Por meio da imagem da luz solar que vemos com os olhos corporais, [foi anunciado] aquele Sol espiritual de justiça que foi verdadeiramente doce para os que tiveram a felicidade de ser instruídos por Ele e de O ver com os próprios olhos enquanto vivia e andava no meio dos homens como qualquer outro homem, embora não fosse um homem como os outros. Era verdadeiramente Deus e, por isso, fez com que os cegos vissem, os coxos andassem e os surdos ouvissem, curou os leprosos e, com uma simples ordem, restituiu os mortos à vida.
Também agora é verdadeiramente dulcíssimo voltarmos para Ele os olhos espirituais, para contemplarmos e considerarmos interiormente a sua pura e divina formosura e, mediante esta participação e comunhão, sermos iluminados e enriquecidos na sua beleza, saborearmos a doçura espiritual, revestirmo-nos de santidade, adquirirmos a sabedoria e saciarmo-nos plenamente da sua alegria divina todos os dias da vida presente. […] Porque naquele Sol de justiça está a fonte de toda a alegria para os que O contemplam; a estes se referia o profeta David ao dizer: «Os justos alegram-se e rejubilam na presença de Deus, exultando de alegria!» E ainda: «Exultai, ó justos, no Senhor, louvai-O, retos de coração» (Sl 67,4; 33,1).
São Gregório de Agrigento (c. 559-c. 594), bispo
Comentário sobre o Eclesiastes, 10, 2 (tradução do breviário, rev.)
Fonte: Evangelho Cotidiano


