«Aquele que recebe Cristo torna-se a carne do Ressuscitado»

A natureza humana foi assumida pelo Filho de Deus tão intimamente que não só nele, «o primogênito de toda a criatura» (Cl 1,15), mas em todos os santos, há apenas um e mesmo Cristo. E, tal como a cabeça não se pode separar dos membros, também os membros não podem ser separados da cabeça. […]

Sofre com Ele, não apenas a coragem gloriosa dos mártires, mas também a fé de todos os que renascem do banho da regeneração. Com efeito, quando renunciamos ao diabo para crer em Deus, quando passamos da vetustez à renovação, quando depomos a imagem do homem terreno para nos revestirmos da forma celeste, produz-se uma espécie de morte e ressurreição; igualmente, aquele que é acolhido por Cristo e O recebe, após o banho do batismo deixa de ser o que era: o seu corpo regenerado torna-se a carne do Crucificado.

Por isso, a Páscoa do Senhor é celebrada como convém, «com o pão ázimo da pureza e da verdade» (1Cor 5,8), quando, rejeitado o fermento da antiga malícia, a nova criatura se inebria e alimenta do próprio Senhor. Pois a participação no corpo e no sangue de Cristo não tem outro propósito senão permitir-nos levar a toda a parte, no espírito e na carne, Aquele em quem e com quem morremos, fomos sepultados e ressuscitámos.

São Gregório Magno (c. 540-604)
Sermão XII sobre a Paixão; PL 54, 355-357
Fonte: Evangelho Cotidiano

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