«Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração»

Não duvido, Senhor, na minha consciência tenho a certeza de que Te amo.
Bateste ao meu coração com o teu Verbo e eu amei-Te.
Mas o que é que amo quando Te amo?
Não é a beleza do corpo, nem o encanto de um momento,
nem o brilho da luz que agrada aos meus olhos terrenos,
nem as doces melodias dos hinos de todas as modas,
nem o suave cheiro das flores, dos perfumes, dos aromas,
nem maná nem o céu,
nem os membros acolhedores dos abraços da carne.
Não são estas as coisas que amo quando amo o meu Deus.
E, no entanto, amo uma certa luz e uma certa voz,
um certo perfume e um certo alimento e um certo abraço
quando amo o meu Deus:
luz, voz, perfume, alimento, abraço
do homem interior que está em mim,
onde brilha para a minha alma o que o espaço não alcança,
onde ressoa aquilo que o tempo não capta,
onde se exala uma fragrância que o vento não dispersa,
onde se saboreia um prato que a voracidade não reduz,
onde se dá um abraço que a saciedade não afrouxa.
É isso que amo quando amo o meu Deus.

Santo Agostinho de Hipona (354-430)
Confissões, X, 6
Fonte: Evangelho Cotidiano

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