Poderá Deus recusar a oração que se eleva a Ele?

«Sobre a oração», 28-29

«Vai chegar a hora […] em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade» (Jo 4,23), e Ele deseja tais adoradores. Nós somos verdadeiros adoradores e verdadeiros sacerdotes quando oramos em espírito, oferecendo nossa oração a Deus em sacrifício, como vítima que Lhe agrada, que Ele aceita, que Ele previamente pediu e escolheu. Esta vítima, consagrada de todo o coração, alimentada pela fé, elevada na verdade, íntegra pela inocência e coroada pela caridade, é essa que devemos levar ao altar de Deus com um séquito de boas ações, entre salmos e hinos, e por ela obteremos tudo da parte de Deus.

Poderá Deus recusar alguma coisa à oração que sobe até Ele em espírito e verdade, quando foi Ele próprio que a exigiu? Nós lemos, ouvimos dizer e cremos nas inúmeras provas da sua eficácia! A oração antiga já libertava do fogo, das feras e da fome; e, contudo, ainda não tinha recebido de Cristo a forma devida. Quão mais eficaz não será a oração cristã! Ela não faz descer o anjo que proporciona orvalho no meio das chamas, não fecha a boca dos leões, não leva alimento aos famintos, não suprime as paixões dos sentidos pela graça; mas ensina a paciência aos que sofrem, dando-lhes uma fé que lhes permite compreender aquilo que o Senhor reserva aos que sofrem pelo nome de Deus. […]

Todas as criaturas rezam: os rebanhos e as feras rezam e dobram os joelhos, e não é por acaso que, ao sair dos estábulos e das tocas, fazem vibrar o ar com os seus gritos, cada qual conforme a sua natureza. Até as aves que voam no céu estendem as asas em forma de cruz, dizendo alguma coisa que se assemelha a uma oração. Que mais dizer sobre o dever da oração? O próprio Senhor rezou, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos.

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