Cristo confiou-nos o mistério da reconciliação (2Cor 5,18). São Paulo realça a grandeza dos Apóstolos ao mostrar-nos que mistério lhes foi confiado, ao mesmo tempo que manifesta com que amor Deus nos amou. Depois de os homens se terem recusado a ouvir Aquele que Ele lhes tinha enviado, Deus não fez soar a sua cólera, nem os rejeitou, mas persiste em chamá-los, por Si próprio e através dos Apóstolos. […] «Deus pôs na nossa boca a palavra da reconciliação» (v. 19). Viemos portanto, não para uma obra penosa, mas para fazer de todos os homens amigos de Deus. Se não vos escutarem, diz-nos o Senhor,Leia mais →

Os que vêm a Deus e se apoiam nele com o desejo de serem salvos são verdadeiramente salvos: é a inspiração divina que os faz conceber esse desejo de salvação; iluminados por Aquele que os chama, chegam ao conhecimento da verdade. Eles são os filhos da promessa, a recompensa da fé, a descendência espiritual de Abraão: «Sois linhagem escolhida, sacerdócio real» (1Pe 2,9), há muito anunciados e predestinados à vida eterna. […] Por intermédio de Isaías, o Senhor deu-nos a conhecer a sua graça, que faz de todo o homem uma criatura nova: «Pois vou realizar algo de novo, que já está a aparecer: nãoLeia mais →

Vamos participar na festa da Páscoa. Voltaremos a fazê-lo de maneira simbólica, mas já de maneira mais clara do que sob a antiga Lei, porque essa Páscoa era, se assim ouso exprimir-me, uma imagem obscura do próprio símbolo. […] Participemos nesta festa ritual de maneira evangélica, e não literária, de maneira perfeita, e não inacabada, em atitude de eternidade, e não de instante. Não tomemos como capital a Jerusalém terrena, mas a cidade celeste, não a que é hoje esmagada aos pés pelos exércitos, mas a que é glorificada pelos anjos. Não sacrifiquemos os jovens touros e os novilhos com chifres e unhas (cf SlLeia mais →

Aqueles que se agarram inutilmente a vaidades perderão a misericórdia que lhes é oferecida» (Jon 2,9,LXX). Deus é misericordioso por natureza e está pronto a salvar por clemência aqueles que não pode salvar por justiça. Nós, porém, com os nossos vícios, perdemos a misericórdia que estava preparada e se nos oferecia. […] Ainda que tenha sido ofendida, a Misericórdia – ou seja, o próprio Deus, pois «Deus é misericordioso e bom, paciente e cheio de compaixão» (Sl 144,8) – não abandona aqueles que se agarram a vaidades, nem os amaldiçoa; mas espera que regressem, ao passo que eles abandonam deliberadamente a misericórdia que têm dianteLeia mais →

«O Senhor apareceu a Abraão junto dos carvalhos de Mambré, quando ele estava sentado à porta da sua tenda, durante as horas quentes do dia» (Gn 18,1). Enquanto os outros repousavam, Abraão aguardava a chegada de eventuais hóspedes. Bem merecia, portanto, que Deus viesse ter com ele junto aos carvalhos de Mambré, visto que procurava exercer a hospitalidade com tanta prontidão. […] Sim, a hospitalidade é boa e tem a sua própria recompensa: atrai a gratidão dos homens e — mais importante ainda — merece um salário da parte de Deus. Todos somos, nesta terra de exílio, hóspedes de passagem. Durante algum tempo podemos alojar-nosLeia mais →

Sendo igual ao Pai, o Filho de Deus não recebeu o poder de julgar, mas tem-no em comum com o Pai; e recebeu-o de modo que tanto os bons como os maus O vejam julgar, porque Ele é o Filho do homem. A visão do Filho do homem também será dada aos perversos, mas a visão da sua divindade será dada apenas aos puros de coração, porque estes verão a Deus (cf Mt 5,8). O que é a vida eterna senão esta visão, que será negada aos ímpios? «Esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo,Leia mais →

Que «estejam cingidos os nossos rins e acesas as nossas lâmpadas»; sejamos semelhantes «aos homens que esperam o seu senhor ao voltar do seu noivado» (Lc 12,35). Não sejamos como aqueles ímpios que dizem: «Comamos e bebamos, que amanhã morreremos» (1Cor 15,32). Quanto mais incerto é o dia da nossa morte, mais dolorosas são as tribulações desta vida; e devemos jejuar e orar ainda mais, porque efetivamente morreremos amanhã: «dentro em pouco já Me não vereis e pouco depois voltareis a ver-Me» (Jo 16,16). Agora é o momento acerca do qual Ele disse: «Chorareis e lamentar-vos-eis; o mundo alegrar-se-á e vós estareis tristes» (v. 20);Leia mais →

Rezamos no templo de Deus quando rezamos na paz da Igreja, na unidade do corpo de Cristo, porque o corpo de Cristo é constituído pela multidão dos crentes espalhados por toda a Terra. […] Para sermos atendidos, é neste templo que temos de rezar, «em espírito e verdade» (Jo 4,23), e não no Templo material de Jerusalém. Este era «uma sombra das coisas que hão de vir» (Col 2,17), e por isso caiu em ruínas. […] Este Templo que caiu não podia ser a casa de oração da qual foi dito: «A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos» (Mc 11,17;Leia mais →

A Igreja tem duas vidas preconizadas e recomendadas por Deus. Uma é na fé, a outra na visão; uma na peregrinação no tempo, a outra na morada da eternidade; uma no trabalho, a outra na quietude; uma no caminho, a outra na pátria; uma no esforço da ação, a outra na recompensa da contemplação. […] A primeira é representada pelo apóstolo Pedro, a segunda por João. A primeira decorre inteiramente na Terra até ao fim do mundo, e depois acaba. A segunda só encontrará a sua plenitude depois do fim do mundo, e não terá fim no mundo que há de vir. Foi por issoLeia mais →

Nesta passagem, o Senhor previne-nos contra os juízos temerários e injustos, pois pretende que ajamos com um coração simples, olhando sempre só para Deus. Dado que ignoramos os motivos de muitas ações, seria temerário da nossa parte julgá-las. Os mais dispostos a fazer juízos temerários e a condenar os outros são aqueles que preferem condená-los a corrigi-los e conduzi-los ao bem, uma atitude que denota orgulho e mesquinhez. […] Por exemplo, um homem peca por cólera, e tu repreende-lo com ódio. Ora, entre a cólera e o ódio vai a mesma distância que separa a trave do argueiro. O ódio é uma cólera inveterada que,Leia mais →