Depois deste tempo consagrado à observância do jejum, a alma chega, purificada e esgotada, ao batismo. Recobra então as forças mergulhando nas águas do Espírito; tudo o que tinha sido queimado pelas chamas das doenças renasce do orvalho da graça do céu. Abandonando a corrupção do homem velho, o neófito adquire uma nova juventude […]. Através de um novo nascimento, renasce outro homem, sendo embora o mesmo que tinha pecado. Por meio de um jejum ininterrupto de quarenta dias e quarenta noites, Elias mereceu pôr fim, graças à água que veio do céu, a uma seca longa e penosa na terra inteira (1Rs 19, 8;Leia mais →

Salve, Cruz vivificadora, troféu invencível de piedade, porta do Paraíso, conforto dos crentes, muralha da Igreja. Foi por ti que a corrupção foi aniquilada, o poder da morte anulado e abolido, e que nós fomos elevados da terra às coisas celestes. Tu és a arma invencível, o adversário dos demónios, a glória dos mártires, o verdadeiro ornamento dos santos, a porta da salvação. […] Salve, Cruz do Senhor, através da qual a humanidade foi liberta da maldição. Tu és o sinal da verdadeira alegria; quando és elevada, esmagas os nossos inimigos. Nós te veneramos, tu és o nosso socorro, a força dos reis, a firmezaLeia mais →

A força divina que o homem não pode tocar desceu, envolveu-Se num corpo palpável, para que os pobres Lhe tocassem, e, tocando a humanidade de Cristo, percebessem a Sua divindade. Através de dedos de carne, o surdo-mudo sentiu que lhe tocavam nas orelhas e na língua. Através de dedos palpáveis, percebeu a divindade intocável, quando o nó da sua língua foi quebrado e as portas fechadas das suas orelhas foram abertas. Porque o arquitecto e o artesão do corpo veio até ele e, com uma palavra suave, criou sem dor aberturas nas orelhas surdas; então, também a boca fechada, até então incapaz de dar vidaLeia mais →

Mesmo para ressuscitar os mortos, o Salvador não Se contenta em agir pela Sua palavra, apesar de portadora das ordens divinas. Para esta magnífica obra, toma em cooperação, se assim se pode dizer, a Sua própria carne, para mostrar que esta tem o poder de dar a Vida, e para que se perceba que forma uma só coisa com Ele: que é realmente a Sua própria carne e não um corpo estranho a Ele. Foi o que se passou quando Ele ressuscitou a filha do chefe da sinagoga, ao dizer-lhe: «Levanta-te, minha filha!» (Mc 5, 41) Tomou-lhe a mão, segundo o que está escrito. Devolveu-aLeia mais →

Cristo quis trazer a Si o mundo inteiro e conduzir a Deus Pai todos os habitantes da terra. Quis restabelecer todas as coisas num estado melhor e renovar, por assim dizer, a face da terra. Eis por que, mesmo sendo o Senhor do Universo, tomou «a condição de servo» (Fil 2, 7). Por isso, anunciou a Boa Nova aos pobres, afirmando que tinha sido enviado com esse objectivo (Lc 4, 18). Os pobres, ou antes, as pessoas que podemos considerar como pobres, são as que sofrem por se verem privadas de todo o bem, as «sem esperança e sem Deus no mundo» (Ef 2, 12),Leia mais →

O que a alma é para o corpo, os cristãos são-no no mundo. A alma está difundida por todos os membros do corpo, tal como os cristãos pelas cidades do mundo. A alma habita no corpo e, no entanto, não é do corpo, tal como os cristãos habitam no mundo, mas não são do mundo (Jo 17, 16). Invisível, a alma está prisioneira num corpo visível. Assim os cristãos: vivem no mundo, mas o culto que prestam a Deus é invisível. A carne detesta a alma e combate-a, sem dela ter recebido qualquer dano, mas porque ela a impede de gozar de todos os prazeres;Leia mais →

Vós não vistes a Deus; não reconhecestes o Senhor; não soubestes que era Ele, o Primogénito de Deus, O que foi gerado antes da estrela da manhã (Sl 109,3), O que fez surgir a luz, O que fez brilhar o dia, separando-o das trevas, O que fixou os primeiros limites, suspendendo a terra, secando os abismos, expondo o firmamento […], O que criou os anjos do céu, O que no céu fixou os tronos, O que modelou o homem sobre a terra. Foi Ele que escolheu Israel, foi Ele que o guiou desde Adão até Noé, desde Noé até Abraão, desde Abraão até Isaac eLeia mais →

O próprio Verbo, a Palavra de Deus, diz pela boca do Profeta Isaías que Ele tinha de Se manifestar no meio de nós – com efeito, o Filho de Deus fez-Se filho de homem – e de Se deixar conhecer por nós, que anteriormente O não conhecíamos: «Eu estava à disposição dos que me consultavam, saía ao encontro dos que não me buscavam. Dizia: “Eis-me aqui, eis-me aqui” a um povo que não invocava o meu nome» (Is 65, 1). […] É também este o sentido daquelas palavras de João Baptista: «Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão» (Mt 3, 9). Com efeito, depoisLeia mais →

Enquanto Cristo participava na boda e a multidão dos convivas festejava, faltou-lhes o vinho e a alegria transformou-se em decepção. […] Vendo isso, a puríssima Maria vem imediatamente dizer ao Filho: «Já não têm mais vinho. Por isso, peço-Te, Meu Filho, mostra que podes tudo, Tu que tudo criaste com sabedoria». Por favor, Virgem venerável, na sequência de que milagres soubeste Tu que o Teu Filho, sem ter vindimado a uva, podia conceder o vinho, se Ele não tinha anteriormente feito milagres? Ensina-nos […] como disseste a Teu Filho: «Dá-lhes vinho, Tu que tudo criaste com sabedoria». «Eu mesma vi Isabel chamar-me Mãe de DeusLeia mais →

A glória convém a Deus devido à Sua grandeza e a humildade convém ao homem porque faz dele família de Deus. Se assim agirmos, ficaremos alegres a exemplo de São João Baptista, e começaremos a repetir sem descanso: «Ele é que deve crescer e eu diminuir». Conheço uma pessoa que ama tanto a Deus – embora se aflija por não O amar tanto como gostaria –, que a sua alma experimenta sem cessar este desejo ardente: que Deus seja glorificado nele e que ele próprio se apague. Um homem assim não sabe quem é, ainda que receba elogios, porque, no seu grande desejo de seLeia mais →