O paralítico da piscina de Betzatá esperava um homem [para o ajudar a descer à piscina]. Quem era esse homem, a não ser o Senhor Jesus, nascido da Virgem? Com a Sua vinda, Ele não prefigurou apenas a cura de algumas pessoas; Ele era a própria verdade que cura todos os homens. Por conseguinte, era Ele que se esperava que descesse, Ele de Quem Deus Pai disse a João Baptista: «Aquele sobre Quem vires o Espírito descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo» (Jo 1, 33). […] Então, por que desceu o Espírito como uma pomba, se não para que tu a vissesLeia mais →

Não é estranho, meus amigos, que Deus nos exorte sempre à virtude, e que nos furtemos a esse socorro, que devolvamos a salvação? Não nos convida João também à salvação, não é todo ele uma voz que nos exorta? Perguntemos-lhe pois: «Quem és tu entre os homens, e donde vens?» Ele não dirá que é Elias e negará que é o Cristo, mas confessará que é uma voz que grita no deserto. (Jo 1,20s). Quem é pois João? Para tomar uma imagem, permiti-me dizer: uma voz do Verbo, da Palavra de Deus, que nos exorta gritando no deserto…: »Aplanai os caminhos do Senhor» (Mt 1,3).Leia mais →

Em nós, a voz e a palavra não são a mesma coisa, porque a voz pode fazer-se ouvir sem conferir sentido, sem palavras, e a palavra também pode ser transmitida ao espírito sem voz, como acontece quando pensamos. Da mesma maneira, sendo o Salvador a Palavra […], João difere Dele por ser a voz, por analogia com Cristo, que é a Palavra. É isso que o próprio João responde àqueles que lhe perguntam quem é ele: «Eu sou a voz do que brada no deserto: “Aplanai o caminho do Senhor”» (Jo 1,23). Talvez seja por isso, por ter duvidado do nascimento dessa voz que viriaLeia mais →

Nosso Senhor diz que João é o maior dos profetas, mas ele recebeu o espírito de maneira moderada, uma vez que obteve um espírito semelhante ao que Elias recebera. Tal como Elias permanecera na solidão, o Espírito de Deus enviou João para o deserto, para as montanhas e as grutas. Um corvo havia voado em auxílio de Elias para alimentá-lo; João comia gafanhotos. Elias usava um cinto de pele; João vestia uma faixa de pele em torno dos rins. Elias foi perseguido por Jezabel; Herodíades perseguiu João. Elias repreendera Acab; João censurou Herodes. Elias dividira as águas do Jordão; João inaugurou o batismo. O duploLeia mais →

Pelo seu nascimento, São João pôs fim ao silêncio de Zacarias: a partir desse momento, não pôde mais calar-se aquele que gerou a voz que brada no deserto (Mt 3, 3), anunciando a vinda de Cristo. Mas, como a incredulidade começara por prender a língua do pai, a manifestação devolveu-lhe a liberdade; e foi assim anunciada, e depois trazida à luz a voz do Verbo, o Precursor da Claridade, que intercede pelas nossas almas. Neste dia, a Voz do Verbo liberta a voz paternal, prisioneira da sua falta de fé; da Igreja manifesta a fecundidade, fazendo cessar a maternal esterilidade. À frente da luz avança oLeia mais →

Os discípulos dizem que têm apenas cinco pães e dois peixes. Os cinco pães significavam que estavam ainda submetidos aos cinco livros da Lei, e os dois peixes que eram alimentados pelos ensinamentos dos profetas e de João Baptista. […] Eis o que os apóstolos tinham para oferecer em primeiro lugar, uma vez que ainda se encontravam ali; e foi dali que partiu a pregação do Evangelho. […] O Senhor tomou os pães e os peixes. Ergueu os olhos ao céu, abençoou-os e partiu-os. Dava graças ao Pai por estar encarregado de os alimentar com a Boa Nova, após os séculos da Lei e dosLeia mais →