Deus não poderia ter feito o homem perfeito logo desde o princípio? Tudo é possível a Deus, que desde sempre é idêntico a Si mesmo e que não foi criado. Mas os seres criados, porque a sua existência começou depois da de Deus, são necessariamente inferiores àquele que os criou. […] Porque são criados, não são perfeitos; quando chegam ao mundo, são como crianças e, tal como as crianças, não estão acostumados nem treinados para uma conduta perfeita. […] Naturalmente que Deus podia dar ao homem a perfeição desde o princípio; mas o homem era incapaz de a receber, porque era apenas uma criança. FoiLeia mais →

«Suportai-vos uns aos outros no amor, esforçando-vos por manter a unidade do espírito mediante o vínculo da paz» (Ef 4,2). Não é possível manter a unidade e a paz, se os irmãos não se encorajarem uns aos outros ao apoio mútuo, mantendo um bom entendimento graças à paciência. […] Perdoar ao irmão que nos ofende, não só setenta vezes sete vezes, mas todas as faltas, amar os inimigos, rezar pelos adversários e pelos perseguidores (Mt 5,39.44; 18,22) – como chegar aí se não formos firmes na paciência e na benevolência? É o que vemos em Estêvão […]: em vez de pedir a vingança, pediu oLeia mais →

Ó misericórdias, enviadas e derramadas sobre todos os homens! É em Ti que elas permanecem, Senhor, Tu que, na tua piedade para com os homens, foste ao seu encontro, abrindo-lhes os tesouros das tuas misericórdias pela tua morte. […] Com efeito, o teu ser profundo está escondido aos olhos dos homens, mas fica esboçado em pequenos movimentos. As tuas obras fornecem-nos o esboço do seu Autor, tal como as criaturas nos designam o seu Criador (Sb 13,1; Rom 1,20), para que possamos tocar naquele que Se oculta à investigação intelectual mas Se revela nos seus dons. É difícil estarmos presentes a Ele face a face,Leia mais →

Acreditai em Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, mas, segundo o Evangelho, seu Filho único: «Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3,16). […] Ele é o Filho de Deus por natureza e não por adoção, pois nasceu do Pai. […] Porque o Pai, sendo Deus verdadeiro, gerou o Filho à sua semelhança, Deus verdadeiro. […] Cristo é filho por natureza, um verdadeiro filho, não um filho adotivo como vós, os novos batizados, que agora vos tornastes filhos de Deus. Porque vos tornastesLeia mais →

O pecado foi apagado e foi-nos dada a incorruptibilidade (1Cor 15,53); o precursor manifestou-nos a recuperação da graça ao dizer: «Eis o Cordeiro de Deus, que toma sobre Si os pecados do mundo.» Ele mostrou a ata da anulação aos que tinham contraído pesada dívida. Aquele que tinha saltado de alegria no seio materno proclamou-o hoje, e deu-o a conhecer Aquele que nos apareceu e tudo iluminou. O Batista proclama o mistério, chamando cordeiro ao pastor, e não apenas cordeiro, mas cordeiro que apaga todos os pecados. «Eis o cordeiro», diz; deixámos de ter necessidade de um bode expiatório (Lv 16,21). Erguei as mãos paraLeia mais →

Lucas apresenta uma genealogia que remonta do nascimento de Nosso Senhor até Adão e comporta setenta e duas gerações; deste modo, como que liga o fim ao principio, dando a entender que o Senhor foi Aquele que recapitulou em Si as nações dispersas desde Adão, as línguas e as gerações dos homens, incluindo o próprio Adão. É também por isso que Paulo chama a Adão «figura daquele que havia de vir» (Rom 5,14), porque o Verbo, Artesão do universo, tinha esboçado em Adão a futura história da humanidade de que Se revestiria o Filho de Deus. […] Ao tornar-Se o Primogénito de entre os mortosLeia mais →

No deserto, Nosso Senhor multiplicou o pão, e em Caná transformou a água em vinho. Habituou assim a boca dos homens ao seu pão e ao seu vinho, até ao momento em que lhes deu o seu corpo e o seu sangue. Fê-los saborear um pão e um vinho transitórios, para fazer crescer neles o desejo do seu corpo e do seu sangue vivificantes. […] Atraiu-nos com coisas agradáveis ao paladar, para nos conduzir àquilo que vivifica plenamente a nossa alma. Escondeu a doçura no vinho que fez, para mostrar aos convidados que tesouro incomparável se esconde no seu sangue vivificante. Como primeiro sinal, deuLeia mais →

«Uma voz clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas do nosso Deus» (Is 40,3). Declara abertamente o profeta Isaías que não é em Jerusalém, mas no deserto, que se há de realizar esta profecia, isto é, a manifestação da glória do Senhor e o anúncio da salvação para toda a humanidade. E tudo isto se cumpriu historicamente e à letra quando João Batista pregou o advento salvador de Deus no deserto do Jordão, onde se manifestou a salvação de Deus. De facto, Cristo manifestou-Se e a sua glória apareceu claramente a todos. […] Tudo isto se dizia porque Deus havia deLeia mais →

Perante a perversidade dos homens, o profeta Elias pensou tornar o castigo ainda mais duro. Vendo isso, o Misericordioso respondeu ao profeta: «Eu sei que o zelo pelo bem te consome (1Rs 19,14), conheço a tua boa vontade, mas tenho compaixão dos pecadores quando eles são desmesuradamente castigados. Irritas-te, tu a quem eles nada podem apontar, e não te resignas? Pois Eu não Me resigno a que um só deles se perca (Mt 18,14), porque sou o único amigo dos homens (Sb 1,6)». Em seguida, o Mestre, vendo o humor enfurecido do profeta para com os homens, preocupou-Se com eles. Afastou Elias da terra emLeia mais →

Mesmo que eu nada vos dissesse, irmãos, o tempo em que nos encontramos basta para nos advertir de que está próximo o aniversário da natividade de Cristo Nosso Senhor. A própria criação exprime a iminência de um acontecimento que restaura todas as coisas: também ela deseja impacientemente que as trevas sejam iluminadas pela claridade de um sol mais brilhante que o sol comum. Esta espera da criação pela renovação do seu ciclo anual convida-nos a esperar o nascimento do novo sol, que é Cristo, que ilumina as trevas dos nossos pecados. O sol da justiça (Mal 3,20), que surgirá em todo o seu esplendor, háLeia mais →