Apóstolos: At 1,1–12
Evangelho: Lc 24,36–53
Cristo Ascendeu!
Quarenta dias após a Ressurreição, celebramos hoje a gloriosa Ascensão do Senhor aos Céus. À primeira vista, alguém poderia pensar que se trata de uma despedida: Cristo sobe aos céus e deixa seus discípulos na terra. Mas a Igreja compreende esta festa de modo completamente diferente.
Se fosse uma despedida, os discípulos teriam voltado entristecidos. O Evangelho, porém, diz exatamente o contrário: eles retornaram a Jerusalém “com grande alegria”.
Por quê?
Porque compreenderam que Cristo não os abandonava. O Senhor inaugurava um novo modo de permanecer entre eles.
Antes, Cristo caminhava ao lado dos discípulos; agora estaria presente em toda parte: na Igreja, na Palavra, nos santos Mistérios, na oração, na ação do Espírito Santo e no coração dos fiéis.
Por isso Ele havia prometido:
“Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos.”
Mas existe algo ainda mais extraordinário nesta festa.
Cristo não sobe sozinho aos céus.
Ele leva consigo a nossa humanidade.
Aquilo que estava caído em Adão agora é elevado em Cristo. A natureza humana, marcada pelo pecado, sofrimento e morte, entra glorificada na presença do Pai.
É por isso que São Atanásio escreveu:
“Deus fez-Se homem para que o homem se tornasse participante da vida divina.”
A Ascensão revela a grandeza da vocação humana. Muitas vezes vivemos como se nossa vida se limitasse aos problemas do dia a dia: preocupações, contas, medos, doenças, dificuldades e inseguranças. E tudo isso é real. Mas a festa de hoje recorda-nos que fomos criados para algo maior.
Nossa verdadeira pátria está no Reino de Deus.
Isso não significa desprezar a terra ou fugir das responsabilidades da vida. O cristão não vive de cabeça nas nuvens. Vive neste mundo, trabalha, sofre, luta e serve; mas seu coração permanece voltado para o alto.
Os santos Padres resumiam isso de forma simples: ter os pés na terra e o coração no Céu.
Antes de ascender, Cristo também entrega aos discípulos uma missão:
“Sereis minhas testemunhas até os confins da terra.”
Quem contempla Cristo ascendido não permanece parado olhando o céu. Recebe uma missão concreta: anunciar, amar, servir, testemunhar.
Talvez esta seja uma pergunta importante para nós hoje: quem encontra Cristo percebe em minha vida algo diferente? Minhas palavras aproximam ou afastam? Minha vida aponta para o Reino ou apenas para as coisas passageiras?
Irmãos e irmãs, a Ascensão também é uma promessa. Os anjos anunciaram:
“Este Jesus, que dentre vós foi elevado ao céu, virá do mesmo modo como O vistes partir.”
Vivemos entre a Ascensão e Seu retorno glorioso. Vivemos esperando, mas não esperando de braços cruzados. Esperamos trabalhando, rezando, amando e preparando nosso coração.
Hoje, Cristo sobe aos céus; mas leva consigo aquilo que é nosso para que um dia nós possamos estar onde Ele está.
Celebremos, então, com alegria, porque o Céu foi aberto ao homem.
Cristo Ascendeu aos céus!


