«Quando Jesus entrou no Templo, começou a expulsar os que ali vendiam e compravam». Alguns espantam-se com a ressurreição de Lázaro, e ficam admirados com a ressurreição do filho da viúva; outros ficam estupefactos com outros milagres. Não há dúvida de que é admirável tornar a dar vida a um corpo morto. Mas eu fico mais impressionado com o acontecimento presente; pois que poder autorizou este homem, filho de um carpinteiro, um pobre sem morada fixa nem sítio onde repousar, sem exército que O protegesse, que não era chefe nem juiz, que poder O autorizou a expulsar, sozinho, multidão tão numerosa? E ninguém protestou, ninguém ousou resistir; pois ninguém ousou opor-se ao Filho que reparava a injúria feita a seu Pai. […]
«Começou a expulsar os que ali vendiam e compravam». Se isto foi possível entre os judeus, porque não será, e com mais razão, entre nós? Se isto aconteceu no contexto da Lei, porque não acontece no contexto do Evangelho? […] Cristo, um pobre, expulsa os compradores e os vendedores, que são ricos; aquele que vende é expulso do mesmo modo que aquele que compra. Que ninguém diga: «Eu ofereço tudo o que possuo, faço oferendas aos sacerdotes como Deus ordenou». Lemos em São Mateus: «Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10,8): a graça de Deus não se vende, dá-se.



