São João Clímaco — Antologia de reflexões espirituais

Esta antologia reúne reflexões de São João Clímaco sobre o cuidado das almas, o desapego, a mansidão, o discernimento, a oração e o amor. O percurso começa com o pastor que segue o exemplo de Cristo e termina com a caridade que conduz à semelhança com Deus.

Os excertos foram organizados por tema. As passagens complementares foram reunidas e as versões repetidas foram consolidadas, preservando as referências e a voz dos textos.

Sumário

O pastor e o cuidado do próximo

Pastor que segue o Pastor

São João Clímaco — Ao Pastor, excertos; escrito transmitido com A Escada Santa.

O verdadeiro pastor é aquele que, pela sua bondade, o seu zelo e a sua oração, é capaz de ir à procura das ovelhas que se extraviaram, devolvendo-as ao bom caminho. O piloto é aquele que, pela graça de Deus e o seu próprio esforço, obteve uma força espiritual que o torna capaz de arrancar o navio não apenas às correntes que o desviam, mas ao próprio abismo. O médico é aquele que conquistou a saúde do corpo e da alma e não precisa de remédios para eles.

Um bom piloto salva o seu navio; o pastor vivifica e cura as ovelhas doentes. E, quando as ovelhas estão a pastar, que o pastor não deixe de recorrer à flauta da palavra, sobretudo quando o rebanho se prepara para dormir. Porque a coisa que o lobo mais teme é a flauta do pastor. Na medida em que as ovelhas sigam fielmente o pastor e façam progressos, nessa mesma medida este responderá por elas ao Senhor da casa.

É a caridade que permite conhecer o verdadeiro pastor, uma vez que foi pela caridade que o grande Pastor quis ser crucificado.

Nota editorial: O fragmento entregue à edição corresponde ao texto já publicado. Conserva-se aqui a versão do documento, sem duplicá-lo. A passagem pertence ao escrito Ao Pastor, transmitido com A Escada Santa.

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Retirar o precioso do vil, isto é, amar o próximo

São João Clímaco — A Escada Santa, excerto sobre a caridade e a responsabilidade pelo próximo.

Há pessoas que, por caridade espiritual, carregam os fardos dos outros para além das suas próprias forças, recordando-se daquela passagem: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos». Há outras que, embora tenham indubitavelmente recebido de Deus força para assumir responsabilidade pelos outros, não tomam sobre si esta carga pela salvação dos seus irmãos. São pessoas que lamento, porque não têm caridade. Às primeiras aplico as seguintes palavras: «Se conseguires retirar o precioso do vil, serás como a minha boca» (Jer 15,19); e: «Como tiveres feito assim se fará contigo» (Abd 1,15).

Vi um doente curar, com a sua fé, a enfermidade de outro doente, usando para com Deus uma louvável desfaçatez, ao dar a sua alma pela alma de seu irmão, com toda a humildade; curando-o, curou-se a si próprio. E vi outro que fazia o mesmo, mas por orgulho, e que ouviu a seguinte reprimenda: «Médico, cura-te a ti próprio» (Lc 4,23).

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O chamado de Deus e o desapego

Um Deus e um Rei que nos chama

São João Clímaco — A Escada Santa, primeiro degrau, sobre a renúncia ao mundo, excertos.

Uma vez que é um Deus e um Rei que nos chama para o seu serviço, avancemos com ardor, pois temos pouco tempo de vida e corremos o risco de ser encontrados sem fruto no dia da nossa morte e de perecer de fome. Procuremos agradar ao nosso Senhor como os soldados a seu rei, porque, quando a campanha terminar, teremos de prestar contas do nosso serviço.

Se um rei da terra nos chamasse para o seu serviço, não hesitaríamos, não procuraríamos desculpas, mas, deixando tudo, iríamos imediatamente ter com ele. Por isso, quando o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, o Deus dos deuses, nos chamar para o seu serviço celeste, tenhamos atenção em não recusar, por preguiça ou por cobardia.

Corramos com alegria e amor para o bom combate, sem nos deixarmos intimidar pelos nossos inimigos. Alegrai-vos, pois, sempre no Senhor, todos vós que sois seus servos, reconhecendo nisto o primeiro sinal do amor que o Mestre vos tem.

Nota editorial: A passagem foi localizada no primeiro degrau, sobre a renúncia ao mundo. Corrigiu-se a indicação de 21.º degrau que acompanhava a publicação.

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Seguir Cristo com o coração desapegado

São João Clímaco — A Escada Santa, segundo degrau, sobre o desapego, excertos.

Aquele que ama verdadeiramente o Senhor, que procura verdadeiramente a posse do Reino que há de vir, que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, que se lembra verdadeiramente do castigo e do juízo eternos, que teme verdadeiramente o seu fim, deixará de ter amor, cuidado ou preocupação com o dinheiro, as riquezas, os pais, a glória do mundo, os amigos, os irmãos e as restantes coisas deste mundo. Pelo contrário, tendo rejeitado e odiado todo o apego e cuidado por todas estas coisas, e mais ainda pela sua própria carne, seguirá a Cristo nu, despreocupado, com pressa e olhando para o Céu, de onde espera que lhe venham todas as ajudas […].

É uma grande pena que, depois de termos abandonado tudo o que acabo de dizer, correspondendo ao apelo não de um homem mas do Senhor, nos preocupemos com coisas que não nos serão úteis na hora de maior necessidade, isto é, no momento da morte. É a isto que o Senhor chama olhar para trás e não ser digno do Reino dos Céus (cf Lc 9,62). O Senhor conhecia bem a nossa fragilidade dos começos e sabia que a permanência entre as gentes do mundo e a sua conversa nos levaria facilmente de volta ao mundo; por isso, quando um Lhe pede: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai», responde-lhe: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos». […]

Nós, que decidimos seguir o nosso caminho com ardor e prontidão, estejamos muito atentos à condenação que o Senhor faz de todos os que vivem no mundo e, embora vivos, estão mortos, quando recomendou que os que estão no mundo e estão mortos enterrem os que morreram corporalmente.

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Mansidão, simplicidade e humildade

A mansidão e a simplicidade

São João Clímaco — A Escada Santa, 24.º degrau, sobre a mansidão e a simplicidade.

A mansidão, precursora da humildade

A luz da aurora precede o sol, e a precursora da humildade é a mansidão. Escutemos a Luz, que nos revela a ordem pela qual as dispôs: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração». Antes de contemplarmos o sol, temos de ser iluminados pela aurora; só então seremos capazes de suportar a visão do sol. De facto, é impossível, absolutamente impossível, olhar para o sol antes de conhecer esta luz, como nos ensina o lugar respetivo de cada uma destas duas virtudes nas palavras do Senhor.

A mansidão é um estado imutável do intelecto, que permanece sempre o mesmo, tanto nas honras como nas humilhações. Mansidão é, quando somos afligidos pelo nosso próximo, rezar por ele sinceramente, sem nos deixarmos influenciar pelos seus atos. A mansidão é uma rocha que domina o mar da irascibilidade, e contra a qual se despedaçam as ondas que contra ela chocam, sem nunca a abalarem. A mansidão é o sustentáculo da paciência, a porta, ou melhor, a mãe da caridade, o fundamento da discrição […]. Ela promove o perdão dos pecados, dá confiança na oração, é a morada do Espírito Santo: «É nos humildes de coração contrito que os meus olhos se fixam» (Is 66,2).

A mansidão é a colaboradora da obediência, a guia da comunhão fraterna, o freio dos furiosos, o obstáculo dos coléricos, uma fonte de alegria, a imitação de Cristo, uma qualidade própria dos anjos, o grilhão dos demónios, um escudo contra a amargura. O Senhor repousa nos corações mansos; mas a alma agitada é o assento do diabo.

Aproximar-se de Deus com simplicidade

A simplicidade é um hábito da alma que exclui todo o artifício e a torna imune à malícia. A ausência de malícia é um estado alegre da alma, liberta de segundas intenções. A primeira prerrogativa da infância é a simplicidade sem artifícios; enquanto a conservou, Adão não viu a nudez da sua alma nem a indecência da sua carne.

A simplicidade que algumas pessoas possuem por natureza é bela e abençoada, mas é-o menos do que a simplicidade que, à força de trabalho e suor, foi enxertada num tronco mau. A primeira está ao abrigo de muitos artifícios e paixões, mas a segunda traz consigo uma profunda humildade e uma doçura extrema. A primeira não merece qualquer recompensa; a segunda merece uma recompensa infinita.

Todos nós, que queremos atrair o Senhor, aproximemo-nos dele como discípulos do mestre, com toda a simplicidade, sem hipocrisia, sem malícia, sem artifícios nem complicações. Visto que Ele próprio é totalmente simples, quer que as almas que Se aproximam dele sejam simples e inocentes. Porque nunca encontrareis a simplicidade separada da humildade.

Nota editorial: São duas passagens complementares do capítulo sobre a mansidão e a simplicidade, reunidas nesta seleção.

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A glória do alto e o combate à vanglória

São João Clímaco — A Escada Santa, capítulo sobre a vanglória, indicado como 21.º degrau na versão do acervo.

Se temos o desejo de agradar ao Rei dos Céus, esforcemo-nos por não desejar outra glória senão a do alto. Com efeito, quem a experimentou despreza por completo a glória terrena, mas só quem experimentou aquela pode desprezar esta. […]

Quem pede a Deus que lhe conceda dons em troca do seu esforço constrói sobre fundamentos instáveis; pelo contrário, quem se considera devedor receberá subitamente uma riqueza inesperada. […] Há uma glória que vem do Senhor, pois Ele disse: «Eu glorificarei aqueles que Me glorificarem» (1Sam 2,30); e há uma glória que deriva dos artifícios do demónio, pois está escrito: «Ai de vós quando todos disserem bem de vós» (Lc 6,26). Reconhecemos a primeira porque, considerando-a uma perda, a recusamos por todos os meios, ocultando a nossa maneira de viver; e reconhecemos a segunda quando fazemos a mais pequena coisa para sermos vistos pelos homens (cf Mt 6,1). A vanglória impura sugere-nos que finjamos uma virtude que não temos, dizendo-nos: «Que a vossa luz brilhe diante dos homens, a fim de que eles vejam as vossas boas obras» (Mt 5,16). […]

Quando os nossos lisonjeadores, ou melhor, os nossos sedutores começam a elogiar-nos, recordemos brevemente a multidão dos nossos pecados e reconhecer-nos-emos indignos de tudo o que se diz ou se faz em nossa honra. […] Em geral, os homens simples não se deixam contaminar pelo veneno da vanglória, porque esta consiste na rejeição da simplicidade e num comportamento hipócrita.

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Não julgar: rezar pelo próximo e reconhecer as próprias faltas

São João Clímaco — A Escada Santa, capítulo sobre a maledicência e o julgamento do próximo, excertos.

Ouvi alguns falarem mal do seu próximo e repreendi-os. Para se defenderem, esses operários do mal replicaram: «É por caridade e por solicitude que falamos assim!» Mas eu respondi-lhes: Deixai de praticar tal caridade, pois estaríeis a chamar mentiroso ao que diz: «Afasto de Mim quem denigre em segredo o seu próximo» (Sl 100,5). Se amas essa pessoa como afirmas, reza em segredo por ela e não te rias do que faz. É essa maneira de amar que agrada ao Senhor; não percas isto de vista e esforça-te cuidadosamente por não julgar os pecadores. Judas pertencia ao número dos apóstolos e o ladrão fazia parte dos malfeitores, mas que espantosa mudança se deu nele num só instante! […]

Responde, pois, ao que diz mal do seu próximo: «Para, irmão! Eu próprio caio todos os dias em faltas mais graves; como poderei condenar essa pessoa?» Obterás assim um duplo proveito: curar-te-ás a ti mesmo e curarás o teu próximo. Não julgar é um atalho que conduz ao perdão dos pecados, pois está dito: «Não julgueis e não sereis julgados.»

Se vires alguém cometer um pecado no momento da sua morte, nem então o julgues, porque o juízo de Deus é impenetrável para o homem. Há quem tenha cometido grandes pecados à vista de todos, mas, em segredo, praticou maiores atos de virtude. Por isso, os seus detratores enganaram-se, focando o fumo sem verem o sol. Ouçam-me, ouçam-me todos, críticos maliciosos das ações dos outros! Se esta palavra é verdadeira – «segundo o julgamento que fizerdes sereis julgados» –, e é-o certamente, qualquer pecado, da alma ou do corpo, de que acusemos o nosso próximo, cairá sobre nós. Assim será.

Os críticos diligentes e severos caem nessa ilusão porque não guardam a memória nem a preocupação dos seus próprios pecados. […]

Com efeito, se alguém, liberto do véu do amor próprio, visse exatamente os seus próprios males, não se preocuparia com mais nada durante o resto dos seus dias, e sentiria que todo o tempo que lhe resta de vida não lhe bastaria para se lamentar sobre si próprio, nem que ainda vivesse cem anos e visse todas as águas do Jordão correrem-lhe dos olhos em torrentes de lágrimas […].

[…] Tal como um bom vindimador come as uvas maduras e não colhe as verdes, assim também um espírito benevolente e sensato anota cuidadosamente todas as virtudes que vê nos outros; mas o insensato perscruta as faltas e as deficiências.

Julgar os outros é não ter vergonha de usurpar uma prerrogativa divina; condená-los é arruinar a nossa própria alma.

Nota editorial: As versões sobrepostas já contidas na publicação foram consolidadas: a resposta «Para, irmão» e a imagem do fumo e do sol aparecem uma única vez. As passagens pertencem ao capítulo sobre a maledicência e o julgamento do próximo, e não a uma série de capítulos diferentes.

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O discernimento e o tempo da graça

O tempo de semear e o tempo de colher

São João Clímaco — A Escada Santa, 26.º degrau, sobre o discernimento.

Se, como afirma o Eclesiastes (3,1), há um tempo para cada coisa debaixo do sol – e «cada coisa» é tudo o que diz respeito à nossa vida -, estejamos atentos, procurando em cada momento o que convém a esse tempo.

Com efeito, é certo que, para aqueles que combatem, há um tempo para a impassibilidade e um tempo para o domínio das paixões […]; há um tempo para as lágrimas e um tempo para a dureza de coração; um tempo para obedecer e um tempo para mandar; um tempo para jejuar e um tempo para nos sentarmos à mesa; um tempo para combater o corpo, nosso inimigo, e um tempo em que esse fogo morreu; um tempo de tempestade na alma e um tempo de acalmia do espírito; um tempo de tristeza no coração e um tempo de alegria espiritual; um tempo para ensinar e um tempo para ouvir; um tempo para as manchas, talvez por causa do nosso orgulho, e um tempo de purificação pela humildade; um tempo para o combate e um tempo de tréguas, longe do perigo; um tempo para o silêncio e um tempo para uma atividade sem distrações; um tempo para a oração continuada e um tempo para o serviço sincero.

Não nos deixemos, pois, mover por um zelo soberbo, que nos leve a procurar antes do tempo aquilo que virá a seu tempo. Ou seja, não procuremos no inverno o que pertence ao verão, no tempo da sementeira o que pertence ao tempo da colheita; porque há um tempo para semear trabalhos e um tempo para recolher os inefáveis dons da graça. De outra maneira, nem quando chegar o tempo receberemos o que é próprio desse tempo.

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A oração, conversa e união com Deus

Deus, mestre da oração: ação de graças, simplicidade e perseverança

São João Clímaco — A Escada Santa, 28.º degrau, sobre a oração, excertos.

A conversa e a união com Deus

A oração é, quanto à sua natureza, a conversa e a união da alma com Deus; quanto à sua eficácia, é a conservação do mundo e a sua reconciliação com Deus, um ponto elevado acima das tentações, uma muralha contra as tribulações, a extinção das guerras, a alegria futura, a atividade que não cessa, a fonte das graças, a dadora dos carismas, um progresso invisível, o alimento da alma, a iluminação do espírito, o machado que corta o desespero, a expulsão da tristeza, a redução da ira, o espelho do progresso, a manifestação da nossa medida, o teste ao estado da nossa alma, a revelação das coisas futuras, o anúncio seguro da glória.

A melhor maneira de rezar

Rezar é colocar-se na presença de Deus; mas há uma grande variedade e diversidade de orações. Há quem se dirija a Deus como a um amigo e senhor, oferecendo-Lhe louvores e súplicas, não por si mesmo, mas por outros. Há quem peça um aumento de riquezas espirituais, de glória e de confiança filial. Há quem suplique a total libertação dos seus adversários. Outros pedem que lhes seja concedido um favor e outros ainda a libertação de todas as preocupações com as suas próprias faltas, ou a libertação da prisão; outros ainda, a remissão dos seus crimes.

No pergaminho da nossa oração, escrevamos antes de mais nada uma sincera ação de graças; em segundo lugar, a confissão das nossas faltas e uma contrição de alma profundamente sentida; em seguida, apresentemos então os nossos pedidos ao Rei do Universo. Pois esta é a melhor maneira de rezar.

A sobriedade e a perseverança na oração

Que o tecido da tua oração só tenha uma cor. O publicano e o filho pródigo foram reconciliados com Deus com uma só palavra. Quando rezas, não procures palavras complicadas, porque o balbuciar simples das crianças tem muitas vezes tocado o seu Pai dos Céus. Não procures falar muito quando rezas, não vá o teu espírito distrair-se à procura das palavras. Uma só palavra do publicano apaziguou a Deus e um só brado de fé salvou o ladrão. Não raro, a loquacidade na oração dispersa o espírito e enche-o de imagens, ao passo que a repetição da mesma palavra serve para o recolher. Se uma palavra da tua oração te enche de suavidade ou de compunção, permanece nela, porque o teu anjo da guarda está aí, rezando contigo.

Pede com aflição, procura com a obediência, bate com paciência. Porque aquele que assim pede, recebe; aquele que procura, encontra; e àquele que bate, abrir-se-á.

Quem ergue sem descanso o bastão da oração não vacilará. E, mesmo que caia, a sua queda não será definitiva. Porque a oração é uma tirania piedosa que é exercida sobre Deus.

Aprender a oração na oração

Tem coragem e terás o próprio Deus como mestre de oração. É impossível aprender a ver por meio de palavras, porque ver é um efeito da natureza. Assim também é impossível aprender a beleza da oração através dos ensinamentos de outros. A oração só se aprende na oração e o seu mestre é Deus, que ensina ao homem a ciência […], que concede o dom da oração àquele que ora, que abençoa os anos dos justos.

Nota editorial: As três seleções do acervo sobre a oração pertencem ao mesmo capítulo. Foram reunidas com subtítulos, preservando a definição, a ação de graças, a confissão, os pedidos e a exortação à perseverança.

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O amor, cume da vida espiritual

O amor e a semelhança com Deus

São João Clímaco — A Escada Santa, 30.º degrau, §§ 6–9, 22 e 16, na referência do acervo.

Deus é amor (1Jo 4,8). E quem empreendesse defini-l’O seria como um cego que pretendesse contar os grãos de areia de uma praia.

Quanto à sua natureza, o amor é uma semelhança com Deus, na medida em que é possível os mortais assemelharem-se a Ele; quanto à sua atividade, é uma embriaguez da alma; quanto à sua virtude própria, é a fonte da fé, um abismo de paciência, um oceano de humildade.

A caridade é, antes de mais, a rejeição de qualquer pensamento de inimizade, porque a caridade não pensa mal. A caridade, a impassibilidade e a adoção filial distinguem-se apenas pelo nome. Tal como a luz, o fogo e a chama concorrem para um único efeito, o mesmo acontece com estas três realidades.

A sensibilidade profunda daquele que tem uma união perfeita com Deus é por Ele iniciada no mistério das suas palavras; sem esta união, contudo, é difícil falar de Deus.

Se o rosto de um ser amado produz em todo o nosso ser uma alteração manifesta que nos torna felizes, alegres e despreocupados, o que não fará a face do Senhor numa alma pura, quando nela vier repousar.

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Fontes e critérios da seleção

As traduções portuguesas reproduzem o fragmento entregue à edição e o acervo Sophia, que indica principalmente Evangelho Cotidiano ou Evangelho Quotidiano como fonte. Esta antologia não constitui uma nova tradução.

A Escada Santa também é conhecida como Escada do Paraíso ou Escada da Ascensão Divina. A numeração de alguns capítulos e parágrafos varia entre edições; por isso, onde necessário, o tema do capítulo acompanha a referência. O escrito Ao Pastor é identificado separadamente. Os sinais […] e […] indicam omissões nos excertos.

Para a conferência da localização das passagens: A Escada da Ascensão Divina, tradução inglesa de Lazarus Moore. O texto português permanece o do acervo e do fragmento entregue, com os ajustes assinalados.

Os mapas das publicações anteriores permanecem no registro editorial interno. A leitura desta antologia não depende de links para posts individuais.

Organização editorial preparada em 15 de outubro de 2026.

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