Observemos que é quando Jesus se aproxima de Jericó que o cego recupera a vista. Jericó significa «lua» e na Sagrada Escritura a lua é o símbolo da carne votada ao desaparecimento; em determinado momento do mês ela diminui, simbolizando o declínio da nossa condição humana votada à morte. É, pois, ao aproximar-se de Jericó que o nosso Criador faz com que o cego recupere a vista. É ao tornar-Se próximo de nós pela carne, de que Se revestiu, com a sua mortalidade, que Ele torna a dar ao género humano a luz que tínhamos perdido. É porque Deus endossa a nossa natureza que oLeia mais →

O Nosso Redemptor, prevendo que os discípulos ficassem perturbados com a sua Paixão, anuncia-lhes com muita antecedência os sofrimentos da sua Paixão e a glória da sua Ressurreição (Luc 18, 31-33). Assim, vendo-o morrer como lhes anunciara, não duvidariam da sua Ressurreição. Mas, presos ainda à nossa condição carnal, os discípulos não podiam compreender estas palavras anunciando o mistério (v. 34). É então que intervém um milagre: debaixo dos seus olhos, um cego recupera a visão, para que aqueles que eram incapazes de assimilar as palavras do mistério sobrenatural fossem sustentados na sua fé à vista de um acto sobrenatural. É que devemos ter umLeia mais →

O sol e a lua iluminam os nossos corpos; também Cristo e a Igreja iluminam os nossos espíritos. Isto é, iluminam-nos se nós não formos cegos  espirituais. Porque, do mesmo modo que o sol e a lua não deixam de derramar a sua claridade sobre os cegos que, contudo, não podem  acolher a luz, também Cristo envia a sua luz aos nossos espíritos. Mas esta iluminação só tem lugar se a nossa cegueira não lhe puser  obstáculos. Por isso, que os cegos comecem por seguir a Cristo gritando: “Tem piedade de nós, Filho de David!” (Mt 9,27) e, quando tiverem recuperado a vista graças aLeia mais →

Com os olhos do corpo, observamos o que se passa na vida e na terra; discernimos a diferença entre a luz e a escuridão, entre o branco e o preto, entre o feio e o belo […]; o mesmo acontece com aquilo que o ouvido abarca: sons agudos, graves, agradáveis. Mas também temos ouvidos no coração e olhos na alma, sentidos que podem captar a Deus. Com efeito, Deus deixa-Se percepcionar porque aqueles que são capazes de O ver, depois de se lhes terem aberto os olhos da alma. Todos nós temos olhos físicos, mas alguns têm-nos velados, e não vêem a luz do sol.Leia mais →

A minha alma estava impaciente por aprender aquilo que é o princípio e a essência da filosofia. […] A inteligência das coisas incorpóreas cativava-me inteiramente; a contemplação das idéias dava asas ao meu pensamento. Imaginei-me sábio em pouco tempo e até fui suficientemente tolo para esperar ver a Deus de imediato, pois tal é o objetivo da filosofia de Platão. Nesse estado de espírito, […] dirigi-me a um sítio isolado junto ao mar, onde esperava ficar só, quando um velhinho começou a seguir-me. […] ─ O que te trouxe aqui? ─ perguntou-me. ─ Gosto deste gênero de caminhadas […], são muito favoráveis à meditação filosófica.Leia mais →

Não consigo ver a tua luz: é demasiado brilhante para a minha vista. E no entanto, tudo o que vejo é graças à Tua luz que o distingo, como os nossos olhos frágeis vêem, graças ao sol, tudo o que avistam, sem no entanto conseguirem olhar directamente para o sol. A minha inteligência fica impotente perante a Tua luz, que é demasiado brilhante. Os olhos da minha alma são incapazes de a receber, não suportando sequer ficar muito tempo fixos nela. O meu olhar fica ferido pelo seu brilho, ultrapassado pela sua extensão; perde-se na sua imensidão e fica confundido perante a sua profundidade. ÓLeia mais →