Deus tinha criado o homem à sua imagem e semelhança (cf Gn 1,26), e havia-o julgado digno de O conhecer, pois estava acima de todos os animais devido ao dom da inteligência, fora criado no gozo das incomparáveis delícias do Paraíso e fora feito senhor de tudo o que havia à face da Terra. Mas, ao vê-lo cair no pecado, instigado pela serpente, e, pelo pecado, na morte e no sofrimento que a ela conduzem, não o rejeitou. Pelo contrário, deu-lhe desde logo o auxílio da sua Lei; designou anjos para o guardarem e cuidarem dele; enviou profetas para lhe reprovarem a maldade e lheLeia mais →

Agarrai-nos as raposas, essas raposas pequenas que destroem as vinhas; e as nossas vinhas estão em flor» (Ct 2,15). Como penetrar na profundidade deste pensamento? Que maravilha de grandeza divina se encerra aqui, que transcendência do poder de Deus nos é revelada neste texto? Que nome dá o Poder verdadeiro e único àquele de quem se fala com expressões tão fortes, ao assassino, ao poderoso em malícia, […] ao dominador do poder das trevas (cf Ef 6,12), ao que tem o poder da morte (cf Heb 2,14), […] àquele cuja natureza temível o Verbo nos descreve, mostrando-o tão grande e tão poderoso, ao chefe dasLeia mais →

Não poderemos, também nós, transportar alguém cujas forças interiores estejam enfraquecidas, como as do paralítico do Evangelho, e abrir-lhe o teto das Escrituras para o fazer descer até aos pés do Senhor? Vede bem, esta pessoa será como que um paralítico espiritual. Eu vejo o teto (da Escritura) e sei que Cristo Se esconde sob esse teto; farei portanto, na medida do possível, aquilo que o Senhor aprovou em relação aos que abriram o teto da casa e desceram o paralítico. Na verdade, Ele disse-lhe: «Filho, os teus pecados estão perdoados», e curou esse homem da sua paralisia interior: perdoou-lhe os pecados e firmou aLeia mais →

Depois de ter estado com Jesus e de ter aprendido muito, André não guardou este tesouro para si; apressou-se a ir ter com seu irmão para o fazer participar do bem que tinha recebido. […] Reparai como Pedro tem, desde o princípio, um espírito dócil e obediente […], pois acorre sem demora: André «levou-o a Jesus», diz o evangelista. Mas que ninguém o acuse de leviandade, como se tivesse aceitado cegamente o convite do irmão. É provável que este lhe tenha falado longamente e em pormenor, porque os evangelistas omitem muitas coisas por uma questão de brevidade. Além disso, não está dito que Pedro acreditouLeia mais →

O evangelho convida-nos a procurar a messe sobre a qual o Senhor diz: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe.» Foi então que Ele enviou, para além dos doze discípulos a quem chamou apóstolos («enviados»), mais setenta e dois. E mandou-os a todos, como se depreende das suas palavras, trabalhar numa messe já preparada. E que messe era essa? Eles não iam trabalhar entre os pagãos, onde nada fora semeado. Temos de supor, pois, que iriam trabalhar entre os judeus, pois foi para isso que o dono da messe veio;Leia mais →

«É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos que lhe são fiéis» (Sl 115,15). Uma religião cujo fundamento é o mistério da cruz de Cristo não pode ser destruída por nenhum tipo de crueldade. A Igreja não é diminuída pela perseguição, mas fortalecida por ela: o campo do Senhor fica coberto por uma seara cada vez mais rica, porque as sementes, caindo uma a uma, renascem multiplicadas. Milhares de mártires bem-aventurados testemunham a multiplicação da posteridade dessas duas gloriosas sementes da sementeira divina, os apóstolos Pedro e Paulo. Émulos de um e outro no seu triunfo, eles encheram a nossa cidade de Roma deLeia mais →

O apóstolo prova que somos filhos de Deus pelo facto de termos o Espírito Santo em nós (cf. Gal 4,4); diz ele que nunca nos atreveríamos a dizer «Pai nosso, que estás nos Céus» se não fosse a consciência de que o Espírito Santo habita em nós e grita com a voz poderosa da inteligência e da fé: «Abbá, Pai». […] É preciso notar que, na Sagrada Escritura, a palavra «clamor» não significa a intensidade da voz, mas a força do pensamento e da verdade que é expressa; assim, por exemplo, no Êxodo, o Senhor responde a Moisés: «Porque clamas a Mim?» (Ex 14,15), emboraLeia mais →

Os milagres realizados por Nosso Senhor Jesus Cristo são obras verdadeiramente divinas, que dispõem a inteligência humana para conhecer a Deus a partir do que é visível, pois os nossos olhos são incapazes de O ver, em consequência da sua natureza. Com efeito, os milagres que Deus opera para governar o Universo e organizar toda a sua criação, à força de se repetirem, perderam o seu valor e quase ninguém se dá ao trabalho de reparar que obra maravilhosa e surpreendente Ele opera numa qualquer sementinha. É por isso que, na sua benevolência, Ele Se reserva a possibilidade de realizar, no momento escolhido, algumas açõesLeia mais →

Meus irmãos, todos os tempos são bons para traduzirmos em atos o bem que é a caridade; mas os dias que vivemos exortam-nos particularmente a fazê-lo. Quem quiser acolher a Páscoa do Senhor com santidade de espírito e de corpo, deve esforçar-se sobretudo por adquirir esta graça, que é a soma de todas as virtudes e «cobre a multidão dos pecados» (1Ped 4,8). Assim, pois, estando prestes a celebrar o maior de todos os mistérios, aquele em que o sangue de Jesus Cristo apagou as nossas iniquidades, preparemos antes de mais o sacrifício de misericórdia, devolvendo a quem nos tiver ofendido aquilo que a bondadeLeia mais →

«Ele multiplica as nações e as destruirá; quando são derrotadas, restabelece-as integralmente» (Job 12,23). Podemos compreender que o Senhor multiplica as nações e as destruirá, porque todos os dias nascem seres destinados a morrer, e que restabelecerá integralmente as nações derrubadas, porque os mortos ressuscitarão. Mas compreendemos melhor estas palavras se virmos como se cumprem na alma destes povos. O Senhor multiplica as nações e destruí-las-á, porque, embora as aumente pela fecundidade da sua descendência, abandona-as à sua incredulidade. Mas, uma vez derrubadas, restabelecê-las-á integralmente, porque reconduziu à estabilidade da fé as nações que tinha abandonado à sua incredulidade. E, depois de estas nações teremLeia mais →