«O espírito impuro, agitando-o violentamente, soltou um forte grito e saiu dele.» É esta a sua maneira de exprimir a sua dor: sacudindo o homem com violência. Uma vez que não podia alterar a alma deste homem, o demónio exerceu a sua violência no corpo. Estas manifestações físicas eram, aliás, o único meio que tinha à sua disposição para demonstrar que estava a sair. Tendo o espírito puro manifestado a sua presença, o espírito impuro bate em retirada. […] «Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: “Que vem a ser isto?”» Olhemos para os Atos dos Apóstolos, e para os sinais que osLeia mais →

Se Jonas é figura do Senhor, por evocar, por meio da sua estadia de três dias e três noites nas entranhas do cetáceo, a Paixão do Salvador, a sua oração também deve ser uma expressão da oração do Senhor. «Fui rejeitado diante dos teus olhos. Mas verei ainda o teu santo templo» (Jn 2,5). Quando estava contigo, gozando da tua luz, não dizia: «Fui rejeitado». Mas, quando me encontrei no fundo do mar, envolvido na carne de um homem, assumi sentimentos de homem e disse: «Fui rejeitado diante dos teus olhos». Disse-o enquanto homem; e o que vem a seguir disse-o como Deus, Eu que,Leia mais →

«Regressai a Mim de todo o vosso coração», mostrai a vossa conversão «com jejum, lágrimas e sinais de luto» (Jl 2,12). Se jejuardes agora, depois sereis saciados; se chorardes agora, depois rireis; se fizerdes luto agora, mais tarde sereis consolados (cf Lc 6,21). […] Já não vos peço que «rasgueis as vossas vestes, mas os vossos corações» (Jl 2,13) porque eles estão tão cheios de pecados, que rebentarão como um odre se não os rasgardes. Quando o tiverdes feito, regressai ao Senhor vosso Deus de quem os vossos pecados passados vos afastaram. Não desespereis do perdão por causa da enormidade das vossas faltas, porque aLeia mais →

Quando leio o Evangelho e nele encontro testemunhos saídos da Lei ou dos Profetas, penso só em Cristo. Não leio Moisés nem os Profetas senão com a intenção de saber o que dizem eles de Cristo, uma vez que, tendo chegado ao esplendor de Cristo como à luz esplendorosa e brilhante do sol, não posso depois prestar atenção a uma lâmpada. Se acendermos uma lâmpada em pleno dia, o que alumia ela? Ao sol, a luz duma lâmpada é invisível. Do mesmo modo, na presença de Cristo, desaparecem por completo a Lei e os Profetas. Não critico a sua existência, muito pelo contrário, até aLeia mais →

«Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia». De acordo com a nossa interpretação, João representa a Lei e Jesus o Evangelho. Com efeito, João disse: «Depois de mim, vai chegar outro que é mais poderoso do que eu» (Mc 1,7), e ainda: «Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3,30): é assim que ele compara a Lei ao Evangelho. E diz seguidamente: «Eu vos baptizarei em água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo» (Mc 1,8). Jesus veio porque João tinha sido preso. Com efeito, a Lei está encerrada e fechada, já não tem a sua liberdade passada; mas nós passamos da Lei aoLeia mais →

«Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro». Esse espírito não podia suportar a presença do Senhor; tratava-se do espírito impuro que tinha conduzido os homens à idolatria. […] «Que acordo pode existir entre Cristo e Satanás?» (2Cor 6,15); Cristo e Satanás não podem estar associados um ao outro. «Começou a gritar: «Que tens Tu a ver conosco?» Aquele que assim grita é um indivíduo que se exprime em nome de várias pessoas; isto prova que tem consciência de ter sido vencido, ele e os seus. «Começou a gritar: ‘Que tens Tu a ver conosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem TuLeia mais →

Se Jesus Se aproximasse de nós e nos curasse da febre com uma simples palavra! Porque cada um de nós tem a sua febre. Quando me irrito, tenho febre – tantos vícios, outras tantas febres. Peçamos aos apóstolos que supliquem a Jesus que Se aproxime de nós, que nos toque com a mão. Se o fizer, a febre desaparecerá imediatamente, porque Jesus é um excelente médico. É Ele o verdadeiro, o grande médico, o primeiro de todos os médicos. […] Ele descobre o segredo de todas as doenças; e não nos toca no ouvido, nem na testa, […] mas na mão, ou seja, nas másLeia mais →

«Não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago». Podemos perguntar por que motivo leva Jesus sempre estes discípulos, e deixa os outros. Já quando Se transfigurou no monte estes três O acompanhavam. […] Os escolhidos são Pedro, sobre quem foi construída a Igreja, bem como Tiago, o primeiro apóstolo a receber a palma do martírio, e João, o primeiro a enaltecer a virgindade. […] «Entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: “Talitha Kum”, que significa: “Menina, Eu te ordeno: levanta-te”. Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos».Leia mais →

Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou-lhe: «Vês alguma coisa?» O conhecimento é sempre progressivo. […] Só à custa de muito tempo e de uma longa aprendizagem é que podemos atingir um conhecimento perfeito. Primeiro saem as sujidades, a cegueira desaparece, e é assim que vem a luz. A saliva do Senhor é um ensinamento perfeito; para ensinar de forma perfeita, ela provém da boca do Senhor; a saliva do Senhor provém, por assim dizer, da Sua substância, e o conhecimento, sendo a palavra que provém da Sua boca, é um remédio. […]Leia mais →

Alguns espantam-se com a ressurreição de Lázaro; ficam admirados com o facto de o filho de uma viúva ter ressuscitado. Outros ficam estupefactos com outros milagres. É certamente admirável tornar a dar vida a um corpo morto. Quanto a mim, fico mais impressionado com o acontecimento presente. Este homem, filho de um carpinteiro, um pobre sem morada fixa, sem sítio onde repousar, sem exército, que não era nem chefe nem juiz – que poder O autorizou a, […] sozinho, expulsar uma multidão tão numerosa? Ninguém protestou, ninguém ousou resistir, pois ninguém ousou opor-se ao Filho que reparava a injúria feita a Seu Pai. […] «EleLeia mais →