Quando foi que o Senhor quis dar-Se a conhecer? «Ao partir o pão». Podemos ter a certeza de que, quando partimos o pão, reconhecemos o Senhor. Ele só quis ser reconhecido naquele momento por nossa causa, porque não já O veríamos em carne e osso, mas comeríamos a sua carne. Sejas quem fores, crente que não usas o nome de cristão em vão e que não vais à igreja por nada, tu, que escutas com temor e esperança a palavra de Deus, o teu conforto está na partilha do pão. A ausência do Senhor não é uma ausência. Crê somente, e Aquele que não vêsLeia mais →

Governar o Universo é certamente um milagre maior do que saciar cinco mil homens com cinco pães. E, contudo, aquilo não espanta ninguém, mas as pessoas espantam-se diante de um milagre de menor importância, porque sai do habitual. Com efeito, quem sustenta todo o Universo, senão Aquele que, com algumas sementes, cria searas inteiras? Cristo fez o mesmo que Deus faz: usando o seu poder de multiplicar as searas a partir de uns quantos grãos, multiplicou cinco pães; porque tinha poder para tal, e porque esses cinco pães eram como sementes, que o Criador da terra multiplicou mesmo sem as lançar à terra. […] EstaLeia mais →

Senhor meu Deus, luz dos cegos e força dos fracos, mas também luz dos que veem e força dos fortes, escuta a a minha alma, ouve-a gritar do fundo do abismo (cf Sl 192,1). Pois se Tu não nos escutares do fundo do abismo, aonde iremos? A quem dirigiremos os nossos apelos? «Teu é o dia, tua é também a noite» (Sl 73,16). A um sinal teu, todos os instantes desaparecem. Dá aos nossos pensamentos o tempo necessário para investigarem os recessos profundos da tua lei e não feches a porta àqueles que batem (cf Mt 7,7). Com razão quiseste que se escrevessem tantas páginasLeia mais →

Na leitura do Evangelho, ouvimos Jesus louvar a nossa fé, associada à humildade. Quando prometeu ir a casa do centurião curar-lhe o servo, este respondeu: «Não mereço que entres em minha casa […]. Mas diz uma palavra e o meu servo será curado». Ao considerar-se indigno, revela-se digno – digno de que Cristo entre não só em sua casa, mas também no seu coração. […] Pois não teria sido para ele grande alegria se o Senhor Jesus tivesse entrado em sua casa sem entrar no seu coração. Com efeito, Cristo, Mestre de humildade pelo seu exemplo e pelas suas palavras, sentou-Se à mesa em casaLeia mais →

«Cantarei ao Senhor enquanto viver» (Sl 103,33). O que cantará o salmista? Cantará tudo aquilo que Deus é. Cantemos a glória do Senhor durante toda a nossa vida. A nossa vida atual mais não é que uma esperança; a nossa vida futura será a eternidade. A vida desta vida mortal é a esperança da vida imortal: «Cantarei ao Senhor enquanto viver; louvarei o meu Deus enquanto existir». E, porque viverei nele sem fim, enquanto viver cantarei ao meu Deus. Não pensemos que, quando tivermos começado a cantar ao Senhor na cidade do Céu, quereremos fazer outra coisa; nessa altura, toda a nossa vida consistirá emLeia mais →

As palavras de Jesus Cristo Nosso Senhor que lemos no Evangelho recordam-nos que há uma unidade misteriosa para a qual devemos tender enquanto nos afadigamos no seio da multiplicidade deste mundo. Ora, tendemos para ela enquanto caminhamos e antes de descansarmos, enquanto estamos a caminho e ainda não chegámos à pátria, no tempo do desejo que não é ainda o dia do gozo. Tendamos para ela, mas tendamos sem covardia e sem interrupção, para que possamos finalmente alcançá-la. […] Marta estava ocupada com muitos cuidados, preparando uma refeição para o Salvador; Maria, sua irmã, que preferia ser alimentada por Ele, deixou a Marta as muitasLeia mais →

Escutai todos, judeus e gentios […]; escutai, todos os reinos da Terra! Eu não impeço o vosso domínio sobre este mundo, «o meu reino não é deste mundo». Não temais, pois, com esse medo insensato que dominou Herodes quando lhe anunciaram o meu nascimento. […] Não, diz o Salvador, «o meu reino não é deste mundo». Vinde todos a um reino que não é deste mundo; vinde a ele pela fé; que o medo não vos torne cruéis. É verdade que, numa profecia, o Filho de Deus diz, falando do Pai: «Por Ele, fui eleito rei sobre Sião, sobre a montanha sagrada» (Sl 2,6).  MasLeia mais →

Hoje é sábado, um sábado que os judeus respeitam com descanso exterior, com uma doce e luxuriosa ociosidade, porque se dedicam a ninharias, e gastam este sábado que o Senhor prescreveu dedicados a ocupações que Ele proibiu. Se para nós o sábado é abstenção de obras más, para eles é abstenção de obras boas. Porque é melhor lavrar a terra que dançar. Eles abstêm-se de obras boas, mas não de obras pueris. Deus prescreveu-nos, pois, um repouso – mas que repouso? Em primeiro lugar, vê onde está esse repouso. Para muitos, o repouso está nos membros, enquanto a consciência se agita. Quem é mau nãoLeia mais →

Quando Deus, que é invisível, Se dignou dirigir-Se ao homem, aparecendo-lhe sob uma forma visível, quando o Eterno usou uma linguagem temporal e o Imutável palavras frágeis, dizendo: «Eu sou aquele que sou» (Ex 3,14) […], acrescentou ao nome da sua substância o nome da sua misericórdia. […] É como se Deus tivesse dito a Moisés: «Não compreenderás estas palavras: “Eu sou aquele que sou”; o teu coração não é inabalável; não és imutável como Eu, nem o é o teu espírito. Ouviste o que Eu sou. Escuta o que podes compreender, escuta o que podes esperar». E Deus disse a Moisés: «”Eu sou oLeia mais →

Zacarias cala-se e perde a fala até ao nascimento de João, precursor do Senhor, que lhe devolve a fala. O silêncio de Zacarias significa que a profecia desapareceu e que, antes do anúncio de Cristo, está como que escondida e fechada, abrindo-se ao seu advento, tornando-se clara para a chegada daquele que estava profetizado. A fala devolvida a Zacarias aquando do nascimento de João corresponde ao véu rasgado aquando da morte de Jesus na cruz (cf Mt 27,51). Se João se tivesse anunciado a si mesmo, a boca de Zacarias não se teria reaberto. A fala é-lhe devolvida por causa do nascimento daquele que éLeia mais →