Livro das Horas do Sinai — Antologia de hinos e súplicas

Esta antologia reúne hinos e súplicas do Livro das Horas do Sinai, apresentado no acervo como testemunho litúrgico do século IX. A cruz e a Ressurreição, a vigilância, a Mãe de Deus, o Precursor e os anjos orientam os cinco temas.

Os excertos foram organizados por assunto, conservando a ordem interna das estrofes e as invocações que acompanham cada seleção. As estrofes marianas e as aclamações trinitárias permanecem junto dos hinos em que foram transmitidas. O item 26 de Sophia.docx foi integrado integralmente.

Sumário

A cruz e a Ressurreição

Jonas prefigura a Paixão e a Ressurreição

Livro das Horas do Sinai — Cânone em honra da cruz e da ressurreição; SC 486; excertos.

Nas entranhas do monstro marinho, Jonas, de braços abertos em forma de cruz, prefigurava claramente a Paixão que nos salva; e, saindo dele ao terceiro dia, esboçou a tua transcendente ressurreição, Cristo nosso Deus, que na tua carne foste pregado a um madeiro e, ressuscitando ao terceiro dia, iluminaste o mundo.

Tu, o Filho por natureza, o Verbo movido pela piedade, assumiste no teu ser a forma dos filhos da terra, despojada da sua dignidade, e tens em Ti uma e outra forma, isto é, a da divindade, pois és consubstancial ao Pai, e a da humanidade, pois és também mortal em toda a verdade; e foi por isto que suportaste os sofrimentos da Paixão na tua natureza mortal. […]

Os mortos voltam à vida, levantando-se de uma só vez dos seus túmulos, enquanto Tu, ó Cristo, permaneces preso à cruz, porque o inferno temia afrontar-Te, com receio da nova vida, em consequência da qual ficou só, cativo e sem recursos; no final, porém, tendo sido contado entre os mortos, depois de o teres obrigado a devolver aqueles que tinha engolido, Tu ressuscitaste ao terceiro dia.

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Pela tua Paixão, fizeste brilhar a Ressurreição

Livro das Horas do Sinai — Cânone em honra da cruz e da ressurreição; SC 486; excertos.

Ó madeiro três vezes bendito sobre o qual foi depositado Cristo, Rei e Senhor, madeiro sobre o qual aquele que enganou Adão por meio do madeiro caiu na armadilha do Deus pregado a ti na sua carne, que dá a paz à nossa alma!

O madeiro três vezes bendito onde o Redentor, o Senhor, foi pregado na sua carne, e pelo qual pereceu aquele que, por meio do madeiro, tinha enganado Adão fazendo-o desobedecer, foi este madeiro que ressuscitou o mesmo Adão, tornando-se fonte de incorruptibilidade para a nossa alma.

Pela tua crucifixão, chamaste do exílio a raça de Adão, a primeira criação: incorruptível na tua essência, por nós Te empobreceste voluntariamente, Tu, o impassível, Jesus, e na carne que assumiste suportaste os sofrimentos da Paixão. […]

Tu mesmo mergulhaste no teu próprio sangue o manto real, emblema do teu poder sobre todos os seres celestes, terrenos e subterrâneos, quando foste erguido no alto da cruz; essa cruz que levaste aos ombros, fazendo brilhar para mim a ressurreição através da tua Paixão.

Em virtude da tua natureza divina, ressuscitaste de entre os mortos, Tu, o poderoso e forte, e aniquilaste o reino da morte; ainda que, qual mortal, tenhas permanecido no túmulo, Tu, Filantropo, resgataste da corrupção todo o gênero humano.

Com fé, proclamemos bem-aventurada aquela que não conheceu esposo, a puríssima Mãe de Deus, aquela que deu à luz o Senhor de todos, que nos livra da condenação antiga e concede a paz à nossa alma.

Nota editorial: As duas estrofes iniciais, de formulação próxima, foram conservadas como aparecem na seleção recebida; a repetição litúrgica não foi tratada como duplicata acidental.

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O sangue precioso do Verbo recria o mundo

Livro das Horas do Sinai — Cânone em honra da cruz e da ressurreição; SC 486; excertos.

Através da cruz, a morte que se abateu sobre o género humano por ter comido do fruto da árvore foi hoje reduzida à impotência; pois a maldição que a nossa raça tinha herdado dos nossos primeiros pais foi apagada graças à descendência da puríssima Mãe de Deus, aquela que todos os poderes do Céu engrandecem.

Foi na tua essência humana que sofreste, à maneira de um homem, a Paixão, e não na tua natureza divina, Senhor: impassível na tua divindade, foi na carne assumida que suportaste todos os sofrimentos; por isso Te louvamos, Senhor, em ambas as essências.

Num desígnio de misericórdia, o Mestre aniquilou-Se a Si próprio por mim, suportando os sofrimentos da carne para compensar o meu nada; pela sua divindade, fez brotar da sua Paixão a minha impassibilidade, e coroou de honra a minha desonra, Ele que todos os poderes do Céu engrandecem.

Pela tua divina condescendência, Senhor, o Hades foi posto em cativeiro e os mortos saltaram dos túmulos, porque Tu és agora a verdadeira Vida, aquele que põe fim ao reino da morte e ao poder do Hades, Tu, que todos os poderes do Céu engrandecem.

Apesar de teres sido depositado no túmulo como um corpo inanimado, em virtude da tua divindade, Senhor, mostraste que és livre mesmo entre os mortos e ressuscitaste contigo, da corrupção do Hades, o primeiro homem e toda a sua raça, graças à tua adorável ressurreição; é por isso que, com os anjos, Te louvamos, a Ti, único Salvador. […]

A ti, Santíssima, que deste à luz o Verbo eterno que Se fez homem de modo extraordinário no teu seio, aquele que com o seu precioso sangue recriou o mundo e que o ilumina quando a cruz é exaltada, todos os poderes do Céu te engrandecem.

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Tu és a vida de todos os que estavam nos túmulos

Livro das Horas do Sinai — Cânone em honra da cruz e da ressurreição; SC 486; excertos.

Tu ressuscitaste dos mortos, Tu, que és a vida de todos, e um anjo de luz gritou às mulheres: «Não choreis, ide contar a boa nova aos apóstolos, cantai a plenos pulmões que Ele ressuscitou, Ele, Cristo Senhor, que, sendo Deus, quis salvar o gênero humano!».

Senhor, eu ouvi o mistério da tua encarnação, considerei as tuas obras e glorifiquei a tua divindade.

Cristo, nosso Deus, foste pregado na cruz por um bando de rebeldes, e por essa cruz salvaste, na tua misericórdia, aqueles que glorificam a tua ressurreição.

Ao dar-me a comer o fruto da árvore, o inimigo expulsou-me do Éden; porém, graças à árvore da cruz, fui chamado a regressar a esse paraíso.

Pela tua morte, ó Mestre, a morte foi capturada e morta; pois, sendo a vida subsistente, Tu deste vida aos habitantes dos túmulos.

Ressuscitado do túmulo, ressuscitaste contigo todos os mortos que jaziam no Hades e, na tua misericórdia, iluminaste aqueles que glorificam a tua ressurreição.

Ó Maria Imaculada, implora a Deus, que geraste, que conceda aos teus servos o perdão dos seus pecados.

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Um Espírito de vida para todos os seres

Livro das Horas do Sinai — Cânone em honra da cruz e da ressurreição; versão de Sophia.docx, item 26.

A arrogância da morte foi reprimida […], Adão foi libertado e foi inaugurado para todos os seres um Espírito de vida graças à ressurreição de Cristo, que traz consigo uma luz sem fim; […] e todos os fiéis cantavam com amor: «Deus dos nossos pais e nosso Deus, bendito sejas, Tu, que estás acima de todo o louvor».

Os túmulos abriram-se, ó Salvador, com o teu despertar, e as almas dos justos celebraram com alegria, ó Cristo, a tua ressurreição; pois Tu és o Senhor que, tendo morrido na tua essência humana, pela tua natureza divina, ó Todo-Poderoso, fizeste perecer o Hades e libertaste os mortais.

Anunciamos as tuas duas naturezas, ó Cristo, pois és Deus e homem, e com devoção Te cantamos: «Deus dos nossos pais e nosso Deus, bendito sejas, Tu, que estás acima de todo o louvor».

«Montanha santa»: é assim que te reconhecemos, ó Virgem, pois de ti foi talhada, sem mão humana, a Pedra, Cristo, que, vindo à nossa carne, encheu o mundo do conhecimento de Deus; a Ele adoramos, proclamando: «Deus dos nossos pais e nosso Deus, bendito sejas, Tu, que estás acima de todo o louvor».

Bendizei o Criador, Deus Pai; celebrai o Verbo, que desceu até vós para transformar o fogo em orvalho; exaltai acima de tudo Aquele que a todos dá vida, o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.

Nota editorial: O texto do documento foi preservado integralmente, incluindo as aclamações trinitárias e a estrofe mariana.

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A tristeza é vencida pela Boa Nova

Livro das Horas do Sinai — Pensamentos sobre a sepultura; SC 486; excertos.

«Prodígio assustador: como pode o túmulo conter-Te, meu filho, se os limites do mundo Te não contêm?» perguntava a Virgem. «A luz dos meus olhos escureceu. Como é possível que, sem o Sol se pôr, eu Te veja desaparecer sob a terra!» […]

O Sol revestiu-se de trevas ao ver-Te, a Ti, Uno da Trindade, esconder os teus raios sob a terra e desnudar as cavernas do Inferno, resgatando à força o condenado aos grilhões e perdoando-lhe a pena.

Vinde, almas todas dos fiéis que correis para o túmulo com perfumes, porque eis que irrompe a boa nova da alegria e do júbilo: Cristo Salvador ressuscitou com poder, libertando da corrupção todos os acorrentados.

Rejeitando a tristeza que nos invadiu, vamos resolutamente formar coros para a ressurreição de Cristo e proclamemos a plenos pulmões a sua salvação: «Alegrai-vos!». Tomemo-la para nós em espírito de fé, pois eis que Ele ressuscitou, enchendo o Universo de alegria.

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Alegrai-vos, mulheres portadoras de perfumes

Livro das Horas do Sinai — Macarismos da ressurreição; SC 486; excertos.

Escuta, Adão, e alegra-te com Eva, pois aquele que vos despojou a ambos e, com o seu engano, vos tornou cativos foi reduzido à impotência na cruz de Cristo.

Hoje, ó Cristo, aboliste o império da morte com o teu poder e libertaste, ó doador da vida, as almas dos homens graças à tua ressurreição, Tu, nosso Salvador.

Como a multidão dos anjos no Céu, assim o gênero humano celebra na terra a santíssima ressurreição da tua bondade, Senhor.

Hoje, Cristo ressuscitou do túmulo, do qual fez sair a incorruptibilidade para todos os mortais, e, na sua misericórdia, inaugurou com as portadoras de perfumes a alegria da ressurreição.

Desperta-nos do túmulo do pecado, nós, mortos pela multidão das nossas paixões, ó Salvador, verdadeiro amigo do homem, que pela tua ressurreição destruíste a tirania da morte.

Alegrai-vos, sábias Miróforas, mulheres que fostes as primeiras a ver a ressurreição de Cristo e que anunciastes aos apóstolos a ressurreição de todo o mundo.

Adoro-te, Pai sem princípio que és a vida, adoro contigo o teu Filho Eterno que é a vida, vida e fonte viva é o Espírito Santo: glorifico a única e verdadeira Vida.

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A vigilância e o encontro com o Senhor

Estende-me a mão no mar desta vida

Livro das Horas do Sinai — Cânone da meia-noite, 4.ª ode; SC 486.

O profeta ouviu-Te chegar, Senhor, e encheu-se de temor ao pensar que nascerias de uma virgem e aparecerias aos homens, por isso disse: «Ouvi o que disseste e enchi-me de temor, glória ao teu poder!»

Pequei, não Te fui fiel, levei a tua majestade ao limite, ó Compassivo, e afundei-me no abismo do desespero; mas mostra-Te a meio da noite, como fizeste outrora aos discípulos caminhando sobre as águas, ó Verbo, e dá-me a serenidade divina.

A minha alma está nas tuas mãos. Meu Deus e meu socorro, só Tu perscrutas os rins e o coração, Tu conheces todas as minhas reflexões, Tu conheces as ondas, a tempestade, o tumulto dos meus pensamentos; mas eu vi-Te caminhar, ainda agora, sobre as águas agitadas do meu coração.

Eis que desejei os teus preceitos, faz-me viver na tua justiça. Perdoa-me, meu Criador, sê indulgente, Tu que me formaste, tem piedade de mim, deixa-Te dobrar, sê misericordioso e compassivo, e já que estou mergulhado no mar desta vida, estende-me a tua mão verdadeiramente divina e, como a Pedro, puxa-me para Ti. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

O profeta viu-te, Menina, qual candelabro de sete chamas portador do fogo do conhecimento de Deus, fazendo-o brilhar sobre aqueles que estão em perigo nas trevas da ignorância, ó Imaculada, e por isso eu clamo: «Suplico-te que me ilumines».

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Acende a lamparina da minha alma

Livro das Horas do Sinai — Cânone da meia-noite, 8.ª ode; SC 486.

Aquele que as hostes celestes glorificam, diante do qual tremem os querubins e os serafins, que todo o sopro e toda a criatura celebram, bendizei-O e exaltai-O pelos séculos dos séculos.

Acende a lamparina da minha alma, faz brilhar a tocha do meu espírito, ó meu Salvador, para que eu possa estar à tua espera a meio da noite com os meus companheiros, de rins bem cingidos.

Verdadeiramente radiantes e bem-aventurados serão esses servos que o senhor encontrar vigilantes ao voltar, perseverando no temor a meio da noite; peço-Te que me julgues digno de ser um deles.

Ó minha luz temível, minha luz incompreensível, Filho unigénito que resplandeceste para fora do Pai, concede-me um facho da tua luz, concede-me a tua divina misericórdia, para que eu não tenha de gemer com as virgens loucas. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Mãe de Deus, tu deste à luz por nós, como criança recém-nascida, o Ancião dos Dias, que nos mostra novos caminhos nesta terra e renova a nossa natureza envelhecida, tu, Bendita e Imaculada.

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Ao encontro do Esposo com as virgens prudentes

Livro das Horas do Sinai — Cânone da meia-noite, 9.ª ode; SC 486.

Inexprimível é o nascimento de uma conceção sem semente, isento de corrupção o nascimento de uma mãe sem esposo, pois o nascimento de Deus renova as naturezas: é por isso que todas as gerações te engrandecem segundo a fé reta, ó Mãe e Esposa de Deus.

Ó meu Cristo, amigo do homem, Deus de toda a bondade, antes que, a meio da noite, soe o brado: «Aí vem o esposo; ide ao seu encontro», como diz a Escritura, purifica a minha alma e o meu espírito e dá-me forças para ir ao teu encontro com as virgens prudentes.

Quando as almas dos teus justos estiverem cheias de alegria – enquanto os pecadores gemem e choram, o fogo corre à tua frente e o Juízo está às portas – e Tu apareceres vindo do Céu, poupa-me, ó Compassivo, tem piedade de mim e salva-me.

Tu que és sem princípio, incriado, Filho de Deus, Divindade Suprema, na tua misericórdia e pelas súplicas daquela que te deu à luz, tem piedade de mim, salva-me e dá-me força para estar diante de Ti sem vacilar até de manhã, para me prostrar diante de Ti e Te glorificar, meu Criador. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Apresentamos-te a saudação do anjo, ó Bem-Aventurada e Puríssima: «Alegra-te, tu, que contiveste o Deus que nada pode conter; alegra-te, tu, que levantaste a maldição e fizeste vir a bênção; alegra-te, tu, que reabriste a porta do paraíso».

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A Mãe de Deus

A Mãe de Deus, refúgio e templo do fogo divino

Livro das Horas do Sinai — Cânone à Mãe de Deus; SC 486; excertos.

Todo o sopro mortal honra o teu parto, ó Puríssima, e a corte dos anjos celebra o mistério incompreensível do teu nascimento, de como concebeste no teu seio o Criador do universo e O deste à luz: temíveis, estranhos, extraordinários, absolutamente espantosos, ó Soberana, são os teus prodígios!

Já que tens com teu Filho, ó Soberana, a liberdade de palavra de uma mãe, não cesses de Lhe implorar com tuas divinas súplicas que sejam libertados de toda a aflição aqueles que te suplicam, Mãe de Deus, que te honram com amor como refúgio para a nossa salvação, como recurso divino, ó toda pura, como muralha inviolável e alegria dos aflitos.

Fizeste de mim, ó Mãe, um templo do Espírito Santo, purificando com as tuas súplicas divinas a impureza da minha carne e limpando, Mãe de Deus, a imundície das minhas faltas; pois foi em ti que me refugiei, tu, que és a verdadeira proteção e o baluarte inexpugnável dos cristãos, o seu abrigo, o seu recurso divino e o seu refúgio.

Daniel, em espírito, discerniu em ti a montanha intocada pelo cinzel (cf Dn 2,34), Ezequiel, a porta divina (cf Ez 44,2), Moisés viu-te antecipadamente como sarça que não se consome (cf Ex 3,2), tu, que trouxeste no teu seio o fogo da divindade sem seres devorada pela chama, ó Virgem; e nós reconhecemos-te como Mãe toda imaculada, por teres dado à luz na carne o nosso Redentor.

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A intercessão do Precursor

Fortalece-me na fé e cura o meu coração

Livro das Horas do Sinai — Cânone ao Precursor; SC 486; excertos.

Sobre a rocha sólida da fé em Ti, fortalece a minha determinação e fortifica, Senhor, a minha sabedoria, pois em Ti, Bondade suprema, encontro refúgio e fortaleza.

Concede-me agora regressar dos meus desvios ao caminho reto e estende-me a mão, bem-aventurado Precursor, a mim, constantemente agitado no oceano dos males.

Vivo despreocupado, e o machado está próximo: concede-me, por tua intercessão, erguer-me de novo, Precursor digno de louvor, para que eu não seja, qual árvore infecunda, lançado ao fogo inextinguível.

O Dia terrível está às portas, e eu estou carregado de fardos esmagadores: pelas tuas puríssimas súplicas, tira este peso de cima de mim, tu, que batizaste o Senhor.

Mãe de Deus, tu és o trono de Deus, sobre o qual Ele Se sentou na carne para ressuscitar da queda original aqueles que te louvam com palavras de gratidão.

Ouvi, Senhor, o que proclamaste e enchi-me de temor reverencial; contemplei as tuas obras e fiquei admirado: glória ao teu poder, Senhor!

Cura, eu te suplico, ó Precursor, o meu coração ferido pelos ataques dos ladrões com o poderoso remédio da tua divina intercessão.

Expulsa, ó Precursor, o pecado que ainda vive na minha alma e concede-me voltar a erguer-me, a mim, que me deixo ir pelo caminho do prazer.

Sê um refúgio para nós, lançados que estamos no oceano da vida, e transforma em tranquilidade, ó três vezes bendito, toda a agitação das ondas.

Não me julgues, eu Te imploro, Senhor, segundo as minhas obras, mas mostra-Te misericordioso para comigo, suplica-To com o Batista aquela que te gerou.

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Recorda-te de nós, santo Precursor

Livro das Horas do Sinai — Cânone ao Precursor; SC 486; excertos.

Eu te invoquei, ó Precursor, dia e noite: socorre-me, divino Batista, a mim, que na tua pessoa ganhei um advogado junto do Criador, para que eu seja salvo do castigo eterno.

Tu, ó Precursor, ó Sábio, que és o mais belo filho do deserto e verdadeiro amigo do Criador, livra-me, pelas tuas orações, das amizades nocivas […].

João, tu que batizaste o Senhor, corrige, pela tua intercessão, a pessoa incorrigível que sou, e arranca-me […] ao fogo que arde eternamente. […]

Jovem rebento que alegras o deserto, Precursor de Cristo, arranca pela raiz a negligência que não pára de crescer em mim e digna-te fazer-me produzir frutos de penitência.

Estéril era o ventre que te deu à luz, ilustríssimo fruto, tu, que tornaste fecundos os corações infrutíferos; mas eu apelo a ti com fé: «Ó Batista, arranca-me todos os pensamentos infrutíferos!». Anjo de Deus, um anjo anunciou divina e antecipadamente a teu pai o teu nascimento; com ele, lembra-te de nós no dia do Juízo, para que encontremos misericórdia, santo Precursor.

Na sua astúcia, o inimigo maligno persegue-me sem descanso; arrebata-me às suas emboscadas, ó Imaculada, ó Mãe de Deus, e conduz-me, a fim de eu cumprir a divina vontade do Senhor.

Nota editorial: A indicação bibliográfica «SC 4866» foi corrigida para SC 486, volume que edita o Livro das Horas do Sinai.

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Tem piedade de mim por intercessão do Batista

Livro das Horas do Sinai — Cânone do Precursor; SC 486; excertos.

Tu, voz do Verbo, acolhe agora as nossas vozes, ó Batista, e livra o teu povo de paixões, de perigos, de inúmeras aflições e do castigo eterno.

Tu, bem-aventurado, que apontas sempre para o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo, suplica-Lhe que apague as minhas profundas e duradouras faltas, e me torne digno da vida.

Ó minha alma, apressa-te a clamar, dissipando as trevas das paixões insensatas: «Tem piedade de mim, Jesus, por intercessão do Batista, e tira-me do atoleiro das minhas obras!».

Mãe de Deus, foste tu, Puríssima, que trouxeste ao mundo Aquele diante do qual tremem os exércitos celestes, e que Se uniu aos mortais por pura bondade; implora-Lhe, pois, encarecidamente, que tenha piedade dos teus servos. […]

Tu viste o Espírito Santo descer sob a forma de pomba sobre o Verbo no batismo, e foste julgado digno, ó bem-aventurado, de ouvir a voz do Pai: «Este é o meu Filho, que partilha o meu trono», Ele, a quem toda a criação canta: «Louvai o Senhor, todas as suas obras, e exaltai-O para sempre!»

Mãe de Deus, ó jovem filha cheia da graça de Deus, que, ao dares à luz, esmagaste a rebelião dos demônios, mantém a minha inteligência na humildade; levanta-me do monturo das paixões e satisfaz aquele que, faminto da tua graça, canta este cântico: «Celebrai o Senhor, todas as suas obras, e exaltai-O para sempre!».

Nota editorial: Corrigiu-se a concordância de «julgada digna» e «bem-aventurada» na estrofe dirigida ao Batista, que viu o Espírito no batismo e ouviu a voz do Pai. As estrofes dirigidas à Mãe de Deus foram conservadas no feminino.

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Conduze-me ao Deus do Universo

Livro das Horas do Sinai — Cânone do Precursor; SC 486; excertos.

Antes da aurora, venho ter contigo, ó Verbo de Deus, que, na tua compaixão, Te aniquilaste […] em favor do homem decaído e, permanecendo impassível, Te curvaste até à Paixão: concede-me a paz, Amigo do homem.

Tu te tornaste, ó Precursor bem-aventurado, templo da Trindade e, aqui reunidos no teu santo templo com fé fervorosa, nós te suplicamos: livra-nos das tentações e das aflições, tu que és digno de todo o louvor. Eu, que tornei o meu espírito alheio a toda a virtude, suplico-te agora, ó bem-aventurado, que traçaste uma nova via na nossa existência: ajuda-me a familiarizar com o Deus do Universo e faz-me crescer em virtude com um progresso admirável. Tu, profeta, que mergulhaste o Abismo da Misericórdia nas correntes do Jordão, seca agora, por tua intercessão, as múltiplas fontes dos meus vícios, concedendo-me torrentes de lágrimas.

Virgem resplandecente na tua divina finura, tu deste à luz o Homem de total beleza: que Ele Se deixe sempre fletir pelas tuas orações e nos salve da corrupção, a nós que te glorificamos com fé e amor.

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O louvor dos anjos

Os coros angélicos proclamam a tua glória

Livro das Horas do Sinai — Hino em honra dos anjos; SC 486; excertos.

Amigo do homem, Tu preparaste os exércitos dos Anjos para serem moradas acolhedoras e receptáculos veneráveis do teu esplendor divino: espectadores da tua glória, permanecem de pé junto do teu trono, executando com firmeza a tua palavra e cumprindo com zelo os teus mandamentos.

Deus sem princípio e Senhor, Tu que és bom, desejando manifestar o abismo da tua bondade, criaste primeiro, pelo teu poder onipotente e pela tua ordem divina, os coros angélicos e as coortes das potestades. Pois era necessário que o bem se derramasse e se propagasse, para que mais numerosos fossem os beneficiários da tua bondade.

Ao teu redor, os serafins de seis asas, os querubins de olhos incontáveis e os tronos sublimes participam, sem intermediários, do esplendor primordial; e as dominações, os principados, as potestades, os arcanjos, os anjos e as virtudes divinas proclamam a tua glória, ó Onipotente, suplicando em favor de toda a humanidade.

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Fontes e critérios

As versões portuguesas procedem do acervo Sophia, com fonte declarada Evangelho Cotidiano, e do item 26 de Sophia.docx. O acervo remete ao volume 486 de Sources chrétiennes, Livro das Horas do Sinai, publicado em 2004. Conservam-se os títulos dos cânones e os números das odes quando estavam disponíveis; não foram acrescentados números de estrofes sem confirmação.

Os títulos das seleções são descritivos. As repetições litúrgicas foram mantidas quando pertencem à mesma sequência recebida. As traduções foram preservadas, com os ajustes pontuais assinalados; não se trata de uma nova tradução nem de uma edição integral do ofício.

Conferência bibliográfica: Catálogo de Sources chrétiennes, entrada «Livre d’Heures du Sinaï», volume 486.

O mapa dos posts e as decisões editoriais permanecem no registro interno. Preparação em 20 de outubro de 2026.

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