«A sabedoria foi justificada pelas suas obras»

Se, como afirma o Eclesiastes (3,1), há um tempo para cada coisa debaixo do sol – e «cada coisa» é tudo o que diz respeito à nossa vida -, estejamos atentos, procurando em cada momento o que convém a esse tempo.

Com efeito, é certo que, para aqueles que combatem, há um tempo para a impassibilidade e um tempo para o domínio das paixões […]; há um tempo para as lágrimas e um tempo para a dureza de coração; um tempo para obedecer e um tempo para mandar; um tempo para jejuar e um tempo para nos sentarmos à mesa; um tempo para combater o corpo, nosso inimigo, e um tempo em que esse fogo morreu; um tempo de tempestade na alma e um tempo de acalmia do espírito; um tempo de tristeza no coração e um tempo de alegria espiritual; um tempo para ensinar e um tempo para ouvir; um tempo para as manchas, talvez por causa do nosso orgulho, e um tempo de purificação pela humildade; um tempo para o combate e um tempo de tréguas, longe do perigo; um tempo para o silêncio e um tempo para uma atividade sem distrações; um tempo para a oração continuada e um tempo para o serviço sincero.

Não nos deixemos, pois, mover por um zelo soberbo, que nos leve a procurar antes do tempo aquilo que virá a seu tempo. Ou seja, não procuremos no inverno o que pertence ao verão, no tempo da sementeira o que pertence ao tempo da colheita; porque há um tempo para semear trabalhos e um tempo para recolher os inefáveis dons da graça. De outra maneira, nem quando chegar o tempo receberemos o que é próprio desse tempo.


São João Clímaco (c. 575-c. 650)
«A Escada Santa», 26º degrau
Fonte: Evangelho Cotidiano

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