«Depois de haver completado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da majestade divina nas alturas» (Heb 1, 3). […] Foi, pois, para nos servir que Ele veio de junto de Seu Pai a este mundo. E o cúmulo é que não é apenas no momento em que aparece nesta terra, revestido da enfermidade humana, que Se apresenta sob a forma de escravo, escondendo a Sua qualidade de senhor; será também mais tarde, no dia em que vier com todo o Seu poder e aparecer em toda a glória de Seu Pai, aquando da Sua manifestação. Quando vier no Seu reino, «cingir-Se-á, mandará que seLeia mais →

«Vi uma multidão imensa…, de todas as nações, raças, povos e línguas…, de pé, diante do trono e diante do Cordeiro» (Ap. 7,9) Fortalecidos com os ensinamentos [da Escritura], caminhemos sem tremer para o nosso redemptor, Jesus, para a assembleia dos patriarcas, partamos para o nosso pai, Abraão, assim que o dia chegar. Caminhemos para essa congregação dos santos, essa assembleia de justos. Iremos para os nossos pais, aqueles que nos ensinaram a fé; mesmo se as obras nos faltam, que a fé nos ajude, defendamos a nossa herança! Iremos aos lugares onde Abraão abre o seu seio aos pobres como Lázaro (Lc 16,19s); aíLeia mais →

Quando chegou para a natureza humana o momento de se encontrar com a natureza divina e de ficar unida a ela tão intimamente que as duas não formassem senão uma só pessoa, cada uma delas devia necessariamente ter-se manifestado já na sua integridade. No que toca a Deus, Ele tinha-se revelado da maneira que convinha a Deus; a Virgem é aquela que dá à luz a natureza humana… Até parece que, se Deus se misturou com a natureza humana não na sua origem mas no fim dos tempos (Ga 4,4), foi porque, antes desse momento, esta natureza ainda não tinha plenamente nascido, ao passo queLeia mais →

«Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato.» Como vedes, os nossos corpos são aqui designados por nomes de objectos frágeis e feitos de barro, que se partem com uma simples queda. E os sentimentos íntimos da alma são designados por expressões e gestos do corpo, como aquilo que está no interior do copo pode ser visto do exterior. […] Como vedes, não é o exterior deste copo e deste prato que nos suja, é o seu interior. Como bom mestre que é, Jesus ensina-nos a limpar as manchas do corpo, dizendo: «Dai antes de esmola o que estará dentro e tudoLeia mais →

Pedro e João acorrem juntos ao túmulo. O túmulo de Cristo é a Sagrada Escritura, em que os mistérios mais obscuros da Sua divindade e da Sua humanidade se encontram protegidos, se assim ouso expressar-me, por uma muralha de rocha. Mas João corre mais depressa do que Pedro, porque o poder da contemplação totalmente purificada entra nos segredos das obras divinas com um olhar mais penetrante e mais vivo do que o poder da acção, que ainda tem necessidade de ser purificada. Mas Pedro é o primeiro a entrar no túmulo; João segue-o. Correm os dois e entram os dois. Aqui, Pedro é a imagemLeia mais →

Quando lês que Jesus «ensinava nas sinagogas e todos O elogiavam», guarda-te de considerar felizes aqueles que então ouviram Cristo, considerando-te como que privado de ensinamento. Porque, se a Escritura é verídica, o Senhor não falou apenas antigamente, nas assembleias dos judeus, mas fala também hoje, na nossa, e não apenas aqui e agora, mas nas audiências do mundo inteiro. […] Hoje, Jesus é ainda mais «elogiado por todos» do que no tempo em que só era conhecido numa região. […] «Ele ungiu-me», diz Ele, «para anunciar a Boa-Nova aos pobres», significando que os pobres são os pagãos; com efeito, eram pobres por não teremLeia mais →

Em nós, a voz e a palavra não são a mesma coisa, porque a voz pode fazer-se ouvir sem conferir sentido, sem palavras, e a palavra também pode ser transmitida ao espírito sem voz, como acontece quando pensamos. Da mesma maneira, sendo o Salvador a Palavra […], João difere Dele por ser a voz, por analogia com Cristo, que é a Palavra. É isso que o próprio João responde àqueles que lhe perguntam quem é ele: «Eu sou a voz do que brada no deserto: “Aplanai o caminho do Senhor”» (Jo 1,23). Talvez seja por isso, por ter duvidado do nascimento dessa voz que viriaLeia mais →

Foram três os escolhidos para subir à montanha, dois para aparecer com o Senhor. […] Sobe Pedro, ele que recebeu as chaves do Reino dos Céus, sobe João, a quem será confiada a Mãe de Jesus, e sobre Tiago, que será o primeiro a ascender à dignidade de bispo. Em seguida, aparecem Moisés e Elias, a lei e a profecia, com o Verbo. […] Subamos, também nós, à montanha, imploremos ao Verbo de Deus que nos apareça em todo o Seu esplendor e em toda a Sua beleza, que seja forte, que avance pleno de majestade e que reine. […] Pois, se não subires aoLeia mais →

Maria devia primeiro ter sido uma Marta, antes de se tornar realmente uma Maria. É que, quando estava sentada aos pés de Nosso Senhor, ainda não o era: era-o no nome, mas não na sua realização espiritual. Algumas pessoas levam as coisas tão longe, que querem libertar-se de todas as obras. Eu digo que isso não está bem! Só depois do tempo em que receberam o Espírito Santo, é que os discípulos começaram a criar alguma coisa de sólido. Maria também, enquanto estava sentada aos pés de Nosso Senhor, ainda  estava a aprender; apenas acabara de entrar para a escola; aprendia a viver. Mas, depois,Leia mais →

Não podemos limitar a oração a pedidos em palavras. Com efeito, Deus não precisa apenas que Lhe façam discursos; mesmo que nada Lhe peçamos, sabe aquilo de que precisamos. O que dizer? A oração não consiste em fórmulas; antes abarca a vida toda. «Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus», diz o apóstolo Paulo (1 Cor 10, 31). Estás à mesa? Reza: ao pegar no pão, agradece Àquele que to concede; ao beber o vinho, lembra-te Daquele que te proporcionou este dom, para te alegrar o coração e te consolar das tristezas. Terminada a refeição, não teLeia mais →