encontrados sem fruto no dia da nossa morte e de perecer de fome. Procuremos agradar ao nosso Senhor como os soldados a seu rei, porque, quando a campanha terminar, teremos de prestar contas do nosso serviço. Se um rei da terra nos chamasse para o seu serviço, não hesitaríamos, não procuraríamos desculpas, mas, deixando tudo, iríamos imediatamente ter com ele. Por isso, quando o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, o Deus dosLeia mais →

Se temos o desejo de agradar ao Rei dos Céus, esforcemo-nos por não desejar outra glória senão a do alto. Com efeito, quem a experimentou despreza por completo a glória terrena, mas só quem experimentou aquela pode desprezar esta. […] Quem pede a Deus que lhe conceda dons em troca do seu esforço constrói sobre fundamentos instáveis; pelo contrário, quem se considera devedor receberá subitamente uma riqueza inesperada. […] Há uma glória que vem do Senhor, pois Ele disse: «Eu glorificarei aqueles que Me glorificarem» (1Sam 2,30); e há uma glória que deriva dos artifícios do demónio, pois está escrito: «Ai de vós quando todosLeia mais →

Se, como afirma o Eclesiastes (3,1), há um tempo para cada coisa debaixo do sol – e «cada coisa» é tudo o que diz respeito à nossa vida -, estejamos atentos, procurando em cada momento o que convém a esse tempo. Com efeito, é certo que, para aqueles que combatem, há um tempo para a impassibilidade e um tempo para o domínio das paixões […]; há um tempo para as lágrimas e um tempo para a dureza de coração; um tempo para obedecer e um tempo para mandar; um tempo para jejuar e um tempo para nos sentarmos à mesa; um tempo para combater oLeia mais →

Rezar é colocar-se na presença de Deus; mas há uma grande variedade e diversidade de orações. Há quem se dirija a Deus como a um amigo e senhor, oferecendo-Lhe louvores e súplicas, não por si mesmo, mas por outros. Há quem peça um aumento de riquezas espirituais, de glória e de confiança filial. Há quem suplique a total libertação dos seus adversários. Outros pedem que lhes seja concedido um favor e outros ainda a libertação de todas as preocupações com as suas próprias faltas, ou a libertação da prisão; outros ainda, a remissão dos seus crimes. No pergaminho da nossa oração, escrevamos antes de maisLeia mais →

Deus é amor (1Jo 4,8). E quem empreendesse defini-l’O seria como um cego que pretendesse contar os grãos de areia de uma praia. Quanto à sua natureza, o amor é uma semelhança com Deus, na medida em que é possível os mortais assemelharem-se a Ele; quanto à sua atividade, é uma embriaguez da alma; quanto à sua virtude própria, é a fonte da fé, um abismo de paciência, um oceano de humildade. A caridade é, antes de mais, a rejeição de qualquer pensamento de inimizade, porque a caridade não pensa mal. A caridade, a impassibilidade e a adoção filial distinguem-se apenas pelo nome. Tal comoLeia mais →

Que o tecido da tua oração só tenha uma cor. O publicano e o filho pródigo foram reconciliados com Deus com uma só palavra. Quando rezas, não procures palavras complicadas, porque o balbuciar simples das crianças tem muitas vezes tocado o seu Pai dos Céus. Não procures falar muito quando rezas, não vá o teu espírito distrair-se à procura das palavras. Uma só palavra do publicano apaziguou a Deus e um só brado de fé salvou o ladrão. Não raro, a loquacidade na oração dispersa o espírito e enche-o de imagens, ao passo que a repetição da mesma palavra serve para o recolher. Se umaLeia mais →