Caríssimos irmãos, o número quarenta possui um valor simbólico, ligado ao mistério da nossa salvação. Com efeito, quando, nos primeiros tempos, a maldade dos homens invadiu a superfície da Terra, Deus fez cair chuva do céu durante quarenta dias e inundou a Terra inteira com as águas do dilúvio (Gn 7). Estava lançada simbolicamente a história da nossa salvação: as águas da chuva caíram durante quarenta dias para purificar o mundo. Agora, durante os quarenta dias da Quaresma, é oferecida aos homens a misericórdia, para que se purifiquem. […] Assim, o dilúvio é figura do batismo; o que então se verificou ainda hoje se cumpreLeia mais →

Bem pode o povo pecar que não desencoraja a misericórdia de Deus. O povo fez um bezerro, mas Deus teve misericórdia dele; negou a Deus, mas Deus não Se negou a Si mesmo (cf 2Tm 2,13). «Estes são os teus deuses, Israel» (Ex 32,4), disseram os hebreus, e mesmo depois disso o Deus de Israel, fiel a Si mesmo, tornou-Se o seu salvador. Mas o povo não foi o único a pecar; com ele pecou o sumo sacerdote, Aarão. E Moisés disse: «A cólera do Senhor também se acendeu contra Aarão»; mas acrescentou: «Eu rezei por ele, e Deus perdoou-lhe» (Dt 21,8). Então Moisés, rezandoLeia mais →

Este Rei glorioso, que está rodeado por uma guarda de anjos e sentado no mesmo trono que o Pai, não desprezará os seus próprios servos. Para que os eleitos não sejam confundidos com os inimigos, «Ele enviará os seus anjos, com uma grande trombeta, e eles reunirão os seus eleitos dos quatro ventos» (Mt 24: 31). Ele, que não desprezou Lot no seu isolamento, desprezará a multidão dos justos? «Vinde, benditos de meu Pai» (Mt 25: 34), dirá aos que forem transportados em carros de nuvens e reunidos pelos anjos. Mas, dirá algum dos presentes, eu sou pobre e talvez me encontrem na cama, semLeia mais →

O verdadeiro Cristo, o Filho único de Deus, não voltará à terra. Se alguém aparecer no deserto, como uma aparição, não vades ao seu encontro: «se alguém vos disser: “Eis aqui o Cristo”, ou: “Ei-lo ali!”, não acrediteis» (Mc 13,21). De agora em diante, não olheis para a terra. Porque o Mestre descerá do céu. Não sozinho, como antes, mas com uma grande companhia, escoltado por miríades de anjos; não misteriosamente, como a chuva sobre o velo, mas como um relâmpago que brilha intensamente. Ele próprio disse: «Como o relâmpago surge do oriente e é visível até ao ocidente, assim será a vinda do FilhoLeia mais →

O Espírito é chamado Paráclito porque consola, tranquiliza e vem em socorro da nossa fraqueza: «não sabemos o que havemos de pedir, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis» (Rm 8,26) dirigidos a Deus. Muitas vezes, um homem que é maltratado por causa de Cristo é injustamente desonrado; é sujeito ao martírio, com tormentos, fogo, animais ferozes, precipício. Mas o Espírito Santo diz-lhe suavemente: «Espera no Senhor» (Sl 26,14); isto que agora passas é pouco, e grandes serão as recompensas; sofrerás algum tempo, mas estarás eternamente na companhia dos anjos: «Os sofrimentos do tempo presente nada são comparados com a glória queLeia mais →

A pretexto de que não consigo beber o rio todo, deverei privar-me de tomar modestamente o que dele necessito? A pretexto de que a constituição dos meus olhos me impede de olhar o Sol de frente, deixarei de ver aquilo que as minhas necessidades me solicitam? A pretexto de que entrei num enorme pomar e não consigo comer todos os frutos que nele se encontram, deverei sair dele com fome? Eu louvo e glorifico Aquele que nos criou, porque tal está prescrito por mandamento divino: «Todo o ser vivo bendiga o seu santo nome» (Sl 145, 21) […]. Mas não está escrito: «Os seus [dosLeia mais →

O mundo visível passará e aquele que esperamos virá, mais belo do que ele; mas que ninguém queira saber o dia, porque não nos compete, dizia Jesus, «conhecer os tempos nem os momentos que o Pai fixou com a sua autoridade» (At 1,7). Por isso, não tenhais a audácia de avançar uma data para estes acontecimentos, nem a negligência de voltar a dormir, mas «estai preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem». Mas nós tínhamos de conhecer os sinais do fim; além disso, estamos à espera de Cristo; por isso, para evitar que morramos desiludidos e que sejamos enganadosLeia mais →

Ele foi realmente colocado como homem num sepulcro de rocha, mas as rochas quebraram-se com medo dele; e desceu ao mundo subterrâneo para de lá resgatar os justos. […] Aquele que desceu aos infernos voltou a subir, e Jesus, que foi sepultado, ressuscitou realmente ao terceiro dia. Se algum dia fores atacado, deves perguntar imediatamente: «Jonas não ressuscitou ao fim de três dias?». Um morto ressuscitou tocando nos ossos de Eliseu (cf 2Rs 13,21) e o Criador dos homens não ressuscitará, por maioria de razão pelo poder do Pai? Mas Ele ressuscitou de fato e, uma vez ressuscitado, foi visto de novo pelos seus discípulos.Leia mais →

Recorda aquilo que te disse sobre o fato de o Filho estar sentado à direita do Pai, porque é isso que diz o símbolo: «Subiu aos Céus e está sentado à direita do Pai»! […] O profeta Isaías, que tinha visto este trono antes da presença do Salvador na carne, afirma: «Vi o Senhor, sentado num trono elevado» (Is 6,1); ora, como «ao Pai, nunca ninguém O viu» (Jo 1,18; cf 1Tim 6,16), a personagem que apareceu ao profeta era o Filho. O salmista diz também: «O teu trono está preparado desde sempre; Tu existes desde toda a eternidade» (Sl 92,2), e há numerosos testemunhosLeia mais →

Quando pronunciamos o nome do Pai, isso também nos faz pensar no Filho; tal como, referindo o Filho, pensamos imediatamente no Pai. Se, pois, há um Pai, é absolutamente necessário compreender que é Ele Pai de um Filho; e, se há um Filho, é absolutamente expetável que seja Filho de um Pai. […] Claro, num sentido muito amplo, Deus é o Pai da multidão dos seres; mas, por natureza e na realidade, é o Pai do único Filho gerado, Nosso Senhor Jesus Cristo; é-o sem ter tido de utilizar o tempo , mas por ser, desde sempre, o Pai do único Filho gerado. […] ÉLeia mais →