«No meio da noite, ouviu-se um brado». Este brado é aquele de que fala o apóstolo Paulo: «Num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final — pois a trombeta soará –, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados» (1Cor 15,52). E que aconteceu depois de se ouvir este brado, que soará a meio da noite? «As virgens levantaram-se». Que quer isto dizer? O próprio Senhor no-lo explica: «É chegada a hora em que todos os que estão nos túmulos hão de ouvir a sua voz e sairão» (Jo 5,28) […].
Que querem dizer estas palavras: «Não levaram azeite consigo»? «Consigo» quer dizer no seu coração. […] As virgens insensatas, que não levaram azeite, procuravam agradar aos homens pela sua continência e as suas boas obras, simbolizadas pelas lâmpadas; e, como o motivo das suas boas obras era agradar aos homens, não levaram azeite. Vós, porém, levai azeite convosco; levai-o no vosso interior, onde penetra o olhar de Deus; trazei aí o testemunho de uma boa consciência. […] Se evitais o mal e fazeis o bem para recolher lisonjas dos homens, não tendes azeite na vossa alma […].
Antes de estas virgens terem adormecido, não está dito que as suas lâmpadas estivessem apagadas. As lâmpadas das virgens prudentes brilhavam com vivo fulgor, alimentadas pelo azeite interior, pela paz da consciência, pela glória secreta da alma, devido à caridade que a abrasa. As lâmpadas das virgens insensatas também brilhavam. E porquê? Porque a sua luz era mantida pelos louvores humanos. Quando se levantaram, isto é, na ressurreição dos mortos, começaram a pegar nas lâmpadas, ou seja, a preparar as contas que deviam prestar a Deus pelas suas obras. Mas, nessa altura, já não haverá ninguém para as elogiar. […] Elas tentarão, como sempre tinham feito, brilhar com o azeite alheio, viver das lisonjas dos homens: «Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão a apagar-se».
Santo Agostinho de Hipona (norte de África) (354-430)
Sermão 93
Fonte: Evangelho Cotidiano


