IV Domingo da Grande Quaresma — São João Clímaco

“Eu creio! Ajuda a minha incredulidade!” (Mc 9,24)
pe-andre
Mons. André [Sperandio]
Arquimandrita

Amados irmãos e irmãs,

Chegamos ao IV Domingo da Santa e Grande Quaresma. Já caminhamos algumas semanas: o corpo sente o peso; a mente se dispersa; o coração, às vezes, esfria. E é justamente aqui — no meio do jejum — que a Igreja nos apresenta São João Clímaco, o autor da Escada, como um sinal de esperança e um chamado a recomeçar.

E o Evangelho de hoje coloca em nossos lábios uma das orações mais verdadeiras da vida cristã:

“Eu creio! Ajuda a minha incredulidade!”

Vemos um pai ferido pela dor do filho. Ele tenta, procura os discípulos, e não consegue solução. Então ele vem a Cristo e diz: “Se podes… ajuda-nos”. O Senhor responde: “Se podes …” E então o pai não discursa; ele confessa. Não se apresenta como forte. Ele se apresenta como é: fé real, mas frágil.

“Eu creio! Ajuda a minha incredulidade!”

Irmãos, esta é a fé que agrada a Deus: não a fé que faz propaganda de si mesma, mas a fé que se humilha e pede socorro. Na Quaresma, o Senhor não nos pede máscara espiritual. Ele nos pede verdade. Se a nossa fé está cansada, digamos isso diante dele. Se a oração está seca, digamos isso diante dele. Se o coração está dividido, digamos isso diante dele. Porque Deus cura aquilo que nós entregamos.

Depois do milagre, os discípulos perguntam:

“Por que nós não pudemos?”

E o Senhor responde com simplicidade tremenda:

“Este gênero não pode sair por nada, a não ser por oração e jejum.”

Não é só uma informação para aquele caso; é uma lei espiritual. Há coisas que não se vencem apenas com boa intenção, nem com “força de vontade”. Há cadeias interiores — paixões, pensamentos, hábitos, vícios da alma — que exigem ascese: oração de verdade e jejum de verdade.

E aqui a Igreja une o Evangelho a São João Clímaco. Ele nos ensina que o combate espiritual começa no invisível: nos pensamentos, nos impulsos, no coração que se agita. E o remédio também começa no invisível: oração perseverante, sobriedade, vigilância, humildade. O jejum, sem oração, vira dieta; e a oração, sem ascese, vira palavra sem raiz. Mas quando oração e jejum caminham juntos, o homem vai sendo curado — não por magia, mas pela graça de Deus que encontra um coração obediente.

E, por que São João Clímaco no meio da Quaresma? Porque ele mostra que a vida cristã é uma subida: não um salto. Degrau por degrau. Ele fala de virtudes que se sustentam mutuamente: fé, oração, jejum, mansidão, paciência, misericórdia, amor. Ele mostra que não existe virtude isolada: quando uma começa a viver de verdade, ela puxa as outras.

Mas há um ponto decisivo: a humildade. A humildade é o fundamento da escada. Sem humildade, o jejum vira orgulho; a oração vira vaidade; a fé vira dureza. Com humildade, tudo se ordena. O homem aprende a dizer: “Senhor, eu não consigo sem Ti. Senhor, eu caio. Senhor, levanta-me.” E é assim que o coração, pouco a pouco, vai subindo.

Irmãos, há um perigo muito comum no meio da Quaresma: ou desanimamos e abandonamos, ou ficamos irritados e duros. São João Clímaco nos chama ao caminho real: firmeza com mansidão. Jejuar, sim — mas com compaixão. Orar, sim — mas sem ostentação. Vigiar, sim — mas com paz e arrependimento.

Para que este domingo não passe apenas pela cabeça, deixo um exercício bem prático:

  • Todos os dias, ao menos uma vez, com atenção, diga:
    “Eu creio, Senhor; ajuda a minha incredulidade.”
  • Guarde o jejum e acrescente um “jejum interior”:
    corte uma crítica, uma resposta áspera, uma curiosidade inútil, uma conversa que fere.
  • Vigie os pensamentos: não discuta com o pensamento impuro; corte no começo; faça o sinal da Cruz e volte à oração.
  • Pratique uma misericórdia concreta: uma ajuda, uma palavra de paz, uma reconciliação, uma esmola discreta.
  • Se caiu, não dramatize nem justifique: levante, confesse, recomece.

Assim se sobe a escada: não com espetáculos, mas com fidelidade.

Amados irmãos, o IV Domingo da Quaresma nos dá uma oração e um mestre. A oração: “Ajuda a minha incredulidade.” O mestre: São João Clímaco, que nos recorda que o caminho do Paraíso se faz com virtudes, sustentadas por oração e jejum, tendo a humildade como fundamento.

Que o Senhor fortaleça nossa fé frágil. Que Ele nos conceda oração verdadeira e jejum verdadeiro. E que, pela intercessão de São João Clímaco, subamos com paciência, degrau por degrau, até a alegria da Ressurreição. Amém.

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