«O que é tido como loucura de Deus é mais sábio que os homens, e o que é tido como fraqueza de Deus é mais forte que os homens» (1Cor 1,25). Sim, a cruz é uma loucura e uma fraqueza, mas só aparentemente. […] A doutrina da cruz conquistou os espíritos em todo o mundo, por meio de pregadores ignorantes. Esta doutrina abriu uma escola onde não se tratava de questões banais, mas de Deus e da verdadeira fé, da vida segundo o evangelho e do juízo futuro. Assim, a cruz transformou em filósofos pessoas simples e iletradas. É por isso que a loucura da cruz é mais sábia que a sabedoria dos homens. […]
Mais forte em que sentido? Porque se propagou pelo mundo inteiro, porque submeteu os homens ao seu poder e resistiu aos inúmeros adversários que gostariam de ver desaparecer o nome do Crucificado. Pelo contrário, esse nome desabrochou e propagou-se. […] E os seus inimigos pereceram, desapareceram: os vivos que combatiam um morto foram reduzidos à sua impotência. […] Com efeito, nem filósofos, nem oradores, nem reis, nem ninguém em toda a Terra pôde imaginar o que os publicanos e os pecadores foram capazes de fazer pela graça de Deus. […] Foi pensando nisso que o apóstolo Paulo afirmou: «O que é tido como fraqueza de Deus é mais forte que os homens». De outro modo, como teriam aqueles doze pescadores, que eram pobres e ignorantes, concebido semelhante empreendimento?
São João Crisóstomo (c. 345-407)
IV homilia sobre a I Epístola aos Coríntios
Fonte: Evangelho Cotidiano


