Aquele que a si próprio se preza não pode amar a Deus; mas aquele que não se preza, devido às riquezas superiores da caridade divina, esse ama a Deus. É por isso que tal homem nunca procura a própria glória, mas a de Deus; porque o que a si mesmo se preza procura a glória própria. Aquele que preza a Deus ama a glória do seu Criador. É, de facto, próprio das almas profundas e amigas de Deus procurar constantemente a glória de Deus em todos os mandamentos que cumprem, e ter regozijo na própria humilhação. Porque a Deus convém a glória em razão daLeia mais →

Para conseguir o pão do corpo, o mendigo não se constrange em bater de porta em porta a pedi-lo; se não lho dão, avança um pouco e pede, ainda mais sem cerimônia, pão, roupas ou sandálias para consolo do corpo; se nada lhe derem, insiste e dali não sai, ainda que o expulsem. Nós, que procuramos receber o pão celeste e verdadeiro para nos fortificar a alma, que desejamos vestir as celestes roupas de luz e que aspiramos a calçar as imateriais sandálias do Espírito para refrigério da nossa alma imortal, muito mais devemos, incansável e resolutamente, com fé e amor, ter sempre paciência, baterLeia mais →

A Virgem Maria foi obediente quando disse: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38). Pelo contrário, Eva foi desobediente, tendo desobedecido quando era ainda virgem. E assim como Eva, desobedecendo, se tornou causa de morte para si mesma e para todo o gênero humano, assim também Maria, tendo por esposo aquele que lhe tinha sido antecipadamente destinado, mas mantendo-se virgem, se tornou, pela sua obediência, causa de salvação para si mesma e para todo o gênero humano. […] Porque o que foi ligado só pode ser desligado quando se faz em sentido inverso o processo que tinha dadoLeia mais →

«Senhor, o meu servo está de cama, paralisado, e sofre muito. Embora seja um escravo, o que foi atingido por este mal não é por isso menos homem. Não olhes pois para a pequenez do escravo, mas para a grandeza do mal.» Assim falava o centurião. E que lhe diz a Bondade suprema? «Eu irei contigo e curá-lo-ei. Eu que, em atenção aos homens, Me fiz homem, Eu que vim para todos, não desprezarei ninguém. Irei e curá-lo-ei.» Com a rapidez da sua promessa, Cristo aguça a fé do centurião: «Senhor, eu não mereço que entres em minha casa.» Estás a ver como o Senhor,Leia mais →

Ovelha contemplando o seu cordeiro levado ao matadouro (Is 53,7), consumida de dor, Maria segue com as outras mulheres, chorando: «Para onde vais, meu Filho? Por que percorres assim depressa o teu caminho? (Sl 18,6) Há outra boda em Caná, e é para lá que Te diriges tão depressa, para transformar a água em vinho? Posso acompanhar-Te, meu Filho, ou será melhor esperar por Ti? Diz-me uma palavra que seja, Tu que és o Verbo, não passes diante de mim em silêncio […], Tu, que és o meu Filho e o meu Deus. […] »Encaminhas-Te para uma morte injusta e ninguém partilha o teu sofrimento.Leia mais →

Não vos apresento um conjunto de bizarrias inauditas, mas aquilo mesmo que foi antecipadamente escrito no Antigo Testamento pelos profetas. Não ouvistes o grito de Moisés: «Suscitar-lhes-ei um profeta como tu, entre os seus irmãos» (Dt 18,18)? Não ouvistes Isaías anunciar: «A virgem está grávida e dará à luz um filho» (7,14)? Não ouvistes David proclamar: «Baixará como a chuva sobre a relva» (Sl 71,6)? […] Acreditai, pois, nos profetas, compreendei a realidade que eles anunciam, e encontrareis Jesus, o nazareno (Mt 2,23). Eis que vos mostrei o caminho: quem quiser, siga-o. Eis que acendi a chama; saí das trevas. Jesus, o nazareno: identifico-O peloLeia mais →

Irmãos, há um tempo para semear e um tempo para recolher, um tempo para a paz e um tempo para a guerra, um tempo para o trabalho e um tempo para o descanso (cf Qo 3). Para a salvação da alma, porém, todos os momentos são propícios e todos os dias são favoráveis, se assim quisermos. Estai, pois, sempre em movimento para o bem, fáceis de mover, cheios de frescura, passando das palavras aos atos. «Pois não são justos diante de Deus os que ouvem a lei», diz o apóstolo Paulo, «mas aqueles que observam a lei é que serão justificados» (Rom 2,13). Estamos noLeia mais →

Percorramos todas as épocas e veremos que, de geração em geração, o Mestre ofereceu a possibilidade de conversão a todos quantos queriam voltar-se para Ele. Noé pregou a conversão, e aqueles que o escutaram foram salvos. Jonas anunciou aos ninivitas a destruição que os ameaçava; eles arrependeram-se dos seus pecados, apaziguaram a Deus e, apesar de Lhe serem estranhos, alcançaram, por suas súplicas, a salvação. Pela sua vontade omnipotente, Deus quer que todos aqueles que ama participem da conversão. É por isso que devemos obedecer à sua magnífica e gloriosa vontade. Imploremos humildemente a sua misericórdia e a sua bondade; confiemo-nos à sua compaixão, abandonandoLeia mais →

Ó Mãe de Deus, sempre virgem, a tua sagrada partida deste mundo é verdadeiramente uma passagem, uma entrada na morada de Deus. Saindo deste mundo material, entras numa «pátria melhor» (Heb 11,16). O céu acolheu com alegria a tua alma: «Quem é esta, que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol?» (Cant 6,10) «O rei introduziu-te nos seus aposentos» (Cant 1,4) e os anjos glorificam aquela que é a Mãe do seu próprio Senhor, por natureza e em verdade, segundo o plano de Deus. […] Os apóstolos levaram o teu corpo sem mancha, o teu corpo, verdadeira arca da aliança,Leia mais →

Era no nosso tempo que o Senhor estava a pensar quando disse: «Quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé sobre a terra?» (Lc 18,8). Estamos a assistir à realização desta profecia. Já ninguém acredita no temor de Deus, nem na lei da justiça, nem na caridade, nem nas boas obras. […] Tudo aquilo que a nossa consciência temia, porque acreditava, deixou de temer, porque já não crê. Porque, se cresse, estaria vigilante; e, estando vigilante, salvar-se-ia. Despertemos pois, irmãos muito queridos, tanto quanto formos capazes. Sacudamos o sono da inércia. Velemos de forma a observar e a praticar os preceitos do Senhor. Sejamos comoLeia mais →