«Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado» (Mt 23, 12. […] Imitemos o Senhor, que desceu do céu até ao mais radical abaixamento, para ser depois exaltado, do último lugar até às alturas que Lhe convêm. Descubramos tudo aquilo que o Senhor nos ensina para nos conduzir à humildade. Acabado de nascer, ei-Lo numa gruta, deitado, não num berço, mas numa manjedoura. Na casa de um artesão e de uma mãe sem recursos, é submisso à Sua mãe e ao esposo desta. Deixou-Se ensinar, ouvindo aqueles dos quais não tinha a menor precisão, interrogando-os de tal maneira que os deixou espantadosLeia mais →

Está dito que só a ajuda de Deus salva. Quando um homem sabe que não há mais nenhum socorro, reza muito. E, quanto mais reza, mais o seu coração se torna humilde, porque não se pode rezar e pedir sem se ser humilde. “Não desprezarás, ó Deus, um coração oprimido e humilhado” (Sl 50,19). Com efeito, enquanto o coração não se torna humilde, é-lhe impossível escapar à dispersão; a humildade faz o coração virar-se sobre si mesmo. Quando o homem se torna humilde, imediatamente a compaixão o envolve e o seu coração sente então o socorro divino. Descobre que nele sobe uma força, a forçaLeia mais →

A humildade é uma força secreta que os santos recebem quando levam a cabo toda a ascese da sua vida. Na verdade, esta força só é dada aos que atingem a perfeição da virtude pelo efeito da graça. […] É a mesma força que receberam os bem-aventurados apóstolos sob forma de fogo. Com efeito, o Salvador tinha-lhes ordenado que não deixassem Jerusalém enquanto não tivessem recebido a força vinda do alto (Act 2, 3; 1, 4). Jerusalém simboliza aqui a virtude. E a força vinda do alto é  o Paráclito, isto é, o Espírito Consolador. Ora, isso é o que a Sagrada Escritura tinha dito:Leia mais →

Quero abrir a boca, irmãos, para vos falar do altíssimo assunto da humildade. E estou cheio de temor, como quem sabe que deve falar de Deus com a língua dos seus próprios pensamentos. Porque a humildade é a roupagem da Divindade. Fazendo-se homem, o Verbo revestiu-se de humildade. Através dela, viveu connosco dentro de um corpo. E todo o que vive na humildade torna-se verdadeiramente semelhante Àquele que desceu das alturas e cobriu a sua grandeza e a sua glória com as vestes da humildade, para que, ao vê-lo, a criação não fosse consumida. Porque a criação não teria podido contemplá-lo se Ele não tivesseLeia mais →

Presta atenção ao mistério de Cristo! Ele nasceu do seio da Virgem, quer como Servo quer como Senhor; Servo para executar, Senhor para mandar, para enraizar no coração dos homens um Reino para Deus. Ele tem uma dupla origem, mas é um só ser. Não é um quando vem do Pai e outro quando vem da Virgem. Ele é o mesmo, nascido do Pai antes de todos os séculos, que encarnou pela Virgem no tempo. Eis a razão pela qual é chamado Servo e Senhor: Servo por nossa causa; mas, devido à unidade da substância divina, Deus de Deus, Príncipe dos Príncipes, Filho igual emLeia mais →

No decorrer da refeição, Jesus levantou-se da mesa e despojou-se das suas vestes tomando uma aparência de escravo, como o mostram estas  palavras: “Ele tomou uma toalha e cingiu-a à cintura”, para não estar completamente nu e para enxugar os pés dos seus discípulos com a sua  própria toalha (Jo 13, 2-5). Vede a que ponto se abaixou a grandeza e a glória do Verbo feito carne; para lavar os pés dos seus discípulos: “Ele  deita água numa bacia”.  “Abraão elevou os olhos e viu uns homens de pé em frente dele. Da porta da sua tenda, correu ao seu encontro e prostrou-se por terraLeia mais →

Há quem se deixe abater pela dúvida ao ver no corpo de Cristo os estigmas da Paixão, e se pergunte: «Quem é este rei glorioso?» (Sl 23, 8). Responde-lhes que é o Cristo, «forte e poderoso» (v.8) em tudo quanto fez e continua a fazer. […] Faz-lhes ver a beleza da túnica envergada que é o corpo sofredor de Cristo, embelezado pela Paixão e transfigurado pelo brilho da divindade, essa túnica de glória que foi o objecto mais belo e mais digno de ser amado neste mundo. […] Ele será pequeno pelo facto de Se ter feito humilde por tua causa? Será desprezível pelo factoLeia mais →

Não podemos limitar a oração a pedidos em palavras. Com efeito, Deus não precisa apenas que Lhe façam discursos; mesmo que nada Lhe peçamos, sabe aquilo de que precisamos. O que dizer? A oração não consiste em fórmulas; antes abarca a vida toda. «Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus», diz o apóstolo Paulo (1 Cor 10, 31). Estás à mesa? Reza: ao pegar no pão, agradece Àquele que to concede; ao beber o vinho, lembra-te Daquele que te proporcionou este dom, para te alegrar o coração e te consolar das tristezas. Terminada a refeição, não teLeia mais →

A bondade de Deus, como refiro freqüentemente, não abandonou os que Ele criou, mas continua a voltar-se para eles e a lembrar-lhes: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e aliviar-vos-ei» (Mt 11,28). Isso é: estais cansados, estais infelizes, tivestes a experiência do mal da vossa desobediência. Vinde, convertei-vos; vivei pela humildade, vós que estáveis mortos devido ao orgulho. […] Oh, meus irmãos, o que não faz o orgulho, e que poder é o da humildade! Que necessidade havia de todos esses desvios? Se desde o início o homem tivesse permanecido humilde e tivesse obedecido a Deus […], não teria caído. MesmoLeia mais →

Assim que Cristo entra em nós com a sua própria carne, nós revivemos inteiramente; é inconcebível ou, mais ainda, impossível, que a vida não faça viver aqueles nos quais se introduziu. Tal como se cobre um tição ardente com um monte de palha para manter intacto o germe do fogo, assim nosso Senhor Jesus Cristo esconde a vida em nós pela sua própria carne e coloca aí como que uma semente de imortalidade, que afasta toda a corrupção que trazemos em nós. Não é pois apenas pela sua palavra que ele realiza a ressurreição dos mortos. Para mostrar que o seu corpo dá a vida,Leia mais →