«Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a Terra»

Carta 129, 1-2; PL 22

«Espero vir a contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos» (Sl 27,13), dizia David. Que bens poderia este rei procurar, de que carecia este homem cujo poder era tal que as riquezas por ele acumuladas satisfizeram seu filho Salomão, cuja opulência não foi jamais superada em todo o Universo? O que ele procurava na terra dos vivos eram bens que nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passaram pelo pensamento do homem, mas que Deus tem preparado para aqueles que O amam (cf 1Cor 2,9).

«Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a Terra», diz o Evangelho. […] David dizia noutro salmo: «Lembrai-Vos de David, Senhor, e da sua grande piedade» (Sl 132,1), e ainda: «O Senhor conforta os humildes» (Sl 147,6). E lemos no Evangelho: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29); e Moisés, aquele que a Escritura nos apresenta como o mais humilde entre os homens (cf Nm 12,3), era uma figura de Cristo.

Sim, a terra dos vivos é aquela onde estão preparados os bens do Senhor para os santos e para os humildes. Antes da vinda do nosso Senhor e Salvador na carne, esses bens eram inacessíveis, e foram-no ao próprio Abraão. […] O primeiro Adão perdeu a terra dos vivos, a terra das riquezas e dos bens de Deus, e o segundo a recuperou, ou melhor, o primeiro a perdeu e o segundo a devolveu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *