Diz Cristo aos doutores da Lei: «Ai de vós, doutores da Lei, porque tirastes a chave da ciência» (Lc 11,52). O que é a chave da ciência, senão a graça do Espírito Santo que nos foi dada dada pela fé, que produz, por iluminação, o conhecimento pleno, e que abre o nosso espírito fechado e velado? […] E direi ainda: a porta é o Filho: «Eu sou a Porta», diz Ele (Jo 10,7). A chave da porta é o Espírito Santo: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos» (Jo 20,22-23). A casa é o Pai: «Na casa de meu Pai há muitas moradas» (Jo 14,2). Presta pois atenção ao sentido espiritual destas palavras. […] Se a porta não se abrir, ninguém entrará na casa do Pai, como diz Cristo: «Ninguém vem ao Pai senão por Mim» (Jo 14,6).
E foi também Ele que disse que o Espírito Santo é o primeiro a abrir-nos o espírito e a ensinar-nos aquilo que diz respeito ao Pai e ao Filho: «Quando vier o Consolador, que vos hei de enviar da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim» (Jo 15,26). Como vês, pelo Espírito, ou antes, no Espírito, o Pai e o Filho dão-Se a conhecer inseparavelmente. […]
Com efeito, chamamos chave ao Espírito Santo, porque é principalmente por Ele e nele que temos o espírito clarificado e que, purificados, somos iluminados com a luz do conhecimento e batizados com o que vem do alto, regenerados e tornados filhos de Deus, como diz São Paulo: «É o próprio Espírito que intercede por nós com gemidos inefáveis» (Rom 8,26), e ainda: «Deus enviou aos nossos corações o Espírito que clama: “Abbá! Pai!”» (Gal 4,6). É Ele, pois, que nos aponta a porta, porta que é luz, e a porta ensina-nos que Aquele que habita na casa também é uma luz inacessível.
Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022),
Catequese 33
Fonte: Evangelho Cotidiano


