Zacarias cala-se e perde a fala até ao nascimento de João, precursor do Senhor, que lhe devolve a fala. O silêncio de Zacarias significa que a profecia desapareceu e que, antes do anúncio de Cristo, está como que escondida e fechada, abrindo-se ao seu advento, tornando-se clara para a chegada daquele que estava profetizado. A fala devolvida a Zacarias aquando do nascimento de João corresponde ao véu rasgado aquando da morte de Jesus na cruz (cf Mt 27,51). Se João se tivesse anunciado a si mesmo, a boca de Zacarias não se teria reaberto. A fala é-lhe devolvida por causa do nascimento daquele que éLeia mais →

«Eu tenho a minha testemunha no Céu, um defensor nas alturas» (Job 16,19). Quando o Filho vacilou na Terra, tinha uma testemunha no Céu. Com efeito, o Pai é a testemunha do Filho, como diz no Evangelho: «O Pai, que Me enviou, também Ele deu testemunho de Mim». Mas também é justamente chamado seu confidente, porque é numa única vontade, num único conselho, que o Pai opera sempre com o Filho. E é também sua testemunha porque «ninguém conhece o Filho senão o Pai» (Mt 11,27). O Filho tinha, pois, a sua testemunha no Céu, um defensor nas alturas» no dia em que aqueles queLeia mais →

Admiremos João Batista por causa do seguinte testemunho: “Entre os filhos de mulher, ninguém ultrapassa João Batista” (Lc 7,28); ele mereceu ser elevado a uma tal reputação de virtude que muitas pessoas pensavam que ele era o Cristo (Lc 3,15). Mas há uma coisa ainda mais admirável: Herodes, o tetrarca, detinha poder real e podia fazê-lo morrer quando quisesse. Ora ele tinha cometido uma ação injusta e contrária à lei de Moisés ao tomar a mulher do seu irmão. João, sem ter medo dele nem fazer acepção de pessoas, sem dar importância ao poder real, sem recear a morte…, sem escamotear qualquer destes perigos, repreendeuLeia mais →

Não há nada em que o homem seja tão parecido com Deus como na capacidade de fazer o bem; e, mesmo tendo nós essa capacidade numa medida completamente diferente da de Deus, façamos pelo menos tudo o que pudermos. Deus criou o homem e reergueu-o depois da queda. Não desprezes, pois, aquele que caiu na miséria. Comovido pelo enorme sofrimento do homem, deu-lhe a Lei e os profetas, depois de lhe ter dado a lei não escrita da natureza. Teve o cuidado de nos conduzir, de nos aconselhar, de nos corrigir. Finalmente, deu-Se a Si mesmo em resgate pela vida do mundo. […] Quando navegasLeia mais →

O próprio Senhor veio, mestre de caridade, cheio de caridade. […] Refleti comigo, irmãos, sobre a natureza destes dois preceitos. Eles devem ser-nos muito conhecidos, não nos vindo à mente só quando os recordamos, mas nunca desaparecendo do nosso coração: é esse o nosso dever. Lembrai-vos sempre de que devemos amar a Deus e ao nosso próximo. A Deus com todo o coração, toda a alma e todo o entendimento; e ao próximo como a nós mesmos. […] O amor a Deus é o primeiro na ordem dos preceitos, mas o amor ao próximo é o primeiro na ordem da execução. De facto, aquele queLeia mais →

«Se ele destruir, ninguém poderá construir; se ele fechar, ninguém poderá abrir» (Jb 12,14). Deus Todo-Poderoso destrói o coração do homem quando o abandona e constrói-o quando o enche. Deus não destrói a alma do homem lutando, mas retirando-Se: entregue a si mesma, a alma está perdida. Por isso, quando, em castigo pelos seus pecados, a graça de Deus omnipotente não enche o coração de um ouvinte, é em vão que o pregador tenta instruí-lo do exterior, pois toda a boca que fala é muda se Aquele que inspira as palavras que ressoam não gritar no fundo do coração. E não deve espantar-nos que umLeia mais →

«Mas agora estou esmagado pela minha dor e todos os meus membros estão destruídos» (Jb 16,8). A Santa Igreja é esmagada pela sua dor quando vê aumentar a malignidade dos homens perversos. E, como a ascensão dos homens perversos também excita os fracos do seu meio a seguirem as paixões da depravação, Job tem razão em dizer: «e todos os meus membros foram destruídos». Pois os ossos referem-se aos fortes, e os membros aos fracos. Os membros da Igreja são, pois, destruídos quando, imitando os perversos que crescem neste mundo, a fraqueza dos fracos se agrava cada dia: à vista da felicidade dos ímpios, muitasLeia mais →

Ontem, celebrámos o nascimento temporal do nosso Rei eterno; hoje, celebramos o martírio triunfal do seu soldado. […] O nosso Rei, o Altíssimo, humilhou-Se por nós; mas a sua vinda não foi em vão, pois Ele trouxe grandes dons aos seus soldados, a quem não só enriqueceu abundantemente, mas também fortaleceu para serem invencíveis na luta: trouxe-lhes o dom da caridade, que torna os homens participantes da natureza divina. […] A mesma caridade que Cristo trouxe do Céu à terra levou Estêvão da terra ao Céu. […] Para merecer a coroa que o seu nome significa, Estêvão tomou como arma a caridade, e com elaLeia mais →

Que maravilha! O mensageiro nasce antes daquele que o fez vir ao mundo. João é realmente a voz e Jesus o Verbo, a Palavra de Deus (cf Mt 3,3; Jo 1,1). […] A palavra nasce primeiro no espírito, e depois suscita a voz que a enuncia; a voz exprime-se pelos lábios e dá a conhecer a palavra aos que a escutam. Assim, Cristo permaneceu em seu Pai, por quem João foi criado, como todas as coisas, mas João nasceu de uma mãe e deu Cristo a conhecer a todos os homens. Ele era o Verbo que existia desde o princípio, antes que o mundo existisse;Leia mais →

Depois de ter estado com Jesus e de ter aprendido muito, André não guardou este tesouro para si; apressou-se a ir ter com seu irmão para o fazer participar do bem que tinha recebido. […] Reparai como Pedro tem, desde o princípio, um espírito dócil e obediente […], pois acorre sem demora: André «levou-o a Jesus», diz o evangelista. Mas que ninguém o acuse de leviandade, como se tivesse aceitado cegamente o convite do irmão. É provável que este lhe tenha falado longamente e em pormenor, porque os evangelistas omitem muitas coisas por uma questão de brevidade. Além disso, não está dito que Pedro acreditouLeia mais →