«O poço de água viva» Quando a Sagrada Escritura nos instrui sobre a realidade vivificante, quando nos fala através de profecias que emanam de Deus: «Eles abandonaram-Me, a Mim, fonte de água viva» (Jer 2,13), ou das palavras do Senhor à samaritana: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: “Dá-Me de beber”, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva», ou ainda: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba», porque: «”Daquele que crê brotarão rios de água viva”. Dizia isto do Espírito que haveriam de receber os que nele cressem» (Jo 7,37.39) — aLeia mais →

O Livro dos Provérbios pede ao discípulo da Sabedoria que se inscreva na escola da abelha, dizendo aos amantes da Sabedoria: olhai para a abelha, vede como é laboriosa e o respeito que atrai para o seu trabalho; reis e súditos usam os seus produtos para conservar a saúde do corpo. E acrescenta que a abelha é procurada e estimada por todos, que é desprovida de força, mas ama a sabedoria, e, por causa disso, é dada como exemplo de vida a quantos procuram a virtude: «Foi respeitada porque amou a Sabedoria» (Prov 6,8,LXX). Este texto aconselha-nos, pois, a não esquecermos nenhum ensinamento divino, masLeia mais →

«Eis que o inverno passou», diz o Esposo, «e que desapareceram as chuvas» (Cant 2,11). O mal tem muitos nomes — é inverno, chuva e granizo –, conforme a diversidade dos seus efeitos, e cada um destes nomes simboliza uma tentação específica. Chamamos-lhe inverno para simbolizar a multiplicidade de formas do mal. […] Quando há tempestades, o mar cresce, erguendo-se dos abismos, imitando os rochedos e as montanhas, elevando-se acima das águas dos cumes; e atira-se contra a terra como seu inimigo, precipitando-se sobre a costa e abalando-a com os sucessivos golpes dos seus fluxos, quais ataques de máquinas de guerra. Analisemos o significado simbólicoLeia mais →

«Quem é o meu próximo?» Para responder, o Verbo, a Palavra de Deus, expõe, sob a forma de uma narrativa, a história da misericórdia: conta a descida do homem, a emboscada dos salteadores, o arrancar das vestes imperecíveis, as feridas do pecado, o poder da morte sobre metade da natureza (pois a alma permanece imortal) e a passagem em vão da Lei, uma vez que nem o sacerdote nem o levita cuidaram das chagas do homem que tinha sido vítima dos salteadores, pois «é impossível que o sangue dos touros e dos bodes apague os pecados» (Hb 10,4); só o podia fazer Aquele que revestiuLeia mais →

Se Deus é bem-aventurado, como afirma o apóstolo Paulo (cf 1Tim 1,11. 6,15), e se os homens participam dessa bem-aventurança pela sua semelhança com Ele, mas lhes é impossível imitarem-no, a bem-aventurança é irrealizável para a condição humana. Mas o homem pode imitar a Deus de certa maneira. Como? A meu ver, a pobreza em espírito designa a humildade. O apóstolo Paulo dá-nos como exemplo a pobreza de Deus, que, «sendo rico, Se fez pobre por nós, para nos fazer participantes da sua riqueza» (2Cor 8,9). Tudo aquilo que podemos entrever acerca da natureza divina ultrapassa os limites da nossa condição, tudo menos a humildade,Leia mais →

Qualquer homem que oiça o relato do mar Vermelho compreende o mistério da água, à qual se desce com todo o exército dos inimigos e da qual se emerge sozinho, deixando o exército dos inimigos afundado no abismo. E percebe que este exército dos egípcios […] são as diversas paixões da alma às quais o homem se encontra sujeito: sentimentos de ira, impulsos diversos de prazer, de tristeza, de avareza. […] Todas estas coisas, e aquelas que estão na sua origem, com o chefe que promove o ataque odioso, se precipitam na água atrás dos israelitas. Mas a água, pela força da vara da féLeia mais →

O sol inclinava-se em direção ao poente. Mas o fervor da minha irmã Macrina não decaía; quanto mais se aproximava o momento da partida, mais ela corria em direção ao seu bem-amado. […]. Já não se dirigia a nós, os que estávamos ali presentes, mas apenas Àquele de quem não desviava o olhar […]: «Foste Tu, Senhor, que anulaste o nosso medo da morte. Foste Tu que fizeste com que, para nós, o termo da vida terrestre se tornasse o começo da vida verdadeira. És Tu que, por um tempo, deixas os nossos corpos repousar em dormição e os acordas novamente “ao som da trombetaLeia mais →

A vida presente é um caminho que conduz ao termo da nossa esperança, tal como se vê nos rebentos o fruto que começa a sair da flor, e que, graças a ela, chega à existência de fruto, apesar de a flor não ser o fruto. De igual modo, a seara que nasce das sementes não aparece imediatamente com a espiga: é a planta que desponta primeiro; em seguida, uma vez morta a planta, surge a haste de trigo e depois o fruto maduro no alto da espiga. […] O nosso Criador não nos destinou à vida embrionária; o objectivo da natureza não é a vidaLeia mais →

O apóstolo Paulo […] testemunha a respeito do Filho único que Ele não Se limitou a criar os seres, mas que, tendo a antiga criação envelhecido e tendo-se tornado caduca, operou uma nova criação. E assim, o próprio Cristo é o primogênito de toda a criação (Col 1,15) pelo evangelho anunciado aos homens. […] Como se tornou Cristo «primogênito de uma multidão de irmãos» (Rom 8,29)? […] Por nós, Ele fez-Se como nós, tendo participado na carne e no sangue para nos transformar de corruptíveis em incorruptíveis, pelo nascimento do alto, da água e do Espírito (Jo 3,5). Mostrou-nos o caminho de um tal nascimentoLeia mais →

«O meu amado é um cacho de uvas de Chipre entre as vinhas de Engadi» (Ct 1,14). […] Este cacho divino cobre-se de flores antes da Paixão e derrama o seu vinho na Paixão. […] Na videira, o cacho não tem sempre a mesma forma, muda com o tempo: floresce, incha e, depois de estar perfeitamente maduro, vai-se transformar em vinho. A videira promete, pois, pelo seu fruto: ainda não está maduro e no ponto para dar vinho, mas espera a plenitude dos tempos. No entanto, não é absolutamente incapaz de nos alegrar. Com efeito, já antes do sabor, encanta o olfato na espera deLeia mais →