Homilia n.º 5; PG 43, 491.494.502
Que dizer? Que elogio se há de fazer à Virgem gloriosa e santa? Ela ultrapassa todos os seres, à exceção de Deus, sendo por natureza mais bela que os querubins, os serafins e todo o exército dos anjos. Nem as línguas do Céu nem as da Terra, nem as línguas dos anjos bastam para louvá-la. Virgem bendita, pomba pura, esposa celeste […], templo e trono da divindade! Cristo, sol esplendoroso do Céu e da Terra, pertence-te. Tu és a nuvem luminosa que fez descer Cristo, Ele o brilho resplandecente que ilumina o mundo.
Rejubila, ó cheia de graça, porta do Céu; é de ti que fala o autor do Cântico dos Cânticos […] quando exclama: «És um jardim fechado, minha irmã e minha esposa, um jardim fechado, uma fonte selada» (4,12). […] Santa Mãe de Deus, ovelha imaculada, tu trouxeste ao mundo o Cordeiro, Cristo, o Verbo encarnado em ti. […] Maravilha espantosa nos céus: uma mulher vestida de sol (cf Ap 12, 1), trazendo nos braços a luz! […] Maravilha espantosa nos céus: o Senhor dos anjos torna-Se filho da Virgem. Os anjos, que acusavam Eva, cumulam Maria de glória, porque ela levantou Eva da queda e abriu as portas do Céu a Adão, que fora expulso do Paraíso. […]
Imensa é a graça concedida a esta Virgem santa. É por isso que Gabriel a cumprimenta dizendo-lhe: «Rejubila, cheia de graça», resplandecente como o céu. «Rejubila, cheia de graça», Virgem ornada de virtudes sem número. […] «Rejubila, cheia de graça», tu que sacias os sedentos com as doçuras da fonte eterna. Rejubila, Santa Mãe Imaculada, tu que geraste Cristo, que te precedeu. Rejubila, púrpura real, tu que revestiste o Rei do Céu e da Terra. Rejubila, livro selado, tu que deste a ler ao mundo o Verbo, o Filho do Pai.


