Fui para longe, Amigo do homem, habitei no deserto,
Escondi-me de ti, meu doce Mestre,
mergulhei na noite das preocupações da vida
onde sofri muitos ataques e muitas feridas,
de onde regresso com a alma cheia de cicatrizes;
e, na minha dor e no sofrimento do meu coração, brado:
Tem piedade de mim, tem misericórdia deste pecador!
Médico que amas as almas, que amas a misericórdia,
que curas gratuitamente os doentes e os feridos,
sê o médico das minhas contusões e das minhas feridas!
Destila o óleo da tua graça, meu Deus,
espalha-o sobre as minhas feridas, sela as minhas úlceras,
cura e revigora os meus membros decadentes,
apaga todas as cicatrizes, meu Salvador,
restitui-me a saúde total e perfeita. […]
Deixei-me ir, Mestre, porque confiei em mim próprio;
deixei-me levar pelo desassossego com as coisas deste mundo
e sucumbi, mal de mim, à preocupação com as coisas da vida.
Como o ferro arrefecido, tornei-me negro
e, à força de me arrastar pelo chão, ganhei ferrugem.
Por isso clamo a ti, para ser novamente purificado,
peço-te, Amigo do homem, que me devolvas
a minha beleza original, para gozar a tua luz
agora e para todo o sempre. Amém.
Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022),
Hinos 46, SC 196
Fonte: Evangelho Cotidiano


