Domingo dos Santos Padres do Primeiro Concílio Ecumênico de Niceia

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Amados irmãos,

há algo tão bonito no Evangelho que acabamos de ouvir! Jesus ergue os olhos ao céu e reza ao Pai:

“Pai santo, guarda-os em teu nome… para que sejam um, como nós somos um.”

É a oração de Cristo pouco antes de sua Paixão. Pouco antes da Cruz. Pouco antes do sofrimento.

E chama a atenção que, naquele momento, Ele não está preocupado consigo mesmo. Ele não fala de Sua dor. Não fala do julgamento que se aproxima. Ele fala dos seus discípulos.

Ele reza por eles.

E, mais ainda: reza por todos e cada um de nós.

Porque esta oração atravessa os séculos e alcança também cada pessoa que busca a Deus com o coração sincero.

E penso que isso fala muito ao nosso tempo e à nossa comunidade. Muitos entre nós chegaram à Ortodoxia não porque nasceram nela. Muitos chegaram por um caminho de procura, de perguntas, de inquietações, de busca.

Talvez alguns tenham percorrido diferentes caminhos espirituais; outros tenham passado por momentos de dúvidas; outros tenham sentido aquela sensação muito presente em nosso tempo: a de que existe algo mais profundo, algo verdadeiro, algo que o coração ainda procura.

E isso não é algo ruim.

Porque o Evangelho está cheio de buscadores:

  • Tomé buscava compreender.
  • A Samaritana buscava uma água que saciasse sua sede.
  • O cego buscava a luz.
  • Nicodemos buscava respostas durante a noite.
  • Os Apóstolos também buscavam.

Mas há uma diferença importante: todos eles encontraram algo maior do que uma ideia, maior do que uma filosofia, maior do que um conjunto de regras.

Encontraram uma Pessoa.

Encontraram Cristo.

E aqui está talvez uma das grandes tentações do nosso tempo: permanecer eternamente procurando, sem jamais encontrar repouso.

Nossa época gosta muito da linguagem da busca. Escutamos frequentemente: “estou buscando minha espiritualidade”, “estou construindo minha verdade”, “estou procurando meu caminho”.

Mas existe um momento em que a busca precisa transformar-se em encontro.

Porque ninguém permanece para sempre andando pelo deserto.

Ninguém procura uma fonte para continuar procurando; procura-se uma fonte para beber dela.

E é justamente por isso que hoje a Igreja celebra os Santos Padres de Niceia.

À primeira vista pode parecer estranho: por que recordar um concílio antigo? Por que falar de questões teológicas de mil e setecentos anos atrás?

Porque aqueles homens compreenderam algo fundamental: a verdade importa.

Ário dizia que Jesus era extraordinário, enviado por Deus, um mestre admirável — mas não Deus verdadeiro.

E os Padres perceberam que isso mudava tudo.

Porque se Cristo não é Deus verdadeiro, então Ele seria apenas mais um mestre entre tantos outros.

Mais um sábio.

Mais uma voz.

Mais uma proposta espiritual.

Mas se Cristo é Deus verdadeiro — e a Igreja proclama que Ele é — então não estamos diante de uma ideia entre outras ideias.

Estamos diante do próprio Caminho.

Da própria Verdade.

Da própria Vida.

E isso muda completamente nossa existência.

Os Padres não defenderam uma teoria.

Defenderam a possibilidade de salvação.

Defenderam a possibilidade de encontro.

Defenderam a possibilidade de que o homem encontre finalmente aquilo que seu coração sempre buscou.

Talvez por isso Santo Agostinho tenha escrito aquelas palavras tão conhecidas:

“Fizeste-nos para Ti, Senhor,
e inquieto está o nosso coração
enquanto não repousa em Ti.”

Talvez muitos de nós conheçam bem essa inquietação.

Mas hoje Cristo nos recorda: a busca encontra seu descanso n’Ele.

E a Igreja existe precisamente para isso: não para oferecer apenas informações sobre Deus, mas para conduzir ao encontro vivo com Deus.

Estamos nos aproximando de Pentecostes.

Dentro de poucos dias o Espírito Santo descerá sobre os Apóstolos.

E o mesmo Espírito continua descendo sobre a Igreja e sobre cada coração disposto a acolhê-Lo.

Peçamos hoje que Ele transforme nossa busca em encontro, nossas perguntas em confiança, nossas inquietações em paz.

E que possamos dizer não apenas com os lábios, mas com toda a vida:

“Creio em um só Senhor, Jesus Cristo.” Amém.

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