Nos «salmos de subida», o salmista aspira a Jerusalém e diz que quer subir. Subir para onde? Desejará ele alcançar o sol, a lua, as estrelas? Não. Deseja subir ao céu, onde se encontra a Jerusalém eterna, e onde vivem os anjos, nossos concidadãos (Heb 12,22). Aqui na terra, estamos exilados, longe deles. Ainda a caminho, neste exílio, suspiramos; ao chegar à cidade, estremeceremos de alegria. Durante a viagem, encontramos companheiros que já viram essa cidade e que nos encorajam a correr para ela. Eles inspiraram ao salmista uma exclamação de alegria: «Que alegria quando me disseram: vamos para a casa do Senhor!» (Sl 122,1).Leia mais →

O que é o jejum, senão a essência e a imagem do Céu? O jejum é o conforto da alma e o alimento do espírito. O jejum é a vida dos anjos; o jejum é a morte do pecado, a destruição dos erros, o remédio da salvação, a raiz da graça, o fundamento da castidade. Por esta escada, chegamos mais depressa a Deus. Elias subiu por esta escada antes de subir no carro; e, ao partir para o Céu, deixou ao seu discípulo essa herança de sobriedade e abstinência (cf 2Rs 2,11-15). Foi com a força e o espírito de Elias que João veio (cfLeia mais →

Quando Deus, que é invisível, Se dignou dirigir-Se ao homem, aparecendo-lhe sob uma forma visível, quando o Eterno usou uma linguagem temporal e o Imutável palavras frágeis, dizendo: «Eu sou aquele que sou» (Ex 3,14) […], acrescentou ao nome da sua substância o nome da sua misericórdia. […] É como se Deus tivesse dito a Moisés: «Não compreenderás estas palavras: “Eu sou aquele que sou”; o teu coração não é inabalável; não és imutável como Eu, nem o é o teu espírito. Ouviste o que Eu sou. Escuta o que podes compreender, escuta o que podes esperar». E Deus disse a Moisés: «”Eu sou oLeia mais →

As portas estão abertas a quantos se voltarem para Deus com sinceridade e de todo o coração e é com alegria que o Pai recebe um filho verdadeiramente arrependido. Qual é o sinal do arrependimento verdadeiro? Não voltar a cair em velhos erros e arrancar do coração, pela raiz, os pecados que nos fazem correr perigo de morte; quando estes estiverem apagados, Deus virá habitar em nós. Porque, como diz a Escritura, um pecador que se converte e se arrepende dará ao Pai e aos anjos do Céu uma imensa e incomparável alegria (cf Lc 15,10). Foi por isso que o Senhor disse: «Eu queroLeia mais →

Aquele que é o fruto de uma Virgem santa é a glória e a honra de todas as outras santas virgens; porque elas próprias serão, como Maria, mães de Cristo, se fizerem a vontade de seu Pai. A glória e a felicidade de Maria como Mãe de Jesus Cristo exprimem-se sobretudo naquelas palavras do Senhor: «Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe» (Mt 12,50). Ele indica assim o parentesco espiritual que O liga ao povo que resgatou: os seus irmãos e as suas irmãs são os homens santos e asLeia mais →

«É com razão que te amam» (Ct 1,4): recebemos aqui um ensinamento particularmente elevado, a saber, a caridade que devemos ter com Deus e a conduta que devemos ter com os homens. Se é preciso que «tudo aconteça com decoro e com ordem» (1Cor 14,40), quão mais rigorosa deve ser a ordem a este nível. […] Conheçamos, pois, a ordem da caridade que a Lei nos ensina, isto é, que devemos amar a Deus e amar os nossos inimigos, para nunca invertermos a ordem do cumprimento da caridade. Temos de amar a Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todasLeia mais →

Job não diz «Criador», mas «Redentor», designando claramente Aquele que, depois de ter criado todas as coisas, querendo redimir-nos do nosso cativeiro, apareceu entre nós na encarnação e, pela sua Paixão, nos libertou da morte eterna. É de notar a fé com que Job se entrega ao poder divino daquele sobre quem Paulo afirmou: «Ele foi crucificado em fraqueza, mas vive pelo poder de Deus» (2Cor 13,4). Disse Job: «Sim, eu sei que o meu Redentor vive»; que o mesmo é dizer sem ambiguidades: Ele foi flagelado, escarnecido, espancado, coroado de espinhos, cuspido, crucificado, morreu – isto sabe o incrédulo; por mim, creio com féLeia mais →

«A árvore mantém a esperança; depois de cortada, voltará a reverdecer e os seus ramos despontarão» (Job 14,7-10). […] Na Sagrada Escritura, a árvore simboliza a cruz, mas também o homem, quer o justo quer o injusto, e ainda a sabedoria de Deus encarnada. Com efeito, é à cruz que o profeta se refere quando diz: «Destruamos a árvore no seu vigor» (Jer 11,19), referindo-se ao corpo do Senhor. A palavra «árvore» também evoca o homem, quer o justo quer o injusto, quando o Senhor afirma pela boca do profeta: «Sou Eu, o Senhor, que humilho a árvore elevada e elevo a árvore humilhada» (EzLeia mais →

«Tu o fortaleceste durante algum tempo para o levares para a vida eterna» (Job 14,20 Vulg). Fortalecido durante algum tempo, o homem recebeu, durante esse tempo, a força de viver neste mundo de maneira a ser levado para uma vida eterna onde nenhum limite porá termo à sua vida. Mas, neste breve período em que foi fortalecido, pôs-se em condições de encontrar na eternidade uma vida sem fim ou suplícios que sofrerá sem deles escapar. E foi por ter sido fortalecido durante algum tempo que Job acrescenta estas palavras: «Tu o desfiguras e o afastas». O homem é desfigurado quando a sua beleza é destruídaLeia mais →

Uma cananeia aproximou-se de Jesus e pôs-se a suplicar-Lhe em grandes brados pela filha, que estava possuída pelo demónio. […] O que era esta mulher — uma estrangeira, uma bárbara sem qualquer relação com a comunidade judaica — senão uma cadela indigna de obter que pedia? «Não está certo tirar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». No entanto, a sua perseverança fez com que merecesse ser atendida. À que era apenas uma cadela, Jesus elevou-a à nobreza dos filhos pequenos; mais ainda, cobriu-a de elogios, dizendo-lhe à despedida: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas» (Mt 15,28). Quando ouvimosLeia mais →