Um dia, os apóstolos queixaram-se a Jesus: «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demônios em teu nome e procuramos impedir-lho, porque ele não anda conosco». Jesus atalhou imediatamente: «Não o proibais […]. Quem não é contra nós é por nós». Mas quando, no final dos tempos, estas pessoas disserem: «Senhor, senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? Não foi em teu nome que fizemos numerosas ações poderosas?» Ele afirma que lhes responderá: «Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade!» (Mt 7,22-23), advertindo aqueles que Ele mesmo agraciou com a glória de sinais e prodígios de que não se exaltem nesta matéria: «Não vos alegreis porque os espíritos se submetem a vós; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão inscritos nos Céus» (Lc 10, 20)
Agora, o próprio autor de todos os sinais e prodígios chama os seus discípulos para aprenderem a sua doutrina; Ele vai esclarecer o que os seus verdadeiros seguidores, os escolhidos, devem aprender com Ele em particular: «Vinde», diz, «e aprendei de Mim» – não a expulsar os demônios pelo poder do céu, evidentemente, nem a curar os leprosos, a iluminar os cegos, a ressuscitar os mortos. É verdade que faço todos estes prodígios por intermédio de alguns dos meus servos; no entanto, a condição humana não pode entrar em sociedade com Deus para os louvores que Lhe são devidos; o ministro e o escravo não podem tomar parte naquela glória que pertence apenas à divindade; mas «aprendei de Mim», diz Ele, isto: «que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,28-29). Isto é o que todos podem aprender e praticar. Mas fazer sinais e prodígios nem sempre é necessário, nem benéfico para todos, nem é universalmente concedido.
São João Cassiano (c. 360-435)
«Sobre os carismas divinos», cap. VI, SC 54
Fonte: Evangelho Cotidiano


