Deus não escolhe os mais fortes;
fortalece aqueles que se deixam transformar pela Sua graça.
Leitura Bíblicas:
Apóstolo: II Coríntios 11,21b–12,9
Evangelho: Mateus 16,13–19
Amados irmãos e irmãs,
Hoje a Igreja reúne diante de nossos olhos dois homens extraordinários. Mas não porque tenham nascido extraordinários. Ao contrário: Pedro e Paulo tornam-se grandes porque permitiram que Deus realizasse neles aquilo que jamais conseguiriam realizar por si mesmos.
O Evangelho apresenta um dos momentos mais importantes da história da salvação. Jesus pergunta aos discípulos:
«Quem dizeis que Eu sou?»
Essa pergunta não foi dirigida apenas aos Apóstolos. Ela atravessa os séculos e chega até cada um de nós.
Quem é Cristo para mim?
Um grande mestre?
Um exemplo de bondade?
Alguém a quem recorro apenas quando surgem dificuldades?
Ou verdadeiramente o Filho do Deus vivo, o Senhor da minha existência?
Pedro responde em nome de todos:
«Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.»
Essa é a pedra sobre a qual Cristo edifica Sua Igreja. Não uma pedra de orgulho humano, mas a fé recebida como dom do Pai.
Entretanto, sabemos que esse mesmo Pedro, poucas horas depois, negaria o Senhor três vezes.
Como compreender isso?
Porque a fé verdadeira não elimina imediatamente nossas fraquezas.
Mesmo depois de encontrar Cristo, continuamos lutando contra o medo, o egoísmo, o orgulho e tantas limitações.
Mas Deus não desiste de nós.
Pedro caiu.
Chorou.
Arrependeu-se.
E foi justamente esse homem quebrantado que Cristo escolheu para apascentar Seu rebanho.
A Epístola mostra o mesmo mistério na vida de Paulo.
Poderíamos imaginar que o maior missionário da Igreja falasse apenas de seus sucessos.
Mas faz exatamente o contrário.
Recorda perseguições, prisões, sofrimentos, humilhações.
E quando pede ao Senhor que retire seu sofrimento, recebe uma resposta surpreendente:
«A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.»
Que extraordinária lição!
Nós passamos grande parte da vida tentando esconder nossas fraquezas.
Queremos parecer fortes.
Competentes.
Autossuficientes.
Mas Deus começa a agir precisamente quando reconhecemos que não somos suficientes.
Enquanto acreditamos que tudo depende de nós, pouco espaço resta para a graça.
Quando reconhecemos nossa pobreza espiritual, Deus pode finalmente agir.
Foi assim com Pedro.
Foi assim com Paulo.
Foi assim com todos os santos.
Nenhum deles foi santo porque nunca caiu.
Foram santos porque nunca deixaram de levantar-se.
Por isso a Igreja celebra Pedro e Paulo juntos.
Um era pescador.
O outro, doutor da Lei.
Um conheceu Cristo às margens do lago.
O outro encontrou-O na estrada de Damasco.
Um recebeu as chaves do Reino.
O outro levou o Evangelho até os confins do mundo.
Tão diferentes…
E, no entanto, unidos pela mesma graça.
Isso também nos consola.
Na Igreja não somos chamados a ser iguais.
Nem todos possuem os mesmos dons.
Nem todos exercem o mesmo ministério.
Nem todos percorrem o mesmo caminho.
Mas todos somos chamados à mesma santidade.
Cada um com sua história.
Com suas feridas.
Com seus limites.
Com seus talentos.
Deus não procura cópias de Pedro.
Nem novos Paulos.
Procura homens e mulheres dispostos a responder, hoje, à mesma pergunta:
«Quem dizeis que Eu sou?»
A resposta não se dá apenas com palavras.
Ela aparece na maneira como vivemos.
Na fidelidade à oração.
Na participação na Divina Liturgia.
No perdão oferecido.
Na caridade praticada.
Na paciência diante das dificuldades.
Na perseverança quando tudo parece difícil.
Hoje veneramos dois grandes Apóstolos.
Mas eles mesmos nos apontam para Cristo.
Pedro não nos pede que o admiremos.
Paulo não deseja que exaltemos sua inteligência ou seus sofrimentos.
Ambos nos conduzem ao único Salvador.
Ao único Senhor da Igreja.
Àquele que continua repetindo a cada um de nós:
«A minha graça te basta.»
Se hoje nos sentimos fracos…
Se carregamos pecados dos quais ainda lutamos para nos libertar…
Se enfrentamos doenças, preocupações ou desânimos…
Não percamos a esperança.
A mesma graça que transformou um pescador medroso na rocha da Igreja e um perseguidor violento no Apóstolo das nações continua operando em nós.
Porque Cristo não escolhe os mais fortes.
Ele fortalece aqueles que confiam n’Ele.
Que os santos Protocorifeus Pedro e Paulo intercedam por nós, para que confessemos Cristo com a firmeza de Pedro, sirvamos ao Evangelho com o zelo de Paulo e aprendamos, todos os dias, que a força de Deus se manifesta precisamente na humildade daqueles que se entregam inteiramente à Sua graça.
Amém.



