Homilia para o VII Domingo de São Lucas

8 de novembro de 2026 — Sinaxe dos Santos Arcanjos Miguel e Gabriel e de todas as Potestades Celestes Incorpóreas

Homilia Pastoral

«Não temas; crê somente»: a esperança que nasce do encontro com Cristo

Hb 2,2–10 | Lc 8,41–56

Amados irmãos e irmãs em Cristo!

Há momentos em nossa vida em que todas as nossas certezas parecem desmoronar. Uma enfermidade que se prolonga, a angústia diante do sofrimento de alguém que amamos, a perda de uma pessoa querida, uma situação para a qual já não encontramos solução. Nessas horas, descobrimos como somos frágeis e como são limitadas as nossas forças. E, muitas vezes, mesmo sendo pessoas de fé, sentimos medo, experimentamos a dúvida e perguntamos, no silêncio do coração: onde está Deus em meio a tudo isso?

O Evangelho deste domingo nos apresenta duas pessoas que conheciam profundamente essa experiência. De um lado, Jairo, um homem respeitado, chefe da sinagoga, que se prostra aos pés de Jesus e lhe suplica que venha salvar sua filha única, uma menina de apenas doze anos, que está morrendo. De outro, uma mulher que, durante doze anos, sofria de uma hemorragia, tendo consumido seus recursos na busca de uma cura que não chegava.

São duas histórias diferentes, mas unidas pela mesma experiência de sofrimento e pela mesma esperança. Ambos chegam a um ponto em que já não podem contar apenas com suas próprias forças. E ambos se voltam para Cristo.

Jairo aproxima-se publicamente, prostra-se e suplica. A mulher, ao contrário, aproxima-se discretamente, por trás, e toca a orla da veste de Jesus. Talvez não tivesse coragem de apresentar-se diante de todos. Sua enfermidade, além do sofrimento físico, trazia consigo o peso do isolamento e das restrições religiosas de seu tempo. Mas havia em seu coração uma confiança silenciosa: se conseguisse apenas tocar a veste do Senhor, seria curada.

E assim acontece.

Jesus, porém, interrompe a caminhada e pergunta: «Quem me tocou?» Os discípulos estranham a pergunta, porque a multidão o comprimia por todos os lados. Mas o Senhor sabia que aquele toque era diferente. Muitos estavam fisicamente próximos dele; aquela mulher, entretanto, aproximara-se com fé.

Aqui encontramos um primeiro ensinamento para nossa vida espiritual: é possível estar muito próximo das coisas sagradas sem permitir que elas transformem verdadeiramente nosso coração.

Podemos frequentar a igreja, conhecer as orações, participar dos ofícios e, ainda assim, conservar uma relação distante com Cristo. A mulher do Evangelho nos ensina que o encontro verdadeiro com o Senhor exige algo mais profundo: um coração que reconhece sua necessidade, que se abre à graça e que confia na misericórdia divina.

Quando ela se apresenta, tremendo, Jesus não a repreende. Não a expõe à vergonha nem a trata como alguém que tivesse cometido uma transgressão. Ao contrário, dirige-lhe uma palavra de extraordinária ternura: «Filha, tua fé te salvou; vai em paz».

Observemos que o Senhor não lhe diz simplesmente que está curada. Diz que sua fé a salvou. A cura de seu corpo torna-se sinal de uma restauração mais profunda. Aquela mulher, marcada durante tantos anos pelo sofrimento, é chamada de filha. Cristo não apenas remove sua enfermidade; restitui-lhe a dignidade, a paz e a possibilidade de viver plenamente em comunhão.

Enquanto isso acontece, porém, Jairo continua esperando. E podemos imaginar sua aflição. Cada instante parece precioso, porque sua filha está morrendo. Talvez ele não compreenda por que Jesus se detém, quando sua necessidade é tão urgente.

Então chega a notícia que nenhum pai desejaria ouvir: «Tua filha morreu; não incomodes mais o Mestre».

Tudo parece terminado. Aquilo que Jairo mais temia aconteceu. A esperança que o levara até Jesus parece ter perdido seu sentido.

É precisamente nesse momento que o Senhor lhe dirige uma das palavras mais consoladoras de todo o Evangelho:

«Não temas; crê somente, e ela será salva».

Irmãos e irmãs, esta palavra não significa que o cristão nunca sentirá medo. O medo faz parte de nossa condição humana. Sentimos medo diante da doença, da solidão, da incerteza e, sobretudo, diante da morte. O próprio sofrimento de Jairo nos mostra que a fé não nos torna insensíveis à dor.

O que Cristo lhe pede é algo diferente: que não permita que o medo tenha a última palavra; que continue confiando, mesmo quando tudo parece perdido.

E aqui está uma das experiências mais difíceis e, ao mesmo tempo, mais importantes da vida cristã: aprender a confiar em Deus quando não compreendemos seus caminhos.

É relativamente fácil conservar a confiança quando nossas orações parecem atendidas, quando a saúde está preservada, quando a família vive em paz e quando os acontecimentos correspondem às nossas expectativas. Mas o que acontece com nossa fé quando a resposta não chega, quando a enfermidade permanece, quando perdemos alguém que amamos?

O Senhor não nos promete uma existência sem sofrimento. Tampouco nos ensina que toda oração sincera produzirá necessariamente o milagre que esperamos. Ele nos oferece algo infinitamente maior: sua própria presença, seu amor fiel e a certeza de que nem mesmo a morte poderá separar-nos dele.

Ao chegar à casa de Jairo, Jesus encontra todos chorando. E lhes diz: «Não choreis; ela não morreu, mas dorme».

Os presentes riem dele, porque sabem que a menina está morta. Mas Cristo contempla aquela realidade de uma maneira que os homens ainda não conseguem compreender. Para nós, a morte parece uma separação definitiva. Diante do Senhor da vida, porém, ela não possui a última palavra.

Jesus toma a menina pela mão e lhe diz: «Menina, levanta-te!» E ela se levanta.

Que imagem extraordinária da misericórdia divina! O Filho de Deus aproxima-se daquela criança, toma-a pela mão e a chama novamente à vida. E, depois de realizar esse prodígio, ordena que lhe deem de comer. O Senhor que manifesta seu poder sobre a morte também se preocupa com as necessidades mais simples de uma criança.

Esse acontecimento anuncia uma verdade que está no coração de nossa fé: Cristo veio ao mundo não apenas para aliviar temporariamente nossos sofrimentos, mas para libertar a humanidade do domínio da morte.

A menina de Jairo foi devolvida à vida de sua família, mas um dia voltaria a experimentar a morte. A vitória definitiva seria manifestada na própria Ressurreição de Cristo, que, tendo assumido nossa humanidade, entrou voluntariamente na morte e dela ressuscitou glorioso.

É por isso que, na tradição ortodoxa, falamos do adormecimento daqueles que partiram desta vida. Não porque a morte deixe de ser dolorosa, nem porque devamos esconder nossas lágrimas, mas porque cremos que, em Cristo, a sepultura já não é o destino definitivo do ser humano.

Quando nos reunimos para recordar nossos entes queridos e elevar por eles nossas orações, não o fazemos apenas para conservar sua memória. Nós os confiamos à misericórdia de Deus, na esperança da ressurreição e da vida eterna. A comunhão que nasce do amor de Cristo é mais profunda que a separação provocada pela morte.

Neste domingo, celebramos também a Sinaxe dos Santos Arcanjos Miguel e Gabriel e de todas as Potestades Celestes Incorpóreas. À primeira vista, essa comemoração poderia parecer distante do Evangelho que acabamos de ouvir. Entretanto, as duas celebrações nos conduzem ao mesmo mistério.

Na leitura da Epístola aos Hebreus, contemplamos o Filho de Deus que, por algum tempo, assumiu uma condição inferior à dos Anjos, fazendo-se verdadeiramente homem e experimentando a morte por todos nós. Aquele a quem os Anjos servem e glorificam não desprezou nossa fragilidade. Ao contrário, assumiu-a por amor, para conduzir-nos à participação em sua própria vida.

Os Santos Arcanjos, ministros da glória divina, recordam-nos que toda a criação, visível e invisível, encontra em Cristo seu Senhor e Salvador. Quando celebramos a Divina Liturgia, unimos nossas vozes ao louvor das Potestades Celestes, proclamando: «Santo, Santo, Santo, Senhor Sabaoth!»

E, no entanto, é precisamente a nós, criaturas frágeis e mortais, que o Senhor concede a graça extraordinária de participar de seu Corpo e Sangue, recebendo na Santa Eucaristia as primícias da vida eterna.

Amados irmãos e irmãs, talvez hoje cada um de nós traga consigo alguma preocupação, alguma enfermidade, alguma tristeza ou uma súplica que permanece sem resposta. Talvez estejamos, como aquela mulher, carregando há muito tempo um sofrimento silencioso. Ou talvez nos encontremos na situação de Jairo, temendo perder algo ou alguém que nos é profundamente precioso.

O Evangelho nos convida a fazer o que ambos fizeram: aproximar-nos de Cristo.

Não precisamos apresentar-nos diante dele como pessoas fortes, sem dúvidas e sem fraquezas. Podemos aproximar-nos com nossas feridas, nossas lágrimas e nossa fé ainda pequena. O Senhor não rejeitou a mulher que tremia, nem abandonou Jairo quando tudo parecia perdido.

Ele permanece conosco e continua a dirigir-nos a mesma palavra: «Não temas; crê somente».

Que essa confiança não nos afaste das responsabilidades concretas da vida, mas nos torne mais atentos ao sofrimento dos outros. Que saibamos estender a mão aos enfermos, consolar os que choram, acompanhar os que se sentem abandonados e testemunhar, por nossas atitudes, a misericórdia que recebemos de Cristo.

E que, pela intercessão da Santíssima Theotokos e dos Santos Arcanjos Miguel e Gabriel, o Senhor fortaleça nossa fé, sustente nossa esperança e nos conceda a graça de caminhar nesta vida sem perder de vista a promessa da Ressurreição.

Pois aquele que tomou pela mão a filha de Jairo é o mesmo Senhor que, um dia, chamará todos os que repousam nos sepulcros à vida.

A Ele, com o Pai e o Espírito Santo, sejam a glória, a honra e a adoração, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

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