«A glória que deve revelar-se em nós»

«Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago» e, levando-os ao alto de um monte, manifestou-lhes o brilho da sua glória. Pois, embora eles tivessem compreendido que a majestade de Deus residia nele, ignoravam que o seu corpo, que escondia a sua divindade, também participava no poder de Deus. Foi por isso que o Senhor garantiu expressamente, alguns dias antes, que alguns dos seus discípulos não conheceriam a morte antes de o Filho de homem vir no seu Reino (cf Mt 16,28), ou seja, no brilho régio […] que convinha especialmente à natureza humana que Ele tinha assumido. […]

Esta transfiguração tinha como objetivo, em primeiro lugar, afastar do coração dos discípulos o escândalo da cruz, para que a humildade da Paixão voluntariamente sofrida não afetasse a fé daqueles que tivessem visto a grandeza da dignidade oculta. Mas a transfiguração também estabeleceu na Igreja de Jesus a esperança destinada a sustentá-la, de sorte que os membros do corpo de Cristo compreendessem a mudança que um dia se operaria neles, dado que haviam sido chamados a participar na glória que tinham visto resplandecer no seu Chefe, na sua cabeça.

A este propósito, o próprio Senhor tinha-lhes dito, ao falar da majestade do seu advento: «Nesse dia, os justos brilharão como o Sol no Reino de seu Pai» (Mt 13,43). E o apóstolo Paulo afirma a mesma coisa quando diz: «Considero, com efeito, que os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação com a glória que há de revelar-se em nós» (Rm 8,18); e, noutra passagem: «Pois vós estais mortos e a vossa vida está, desde agora, oculta com Cristo em Deus; quando Cristo Se manifestar, Ele, que é a vossa vida, também vós vos manifestareis com Ele na plenitude da glória» (Cl 3,3-4).

São Gregório Magno (c. 540-604)
Sermão 51, 2-6; SC 74 bis
Fonte: Evangelho Cotidiano


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