Amados irmãos e irmãs,
Hoje celebramos uma das maiores festas do ano litúrgico: o santo Pentecostes, a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos.
Após a Ressurreição e a Ascensão do Senhor, os discípulos permaneciam reunidos em Jerusalém, perseverando na oração. Eram homens simples. Alguns haviam sido pescadores. Outros cobradores de impostos. Nenhum deles possuía poder político ou influência social. Entretanto, naquele dia, tudo mudou.
O Espírito Santo desceu sobre eles em forma de línguas de fogo.
Aquele grupo pequeno e temeroso tornou-se a Igreja missionária.
Pedro, que antes negara o Senhor por medo, agora proclama publicamente a Ressurreição de Cristo. E cerca de três mil pessoas recebem o batismo naquele mesmo dia.
Mas existe algo muito profundo nesse acontecimento.
O milagre de Pentecostes não consiste apenas em falar diversas línguas. O verdadeiro milagre é que pessoas diferentes passaram a compreender a mesma mensagem.
Em Babel, os homens perderam a capacidade de compreender uns aos outros. O orgulho gerou divisão. Em Pentecostes acontece o contrário: Deus restaura a comunhão.
O Espírito Santo não elimina as diferenças. Não transforma todos em pessoas iguais. Ele faz algo maior: une sem destruir a diversidade.
Esta é uma mensagem extremamente atual.
Vivemos num mundo marcado por divisões. Divisões políticas, culturais, familiares e até religiosas. Muitas vezes falamos muito, mas compreendemos pouco. O Espírito Santo continua sendo a resposta de Deus para essa realidade.
Onde o Espírito está presente, nasce a capacidade de escutar.
Onde o Espírito está presente, cresce o perdão.
Onde o Espírito está presente, a verdade é proclamada com amor.
As línguas de fogo repousaram sobre cada Apóstolo individualmente. Isso nos ensina que Deus chama cada pessoa pelo nome. O Espírito não é dado apenas à Igreja como um todo; Ele é dado a cada fiel.
Cada um de nós recebeu o Espírito Santo no santo Batismo e na santa Crisma.
A pergunta que a festa de hoje nos dirige é simples: estamos permitindo que esse Espírito aja em nós?
São Paulo ensina que o sinal da presença do Espírito não são fenômenos extraordinários, mas os seus frutos: amor, alegria, paz, paciência, bondade, mansidão e domínio próprio.
Se queremos saber se estamos crescendo espiritualmente, devemos olhar para esses frutos.
Somos mais pacientes?
Mais misericordiosos?
Mais capazes de perdoar?
Mais comprometidos com a unidade da Igreja?
Se a resposta é sim, então o Pentecostes continua acontecendo em nossa vida.
Por isso, hoje a Igreja nos convida a abrir novamente o coração ao Espírito Santo.
Que Ele purifique nossas palavras.
Que cure nossas divisões.
Que fortaleça nossa fé.
Que transforme nossa comunidade numa verdadeira família em Cristo.
E que possamos repetir com toda a Igreja:
«Rei Celestial, Consolador, Espírito da Verdade, vem e habita em nós, purifica-nos de toda impureza e salva, ó Bondoso, as nossas almas.»
Amém.


