Youssef Bousnaya — Antologia sobre o amor e a misericórdia

Esta antologia reúne três ensinamentos de Youssef Bousnaya sobre o amor ao próximo, a misericórdia oferecida a todos e a intenção que dá valor à esmola. Os textos são transmitidos na Vida e doutrina de Rabban Youssef Bousnaya, por Jean Bar Kaldoum, conforme a identificação das fontes portuguesas.

Sumário

Amar os homens para chegar ao amor de Deus

Youssef Bousnaya — Vida e doutrina de Rabban Youssef Bousnaya, por Jean Bar Kaldoum.

Meu filho, aplica-te com toda a tua alma em adquirir o amor dos homens, no qual e pelo qual te elevarás ao amor de Deus que é o fim de todos os fins. Vãos são todos os trabalhos que não forem realizados na caridade. Todas as boas obras e todos os labores conduzem o homem até à porta do palácio real; mas é o amor que nos faz lá morar e repousar no seio de Cristo (Jo 13,25).

Meu filho, que o teu amor não seja repartido, dividido, interesseiro, mas espalhado em toda a parte, com vista a Deus, desinteressado. Cristo dar-te-á o conhecimento para entenderes o mistério desta palavra. Ama todos os homens como a ti mesmo; melhor ainda, ama o teu irmão mais do que a ti próprio; não busques apenas o que te convém a ti, mas o que é útil ao teu irmão. Despreza-te a ti próprio pelo amor do teu próximo, para que Cristo seja misericordioso e faça de ti um co-herdeiro do seu amor. Guarda-te de desprezares isto. É que Deus amou-nos primeiro e entregou o seu Filho à morte por nós. «Deus amou de tal forma o mundo, que entregou por ele o seu Filho único», diz o apóstolo João, testemunha da verdade (Jo 3,16). Aquele que caminha nesta senda de amor, graças ao seu labor, chegará prontamente à morada que é o objetivo dos seus esforços. Não penses, pois, meu filho, que o homem poderá adquirir o amor de Deus, que nos é dado pela sua graça, antes de amar os seus irmãos em humanidade.

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A misericórdia que não faz distinções

Youssef Bousnaya — Vida e doutrina de Rabban Youssef Bousnaya, por Jean Bar Kaldoum.

A misericórdia é a imagem de Deus, e o homem misericordioso é, em verdade, um Deus que habita na Terra. Tal como Deus é misericordioso para com todos, sem fazer distinções, também o homem misericordioso distribui os seus dons por todos de igual forma.

Meu filho, sê misericordioso e distribui os teus dons por todos, para que possas elevar-te ao grau da divindade […]. Não te deixes seduzir por este pensamento que poderás achar atraente: mais vale ser misericordioso para com o que tem fé que para com quem nos é estranho. Não é essa a misericórdia perfeita que imita o Deus que distribui os seus dons por todos, sem inveja, «que igualmente faz o Sol levantar-se sobre os bons e os maus e a chuva cair sobre os justos e os pecadores» (Mt 5,45). […]

«Deus é amor» (1Jo 4,8); a sua essência é amor, e o seu amor é a sua própria essência. Por esse amor, o nosso Criador foi levado a produzir a nossa criação. O homem que possui a caridade é verdadeiramente Deus no meio dos homens.

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A oferta da viúva e a intenção misericordiosa

Youssef Bousnaya — Vida e doutrina de Rabban Youssef Bousnaya, por Jean Bar Kaldoum.

A misericórdia merece ser louvada não só pela abundância de dádivas, mas sobretudo quando procede de um pensamento bom e misericordioso. Há pessoas que muito dão e muito distribuem, mas não são tidas por misericordiosas aos olhos de Deus, e há pessoas que nada têm, nada possuem, mas têm piedade por todos no seu coração. Estas são consideradas seres verdadeiramente misericordiosos aos olhos de Deus, e de facto são-no. Portanto não digas: «Nada tenho para dar aos pobres»; não te angusties pensando que por esse motivo não podes ser misericordioso. Se tens alguma coisa, dá o que tens; se nada tens, dá, ainda que seja apenas um pão seco, fá-lo com intenção verdadeiramente misericordiosa, e tal será considerado por Deus um ato de misericórdia perfeita.

Nosso Senhor não louvou os que punham muito na caixa das esmolas; louvou a viúva, por ter deitado as duas moedas que conseguira poupar na sua vida de indigência, oferecendo-as em gratuidade, com um pensamento bom, para o tesouro de Cristo. O homem que no seu coração tem piedade dos seus semelhantes é misericordioso aos olhos de Deus; mais vale uma boa intenção sem efeitos visíveis do que a abundância de obras magníficas, mas realizadas sem boa intenção.

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Fontes e critérios

As traduções portuguesas procedem do acervo Sophia, que indica Evangelho Cotidiano, e do fragmento 40 de Sophia.docx. Não se trata de uma nova tradução. A edição e a localização dos excertos na obra não são informadas nessas fontes.

As versões equivalentes sobre a misericórdia sem distinções foram representadas uma única vez. Para o ensinamento sobre a oferta da viúva, adotou-se a versão integral entregue em Sophia.docx, sem repetir a versão do acervo. As omissões assinaladas nos textos foram preservadas; espaços foram normalizados.

Os mapas dos posts anteriores permanecem no registro editorial interno. Organização editorial preparada em 18 de outubro de 2026.

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