«Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?»

Catequese batismal preliminar nn. 3-4

Na festa de casamento mencionada nos evangelhos, entrou um homem vestido de forma desleixada, que se deitou e começou a comer, pois tinha o consentimento do noivo. Mas esse convidado, vendo que todos envergavam uma veste branca, devia ter feito o mesmo.

Pelo contrário, serviu-se dos pratos como os outros, embora nem a veste nem as disposições o assemelhassem a eles. Acontece que, embora generoso, o noivo não era desprovido de discernimento. E, ao passar por entre os convidados, olhando-os um por um (não estava interessado na sua maneira de comer, mas nas suas vestes), viu um intruso que não vestia o traje nupcial e perguntou-lhe: «Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?» Como te atreveste? Vejo que o porteiro não te impediu de entrar, tão liberal é o mordomo. Ignoravas qual era a veste exigida para seres admitido no banquete, compreendo; mas, quando entraste e viste que todos os convidados envergavam vestes deslumbrantes, não deverias ter aprendido alguma coisa com aquilo que te chamou a atenção? Não deverias ter feito uma saída honesta, como honesta fora a tua entrada? Mas eis que a tua entrada em falso vai valer-te uma triste expulsão. […]

Viste o que aconteceu àquele homem? Pois tem cuidado contigo. […] É possível que tenhas entrado com a alma manchada de pecados e com intenção impura. […] Faz, pois, uma saída sincera hoje e, amanhã, uma reentrada muito sincera. Se a tua alma estava vestida de avareza, entra com outra. Despoja-te da roupa que vestias, não vistas coisa alguma; despoja-te da fornicação e da impureza e enverga a veste brilhante da castidade. É o conselho que te dou antes de Jesus, o Esposo das almas, entrar e ver a tua veste.

São Cirilo de Jerusalém
Fonte: Evangelho Cotidiano

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