«Agora, Senhor […], deixareis ir em paz o vosso servo»

O Reino de Deus está próximo (Lc 21,31). Aproxima-se o Reino de Deus, irmãos muito queridos. Com o fim do mundo, anuncia-se já a recompensa da vida, a felicidade da salvação eterna, a segurança perpétua e a alegria do paraíso que outrora perdemos. E já as realidades do Céu se sucedem às realidades humanas, as grandes às pequenas, as eternas às temporais. Haverá lugar à inquietação, à apreensão pelo futuro? […]

Está escrito que «o justo viverá da fé» (Rom 1,17). Se fordes justos e viverdes da fé, se acreditardes verdadeiramente em Jesus Cristo, é natural que vos alegreis ao ser chamados a Ele […], uma vez que estais certos da promessa de Deus e destinados a estar com Cristo. Vede o exemplo de Simeão, o justo: era verdadeiramente justo e observou fielmente os mandamentos de Deus. Uma inspiração divina tinha-lhe dado a conhecer que não morreria sem primeiro ter visto a Cristo; e assim, quando Cristo, ainda criança, foi ao Templo com sua Mãe, percebeu, iluminado pelo Espírito Santo, que o Salvador tinha nascido, como lhe fora predito, e compreendeu que a sua morte estava iminente.

Alegre com essa perspectiva, e certo de que seria em breve chamado para junto de Deus, tomou o Menino nos braços e exclamou, bendizendo o Senhor: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação». Demonstrava assim que a paz de Deus é para os que O servem, que gozam de doce quietude e liberdade quando, subtraídos aos tormentos do mundo, alcançam o refúgio e a segurança eternos. […] Só então a alma encontra a paz verdadeira, o repouso total, a segurança duradoura e perpétua.

São Cipriano de Cartago (c. 200-258)
Sobre a morte, 2-3
Fonte: Evangelho Cotidiano.

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