Moral sobre Jacob, Livro XIV, SC 212
Analisemos cuidadosamente as palavras do bem-aventurado Job para ver se a ressurreição será verdadeira e se o corpo será verdadeiro na ressurreição. Na verdade, não podemos duvidar da sua esperança na ressurreição, pois ele diz: «Eu sei que o meu Redentor está vivo e no último dia Se levantará sobre a Terra» (Jb 19,25); e, quanto à hesitação sobre a verdadeira restauração do corpo, ele também a descartou com estas palavras: «Revestido da minha pele, estarei de pé» e, para afastar qualquer ambiguidade do nosso pensamento, acrescenta: «Na minha carne verei a Deus» (Jb 19,26). Eis aqui afirmadas, em termos expressos, a ressurreição, a pele e a carne. O que resta, então, que possa mergulhar o nosso espírito na dúvida? […]
Nós, que seguimos a fé do bem-aventurado Job e acreditamos que, após a ressurreição, o corpo do nosso Redentor era verdadeiramente palpável, confessamos que, após a ressurreição, a nossa carne será ao mesmo tempo a mesma e diferente, a mesma na sua natureza e diferente na sua glória, a mesma na sua verdade e diferente no seu poder. Será, portanto, subtil, porque também será incorruptível; mas será palpável, porque não perderá a essência da sua verdadeira natureza.
Mas com que esperança o santo mantém essa confiança na ressurreição, com que certeza a espera? É isso que expressam estas palavras: «Dentro de mim suspira o meu coração» (Job 19,27). Para nós, não há nada no mundo que seja mais seguro do que aquilo que guardamos no fundo do nosso coração; foi, pois, no fundo do seu coração que Job guardou a sua esperança na ressurreição.


