VI Domingo da Páscoa — Domingo do Cego de Nascença

Amados irmãos e irmãs em Cristo,

Cristo Ressuscitou!

O Evangelho deste domingo apresenta-nos um homem que nunca tinha visto a luz. Desde o nascimento, conhecia apenas a escuridão. E é precisamente diante dele que Cristo revela uma das imagens mais profundas de toda a Páscoa: “Eu sou a Luz do mundo.”

O Senhor aproxima-Se daquele homem e faz algo surpreendente: cospe na terra, mistura saliva com barro e unge os seus olhos. Não é um gesto aleatório. A terra recorda o barro do qual Adão foi formado no princípio da criação. Cristo age como o Criador que volta a tocar a humanidade caída para restaurá-la. O Evangelho não fala apenas de uma cura, mas de uma nova criação.

Depois disso, Jesus envia o homem para lavar-se na piscina de Siloé. E o cego obedece. Vai, lava-se e volta enxergando.

A Igreja sempre viu nesse gesto uma imagem do santo Batismo. Também nós nascemos espiritualmente cegos. Também nós fomos conduzidos às águas, iluminados pela graça, recebemos a vela acesa da Ressurreição e fomos chamados a caminhar na luz de Cristo.

Mas o mais belo neste Evangelho é que a cura acontece não apenas nos olhos, mas no coração. No início, aquele homem sabe muito pouco sobre Jesus. Depois do milagre, começa lentamente a reconhecê-Lo. Primeiro chama-O apenas de “homem”. Depois diz que é “profeta”. Finalmente, quando Cristo Se revela, ele responde: “Creio, Senhor!”, e prostra-se diante d’Ele em adoração.

Este é o verdadeiro caminho da fé: passar da escuridão ao reconhecimento da presença de Deus.

Enquanto isso, os fariseus, que julgavam enxergar tudo, permanecem cegos. Conhecem a Lei, frequentam o templo, discutem religião, mas não conseguem reconhecer a ação de Deus diante deles. E aqui está o grande ensinamento deste domingo: existe uma cegueira muito mais grave do que a física — a cegueira espiritual.

Também hoje podemos enxergar muitas coisas e, ainda assim, permanecer cegos para o essencial. Vivemos cercados de informações, imagens e opiniões, mas muitas vezes incapazes de perceber a presença de Deus, incapazes de enxergar o sofrimento do próximo, incapazes de reconhecer a verdade.

O homem curado torna-se testemunha. Sofre interrogatórios, pressões e rejeição, mas não volta atrás. Antes era um mendigo à beira do caminho; agora torna-se discípulo e confessor da fé. Quem encontra verdadeiramente Cristo já não consegue permanecer o mesmo.

Estamos nos aproximando da festa da Ascensão do Senhor. A Igreja prepara-nos para contemplar Cristo que sobe aos céus levando consigo a nossa própria humanidade. O homem antes cego torna-se imagem dessa humanidade restaurada e iluminada. Em Cristo, o homem volta a enxergar o caminho do Céu.

Irmãos e irmãs, talvez também existam áreas de escuridão dentro de nós. Talvez haja cegueiras espirituais que ainda não percebemos: orgulho, dureza de coração, medo, apego às trevas do pecado, incapacidade de perdoar ou de confiar plenamente em Deus.

Mas o Evangelho de hoje nos consola: Cristo continua passando pelo caminho da nossa vida. O barro e a saliva ainda estão presentes na vida da Igreja — nos sacramentos, na oração, na Palavra de Deus, na tradição viva, na comunhão dos fiéis. O Senhor continua recriando o homem.

Peçamos, então, com humildade:

“Senhor, que eu veja.”
Que nossos olhos se abram para reconhecer a tua presença.
Que nossos corações sejam iluminados pela luz da Ressurreição.
E que também nós possamos dizer, com o homem curado:
“Eu Creio, Senhor!”

Pois Cristo Ressuscitou! Verdadeiramente Ressuscitou!

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